Recontagem de votos no Arizona reforça tese de fraude na direita americana


Após um polêmico resultado eleitoral, no qual foi negado pela Suprema Corte o direito de auditoria e recontagem, no Estado do Arizona foi iniciado um processo de recontagem dos votos. A suspeita é de que uma série de irregularidades no condado de Maricopa teriam virado o jogo contra Donald Trump. Um fato no mínimo curioso é que o Arizona é o estado da grande desavença de Trump, o já finado senador John McCain.

Após uma celeuma com o ex-senador, Trump disse que se orgulhava dos soldados que não eram capturados, não dos que tinham sido. Isso caiu como uma bigorna no ego de McCain, que ao contrário de Trump, serviu no Vietnam e ficou 2 anos sendo torturado numa prisão vietnamita, vivendo até o último de seus dias com as sequelas físicas e psicológicas nesse cruel episódio de sua vida. Em função disso, começou entre McCain e Trump uma desavença que teria consequências cabais para o então candidato à presidência. Uma vez eleito, Trump não conseguiu repelir a Obamacare por um único voto. E de quem foi esse voto decisivo? Sim. Dele mesmo, John McCain.

O vingativo e rebelde senador já estava diagnosticado com câncer no cérebro e não tinha nem porque comparecer na sessão, mas fez questão de ir apenas para selar o impedimento do que seria a maior vitória legislativa do governo Trump. McCain, que 10 anos antes concorrera contra Obama, por um ironia do destino, foi o principal responsável por manter a principal marca do governo do seu antigo adversário. E pior, uma vez morto, quem discursou em seu velório foi justamente Joe Biden, que anos mais tarde concorreria contra Trump.

Em face de todo esse contexto, cresceu na base conservadora a tese de que as autoridades do estado do Arizona tenham tentado sabotar a campanha de Trump para beneficiar os interesses das elites locais mais ligadas à família McCain, que tem em seus principais doadores a indústria bélica, que não deve ter ficado contente com os 4 anos de absoluta paz e prosperidade do governo Trump.

Nesse sentido, foram encontradas irregularidades em cédulas e também na caneta usada para destacar os votos, sendo então perpetrado um esforço jurídico para recontar os votos no estado. E por mais que o resultado da recontagem não tenha demonstrado uma diferença tamanha para virar o pleito no estado, esse acontecimento aqueceu a base trumpista para iniciar o processo de auditoria e recontagem em outros estados, como na Geórgia, onde até mesmo as autoridades do estado que no primeiro momento estavam céticas, agora começam a trabalhar com a hipótese de fazer mudanças no processo eleitoral para evitar que essas mazelas se repitam.

Em suma, esse episódio tem pouca ou nenhuma chance de ter algum efeito prático para o governo Biden, no entanto, esse tipo de notícia fortalece a narrativa de que Trump foi injustiçado e que, com uma possível crise econômica durante o mandato de Biden, esse e outros episódios podem pavimentar o caminho para que Deus devolva Trump para a Casa Branca, o lugar de onde ele nunca deveria ter saído.

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