Para conter influência chinesa, governo americano se aproxima do Brasil


Essa semana um fato relevante quase que passou totalmente despercebido. Em meio ao todo o caos que rodeia a crise institucional entre os três poderes da República, muito se especulou acerca da viabilidade de uma atitude por parte dos militares para conter certas arbitrariedades. Dentro desse contexto, muito se especula acerca da viabilidade de uma ação militar e quais seriam suas repercussões internacionais.

Como já é bem sabido, o mundo cada vez mais entra num silencioso cenário que emula uma espécie de Guerra Fria, sendo que dessa vez, ao invés da Rússia, é a China que disputa áreas de influência com os EUA. E nesse sentido, os EUA, por mais pujantes que sejam econômica e militarmente, tem perdido bastante espaço para os chineses. Os investimentos da China em infraestrutura em volta ao mundo tem criado uma ligação simbiótica entre as economias deles e de vários países, o que acarreta que, numa eventual crise na China poderia provocar uma crise ainda pior em diversos países, como é o caso do Brasil.

Á título de conhecimento, o Brasil é muito importante para os interesses chineses. Nosso país é o principal exportador de grãos para o país, que do ponto de vista estratégico, carece de soberania alimentar, estando assim submetido aos riscos de não produzir alimentos o suficiente para a sua população somente com sua produção interna.

Se na Roma Antiga o governo era mantido pela lógica do “pão e circo”, na China, já não tem circo, logo, faltando pão o governo cairia em colapso. Por isso a preocupação cabida do Partido Comunista Chinês em aumentar sua presença no Brasil, país no qual empresas chinesas aproveitaram a crise do COVID para comprar ações de muitas empresas ligadas a exportação de grãos com o intuito de garantir suprimentos para seus mais de 1 bilhão de habitantes.

É nesse cenário de expansão chinesa pelo mundo que Joe Biden herda uma situação bastante desconfortável. Ao mesmo tempo em que a base ideológica de seu partido deseja que ele entre em rota de colisão com o governo Bolsonaro, seus assessores mais racionais devem encorajá-lo a se aproximar ao máximo para que o país não entre na órbita dos chineses.

Em função disso, por mais que faltem palavras elogiosas de Biden à Bolsonaro, suas ações denotam suas reais preocupações. Essa semana Biden enviou seu assessor especial de assuntos internacionais para uma viagem à América Latina. O intuito da visita ao Brasil será fortalecer a “estabilidade regional”. Na prática, o que os EUA começam a ensaiar a formação de uma aliança – pragmática, e não ideológica – com o país.

Sob o pretexto de promover “a melhora da economia na América Latina” o que os EUA tendem a fazer é rivalizar com as propostas chinesas de investimento no Brasil, o que até então, era uma área onde a China estava nadando de braçadas. Sendo assim, essa investida americana no Brasil é positiva por dois motivos: primeiro, porque nos permitiria sermos menos dependentes da economia chinesa; e segundo, porque garantiria que independente do que acontecer na crise institucional brasileira, os EUA não iriam retaliar o país, contanto que ele permanecesse como seu aliado. Em outras palavras, por mais que uma possível aliança nossa com o governo Biden não seja tão agradável como seria com o governo Trump, ainda é melhor que ficarmos reféns dos investimentos chineses.

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