Esquerda chega ao poder no Peru com altas denúncias de fraude


Na última semana, quando escrevi acerca da eleição que se daria no Peru, devo confessar que já até admitia que as chances da esquerda vencer o pleito eram maiores. A rejeição maior da candidata direitista Keiko Fujimori e a vantagem absurda da qual o esquerdista Pedro Castillo gozou durante todo o segundo turno nas pesquisas eleitorais eram sinais que me deixavam pouco otimista quanto ao possível resultado dessas eleições. No entanto, o que mais me surpreendeu não foi a “vitória” de Castillo, e sim a forma como ela aconteceu.

O mapa eleitoral da eleição presidencial peruana demonstrou algo muito importante. Nas grandes cidades, onde a justiça eleitoral é atuante, Keiko Fujimori venceu de lavada, mas nos grotões, onde existem as velhas táticas de desonestidade eleitoral, Castillo teve grande vantagem. Esse foi um padrão tão curioso que deixou muitas pessoas instigadas. Outro fato ainda mais curioso foi o fato de que Keiko começou a apuração na frente e só foi ultrapassada justamente com a chegada desses votos vindos das regiões rurais.

Em função do resultado apertadíssimo e de todas essas situações no mínimo intrigantes, Keiko Fujimori não cruzou os braços e admitiu a derrota facilmente. Ela alegou que irá apelar á Justiça eleitoral do país, mesmo sabendo que essa jamais irá acatar seu clamor. Ela não fará isso porque acha que sentará na cadeira presidencial, e sim porque precisa aproveitar o capital político que recebeu, de ter 49% dos votos, para se manter como a figura mais relevante da direita do país, e assim criar uma narrativa de que foi injustiçada, para que, com um possível fracasso do governo de Castillo, ela possa ser sua principal opositora daqui a 5 anos.

Os Fujimoris chegaram a política peruana a exatos 31 anos atrás, e se há uma coisa que eles têm demonstrado é a total resiliência em suportar derrotas e aprender com seus erros. O fujimorismo, de defunto em 2019, com ambos Alberto Fujimori como sua filha Keiko Fujimori, presos, com fortes perdas fujimoristas na eleição daquele ano, chegou a um surpreendente segundo turno. Pode parecer uma derrota, mas em face de tudo o que aconteceu, o Fujimorismo sai fortalecido, uma vez que conseguiu se impor como a principal força eleitoral do campo direitista.

Em função disso, Keiko, que não só precisa se colocar como líder do campo direitista, como também não pode perder protagonismo dentro do próprio núcleo fujimorista, já que seu irmão quer ser o próximo a concorrer a presidente, fez uma coletiva de imprensa na qual denunciou uma série de irregularidades e indícios de fraude na de votação. “Há uma clara intenção de boicotar a vontade popular”, denunciou ela, que mostrou inclusive vídeos e fotos para apoiavam suas denúncias, entre elas a de um registro de votação de um posto rural onde Castillo obteve 187 votos e ela nenhum.

Sendo assim, o que podemos aprender com o pleito peruano é que a direita jamais pode se calar em frente a um resultado injusto. Vencer a batalha de narrativa é mais importante do que vencer a batalha eleitoral. E é essa uma importante lição que o povo japonês pode nos ensinar. Ao contrário dos ocidentais, que contam sua história de acordo com quem o líder está no poder, os orientais olham de cima, no campo maior, eles avaliam não um líder e sim sua dinastia. Por isso, reforço com toda a convicção que esse resultado pode parecer uma derrota para o campo direitista peruano, mas se formos mensurar tudo o que aconteceu com o fujimorismo nesses últimos anos, o resultado demonstra que a direita está ressurgindo com força.

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