Após saída americana do Afeganistão, Taliban se aproxima de tomar o controle do país


Meses atrás a imprensa mundial assistiu atônita ao “corajoso” pronunciamento do atual presidente americano, Joe Biden, sobre a retirada total das tropas americanas do Afeganistão. Num misto de arrogância, burrice e inocência, houve quem elogiou tal medida, apontando que a saída de uma guerra era em si mesmo uma “vitória”. Pois bem, tal “vitória” já começa a produzir seus primeiros frutos e o mundo já está em face de ser exposto a um indigesto banquete de consequências.

Enquanto a imprensa mainstream foi uníssona em louvar a retirada das tropas do afeganistão os especialistas não foram tomados pelo mesmo otimismo. Não foram poucos aqueles que previram que a saída do Afeganistão repetiria o mesmo processo que aconteceu quando os EUA se retiraram do Iraque, ainda no governo Obama. Quando isso aconteceu, não demorou um dia para que a saída americana provocasse um vácuo de poder que foi rapidamente preenchido por radicais islâmicos.

Sendo assim, não deveria ser surpresa para absolutamente ninguém que a retirada do Afeganistão fatalmente provocaria uma “paz” muito mais cara custosa que os gastos militares da presença americana no país. Em face disso, especialistas em política externa criticaram o presidente democrata Joe Biden em um relatório recente sobre a rápida deterioração da situação no Oriente Médio.

David Adesnik, membro sênior e diretor de pesquisa da Fundação para a Defesa das Democracias (FDD), observou que “embora, como vice-presidente, Joe Biden tenha visto como a retirada dos EUA do Iraque levou ao ascensão do Estado Islâmico, bem como tremendo sofrimento para o povo iraquiano, ele parece não ter se preparado para riscos semelhantes no Afeganistão ”.

A última análise do analista foi divulgada no momento em que o Talibã conquistou rapidamente a maior parte do Afeganistão em questão de dias, em meio à desastrosa retirada do país do governo Biden. Para efeitos da conhecimento, nesse atual momento o grupo terrorista já controla um estado do país cuja distância de Cabul, capital do país, é de apenas 30 minutos, sendo quase que previsível uma volta do grupo em todo o território como questão de tempo.

O Taleban já assumiu o controle de seis capitais provinciais em apenas quatro dias: Aybak, Taloqan, Kunduz City, Sar-i-Pul City, Shibirghan e Zaranj. Zaranj, capital da província de Nimruz, foi a primeira capital provincial tomada pelo Taleban desde que eles começaram sua ofensiva em 1º de maio. Em Cabul, o Taleban lançou um ataque suicida contra a casa do ministro da defesa em exercício e assassinou o diretor do centro de informação e mídia do governo afegão. Apesar da clara implementação do Taleban de uma estratégia militar para restabelecer seu Emirado Islâmico do Afeganistão, o Departamento de Estado dos EUA ainda se apega à noção de que pode haver um “acordo negociado” com o grupo terrorista.

Se no Afeganistão a situação se mostra desastrável, a maior preocupação dos analistas se concentra no Irã. Após um ataque de drones iraniano a um petroleiro operado por israelenses que navegava perto de Omã, que resultou na morte de um cidadão britânico e um romeno, a Casa Branca reafirmou o compromisso do presidente Biden de se juntar novamente ao acordo nuclear com o Irã. Mais uma vez, o governo respondeu à hostilidade e à provocação (neste caso, a morte de um cidadão do aliado mais próximo da América) oferecendo-se para suspender as sanções dos EUA e inundar a economia do Irã com mais de US $ 100 bilhões.

O Oriente Médio nunca foi uma região fácil para os americanos, de tamanha complexidade que quase qualquer ação tomada pode ser futuramente considerada um erro. No entanto, se as ações passadas dos estados unidos tiveram consequências negativas, o que está sendo percebido no governo Biden é que a inação e a omissão americana podem ser futuramente nem serem considerados apenas erros, mas sim tragédias.

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