Qual o impacto do aumento de 300 reais no Bolsa Família?


Nessa semana, muitas pessoas foram pegas de surpresa pela inusitada notícia de que o nosso capitão, o presindente Jair Bolsonaro iria elevar, de olho na sua reeleição, em 300 reais o valor do Bolsa Família. O mais interessante é que muitos que, outrora se diziam os defensores dos pobres e dos programas sociais, ao perceberem que tal medida pode viabilizar um segundo mandato para o atual presidente curiosamente mudaram de opinião e criticaram a elevação do valor do programa social que sempre disseram defender.

Em outras palavras, boa parte da nossa imprensa só parece interessada em defender os pobres caso isso beneficie a esquerda. Se qualquer melhora na vida dos mais carentes puder significar um aumento de popularidade do atual mandatário, não terão nenhum constrangimento em cair em contradição e procurar com um lupa defeitos nas atitudes mais nobres do seu opositor.

A medida impactará a vida de 14 milhões de miseráveis. Qualquer análise que não passe pelo prisma humano deixará passar o fato de que para essa camada de esquecidos, não importa se o auxílio é de um presidente de esquerda ou de direita. Apesar disso, politicamente, é bom frisar que para esse estrato social, o voto não se dá com o bolso, mas com a barriga. Dessa maneira, é bastante possível que, com essa medida, Bolsonaro abra espaço para avançar sobre o resistente eleitorado nordestino. Levando em consideração a perda de uma ala de seus apoiadores lavajatistas e moradores de grandes centros, insatisfeitos com o desempenho econômico, explorar o eleitorado mais carente por via de uma medida populista como esta parece ser a única opção para o prosseguimento do projeto do governo vigente.

Se do ponto de vista humano, esse aumento implica na melhora das condições básicas de vida dos brasileiros que mais precisam, do ponto de vista fiscal, isso pode ter um preço salgado. O Brasil já enfrenta um déficit primária gigantesco dado graças a pandemia, e esse aumento do bolsa família apenas ajuda a deixar nosso rombo ainda maior. Tal prejuízo, mais uma vez, acabará sendo custeado por inflação ou aumento de impostos, uma vez que o aumento do poder de consumo da camada menos produtiva do país terá um impacto direto nos preços dos itens mais básicos. Além disso, elevar a renda de pessoas sem contrapartida, como sempre, causa que muitas delas neguem-se a irem trabalhar e essa carência de mão-de-obra causa inflação no setor de serviços.

A elevação, que vai custar cerca de R$ 35 bilhões, não parece ter espaço no já combalido orçamento brasileiro. Por mais que pareça irresponsável – e é -, essa medida não é incomum. Todos os anos eleitorais os gastos eleitorais avançaram, para serem reduzidos nos anos seguintes. Do ponto de vista liberal, essa medida parece um sacrilégio, no entanto, na verdade se mostra um sacrifício necessário para manter o governo e sua agenda de reformas liberais tão necessárias. É como dizem: “as vezes é preciso dar um passo pra trás para dar dois à frente”. No caso do governo, ou ele sacrifica a política de gastos, ou, caso o PT vença as eleições, não haverá mais política de gastos.

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