Após 20 ano do 11 de setembro, América encontra-se no seu pior momento


Há exatos 20 anos, dois aviões colidiam com as torres do World Trade Center, levando abaixo não somente dois edifícios, mas também milhares de pessoas e a moral de uma nação. Nunca antes na história americana o país havia sido atacado de tal forma por um inimigo externo. A fantasiosa inviolabilidade do solo americano foi violada por um pequeno grupo de terroristas muçulmanos, financiados durante 1 ano para conduzirem o ataque.

De uma hora para outra, os americanos descobriram que não estavam mais seguros. A qualquer momento eles poderiam ser vítimas de um ataque. Qualquer um poderia ser terrorista. Qualquer lugar poderia ser um possível alvo. A partir daquela fatídica data, todos os americanos passaram a dormirem acompanhados de um insólito companheiro: o medo. Em face disso, a primeira reação foi tentar descobrir quem foi o causador do atentado. E após pouco tempo, a sociedade americana entrou num consenso de que valeria a pena entrar numa nova guerra, uma guerra do tipo que nunca havia sido travada antes e cujos custos jamais haviam sido mensurados: a guerra ao terror.

Como você pode presumir, o terror não tem face. O terror não possui fronteiras. O terror não possui bandeira. Para travar uma guerra contra os terroristas, os EUA teriam que conduzir operações dentro e fora do seu território, criarem leis que relativizavam direitos constitucionais e se prepararem para enfrentar os países que abrigavam e financiavam os terroristas. Primeiro, o congresso americano aprovou o ato patriota, que restringia liberdades e atentava sobre a privacidade dos cidadãos sob o pretexto que isso os protegeria. Mais tarde, o congresso aprovou a guerra no Afeganistão, e num segundo momento, mesmo sem haver relação direta com os eventos do 11/9, os EUA aproveitaram para invadir o Iraque, com a justificativa que lá haveriam armas de destruição em massa – que nunca foram encontrada.

O saldo do dia 11/9 na vida americana já pode ser contabilizado. Milhares de militares mortos ou com membros amputado. Milhões de civis mortos ou forçados ao exílio. Trilhões de dólares gastos numa guerra infinda que poderiam ter sido gastos na população. Milhares de pessoas doentes com depressão ou stress pós-traumático. E como se isso não fosse o suficiente, até mesmo o ICE, órgão responsável para deter a entrada de imigrantes, foi criado na esteira dos atentados, já que terroristas poderiam entrar pelas fronteiras. Hoje, é mais difícil visitar os EUA e há mais burocracia para se entrar num avião. Tudo isso porque um dia alguém usou quatro aeronaves como mísseis derrubadores de prédios.

Politicamente, a guerra rendeu a George Bush uma improvável reeleição em 2004, porém o desgaste da guerra fez com que todo o capital político do republicano fosse desperdiçado nas areias do Iraque. Isso, somado à crise de 2008 provocou a chegada de Barack Hussein Obama ao poder. O retumbante fracasso de Bush pavimentou o caminho para que um radical chegasse ao poder e fosse iniciado um perigoso processo de polarização na sociedade americana que até hoje não dá sinal de cessar. Ainda durante esse período, a dívida americana explodiu e a presença americana no mundo diminuiu. Enquanto os EUA se ocupavam perseguindo terroristas nas areias do Iraque e nas montanhas do Afeganistão, não tão longe dali , na China, ascendia regionalmente uma potência que hoje é capaz de rivalizar com o país e ameaça desbancar os EUA da sua hegemonia.

Estrategicamente, a ideia de entrar na guerra tinha uma intenção: levar o inimigo para longe dos EUA. A ideia era que, ao irem para o Oriente Médio, os terroristas achariam mais cômodo combater os americanos nos seus países de origem e assim reuniriam menos esforços para organizarem ataques contra os EUA em solo americano. Estratégia boa ou má, aparentemente funcionou. Em mais de 20 anos, nunca mais houve um ataque de grandes proporções nos Estados Unidos.

Sendo assim, o saldo do dia 11/9 é um débito impagável para gerações de americanos. As ocupações “infinitas” já cessaram, deixando no Iraque e no Afeganistão regimes iguais ou ainda piores aqueles que existiam antes da entrada americana. Se essas guerras serviram para algo foi para sepultar os falcões neoconservadores que dominavam o partido republicano. Após 8 anos de radicalismo de Obama o partido republicano não viu outra opção senão investir no Trumpismo, corrente contrária às guerras e mais alinhada aos anseios da classe trabalhadora, tão esquecida nos governos Bush-Obama. Desse modo, após 20 anos, pode-se perceber que aqueles aviões derrubaram duas torres, mas sobre elas se levantou uma nova nação.

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