Endividamento record ameaça a recuperação da economia brasileira


O ministro da Economia, Paulo Guedes, essa semana se viu numa situação bastante desconfortável. E infelizmente, para o ministro, e para todos os brasileiros, isso é algo que já se tornou rotineiro nos últimos anos. Sob a promessa de guiar uma onda de reformas liberais, Guedes viu em Bolsonaro uma janela para entrar na história do país como um grande liberalizador e diminuidor do tamanho do Estado.

No entanto, os planos bem intencionados do já milionário ministro brasileiro foram frustrados por dois imprevistos. Primeiro, o ministro não esperava a resistência dentro do Congresso às medidas que ele advogava. Segundo, com a chegada do patógeno, toda e qualquer intenção de redução de gastos e enxugamento do tamanho do Estado caiu por terra ao entrarmos no período de maior necessidade de aumento de gastos do últimos anos.

Mesmo após vários insucessos na área legislativa – que aliás, não foi uma área onde o governo obteve muitas vitórias -, Guedes se manteve fiel ao governo mesmo quando este não se manteve fiel à sua agenda. O ministro demonstrou tolerância ao ser compreensivo com o presidente, já que deve ter entendido que as circunstâncias que se impuseram a ele não permitiam de implementar sua agenda.

Dessa forma, ao ser perguntado nessa semana sobre a situação econômica insatisfatória da nossa economia, Guedes afirmou que o Orçamento do próximo ano prevê recursos de R$ 25 bilhões a R$ 30 bilhões para acomodar o pagamento do programa Bolsa Família. Ele acrescentou que existiria uma “fumaça no ar” sobre possíveis despesas extraordinárias no orçamento, que podem forçar algum “reajuste”, em outras palavras, ficou implícito que, caso haja mais gastos inesperados dentro de um orçamento já apertado, é possível que recursos hoje destinados para programas sociais possam ser comprometidos.

Até o momento, sabemos que a programação para o Bolsa Família estava perfeitamente enquadrada na Lei de Responsabilidade Fiscal e nos limites do teto. Temos sempre receio. Há fumaça no ar, mas prefiro já estarmos trabalhando num ataque direto a esse possível fator”, disse Guedes. Tal afirmação de Guedes dificilmente deve ser interpretada ao pé da letra, uma vez que tal declaração pode ser apenas uma forma de coagir os membros do Centrão, deputados de regiões onde o bolsa-família é mais presente, a implementarem as medidas do ministro. Em outras palavras, caso os gastos continuem se excedendo, Guedes deixou claro que comprometer o bolsa-família é uma opção para retaliar o mesmo congresso que está boicotando suas reformas.

Sendo assim, levando em consideração que em anos eleitorais os aumentos de gastos governamentais tendem a se intensificarem, fica bastante difícil acreditar que haverá ajustes fiscais, já que cortar gastos não costuma garantir voto para deputados. Por outro lado, não fazer as reformas de Guedes pode acarretar em consequências ainda mais tétricas, pois, se o Brasil for tomado por um descontrole fiscal, pode cair no mesmo buraco que Venezuela e Argentina. Nesse caso, a preocupação dos deputados deixará de ser acerca de seus mandatos para se tornar sobre para aonde terão que ir caso nossa economia entrar num total colapso.

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