Qual foi o impacto do dia 7 de setembro para a economia brasileira?


O dia 7 de setembro marcará a história do Brasil como o maior protesto de direita que já ocorreu no país. De norte a sul da nação, milhões de brasileiros investiram o feriado no qual poderiam estar com suas famílias para lutarem em favor de mudanças políticas reais. Apesar de todo o esforço, todos acordaram no dia seguinte encarando as consequências de um país ainda em crise institucional, cada vez mais longe das reformas que o país precisa para seguir em frente.

Antes do dia 7 a movimentação dos mercados não indicava que haveria uma ruptura, ou pelo menos os agentes do mercado não pareciam estar pessimistas em relação aos eventos que se seguiriam. Ainda no dia 6, o dólar recuou, a despeito de previsões mais alarmistas que geralmente permeiam o consciente coletivo de países próximos de ruptura e fazem com que haja uma corrida em favor do dólar. A valorização do real nos dias pré-7 de setembro indicou que o mercado, ou precificou antes ou simplesmente não esperava nada relevante para essa data.

Já após o dia 9 de setembro, após a carta de Bolsonaro redigida por Michel Temer para tentar pacificar a relação entre os poderes da República, a reação dos mercados foi diferente. O dólar caiu e a BOVESPA reagiu subindo. Tal fenômeno se deu devido ao fato de que os mercados tinham um enorme medo de que uma possível ruptura pudesse causar um caos social, um desabastecimento ou até mesmo replicar os efeitos da última greve dos caminhoneiros, sendo só essa responsável pela queda de 1% do PIB brasileiro naquele ano.

Com a possibilidade de ruptura diminuída, os mercados puderam especular que o caminho para que o país consiga reestruturar suas contas ficou mais claro, já que o atual impasse entre os poderes inviabiliza reformas e deixa temas urgentes do orçamento, como as questões ligadas aos precatórios, deixadas de lado. Ainda assim, confiar no espírito dos mercados nem sempre é um bom termômetro. Historicamente, o mercado sobe na euforia de boas notícias exageradas e cai quando todos descobrem a realidade. De igual modo, quando o pânico de más notícias dá espaço a notícias mais verossímeis os mercados sobem. Mas mesmo assim, o mercado não reage àquilo que é bom para o Brasil, e sim para aquilo que é bom para o mercado.

Não necessariamente a bolsa subir é bom para o país como um todo, uma vez que a maioria dos brasileiros não tem dinheiro na bolsa. É claro, existem exceções. Muitos fundos estão atrelados à ações de empresas estatais que possuem ingerência do governo, e quando essas empresas são depredadas, como foi o caso da Petrobrás, todo o país perde.

No entanto, o fato do mercado subir a uma notícia não significa que essa foi uma notícia ruim para o povo. O mercado é pusilânime e muitas vezes interpreta notícias de forma pouco óbvia. Por exemplo, quando foi descoberto o Petróleo do pré-sal o natural seria que as ações da Petrobrás se valorizassem, mas pelo contrário, elas caíram, pois os investidores anteviram que a empresa teria que destinar muito dos seus lucros e dos seus investimentos para extrair tais recursos. Na prática, a descoberta do pré-sal foi uma grande vitória para a nação, mas provocou uma queda momentânea no valor das ações.

Sendo assim, fica claro que o destino do Brasil não pode ser guiado pela vontade dos mercados, ainda que esses sejam importantes, o que deve sempre contar, em último caso, é a vontade popular, pois o povo deve chamar para si a responsabilidade sobre o seu próprio destino, mesmo que esse seja dos melhores.

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