PIB do 1º trimestre excede expectativas, mas emprego não surpreende


A economia brasileira demonstra ter passado pela crise do COVID-19. Isso é o que mostram os números do crescimento do PIB no primeiro trimestre de 2021. Depois de uma forte retração, o otimismo parece voltar a estampar o rosto do brasileiro. O PIB do primeiro trimestre subiu 1,2%, acima da previsão de 0,8%. O Brasil cresceu em todos os setores. O setor agropecuário teve alta de 5,7%, seguido por indústria, com 0,7%, e serviços, com 0,4%.

Os números se mostram ainda mais positivos quando analisamos as alterações na demanda do país. A formação bruta de capital fixo (os investimentos das empresas mais os estoques) subiram incríveis 4,6%, enquanto o consumo das famílias e do governo sofreram quedas de 0,1% e 0,8%, respectivamente. Em valores nominais, o PIB trimestral somou R$ 2,048 trilhões. Em outras palavras, mesmo com uma redução dos gastos governamentais, a iniciativa privada finalmente tomou iniciativa no crescimento.

Esse resultado denota algo ainda mais positivo. Graças ao efeito carry over do PIB, que é de 4,8%, pode-se mensurar que, se não houver mais nenhum crescimento adicional na margem nos próximos três trimestres, já é garantido esse crescimento para o ano. Com isso, podemos prever que bancos, corretoras e consultorias revisem suas previsões de crescimento para 4,5% a 5% esse ano.

A agropecuária subiu 5,7% devido a aumentos de preço nos mercados internacionais. Já o setor de serviços, que concentra maior parte da mão-de-obra e 60% do PIB, ainda têm muito potencial para crescer, principalmente a partir do terceiro trimestre. Tudo indica que com o avanço da vacinação e o fim dos lockdowns, haja um forte crescimento no setor de serviços no terceiro trimestre, isso poderia capitanear um ano de forte crescimento e um começo promissor para 2022.

Infelizmente, apesar dos números serem animadores, o desemprego persiste alto e a qualidade dos empregos gerados ainda não é satisfatório. O problema é que o Brasil pode crescer fortemente esse ano e esse crescimento não ser sentido pela base da população, principalmente a urbana. Isso pode gerar consequências negativas para o governo no seu plano de reeleição em 2022. Outro ponto é que o crescimento ainda é desigual em relação ao país. Isso pode ser um problema para o governo, que precisaria avançar no eleitorado nordestino para compensar sua perda de popularidade em outras regiões.

Tudo indica que a economia brasileira caminhe em direção a mais um novo ciclo de crescimento, mas como sabemos, as medidas atuais só gerarão frutos que serão colhidos daqui a anos a frente. Por isso persiste o perigo de que, havendo uma troca de governo em 2022, o próximo presidente ganhe o crédito pela condução econômica atual. Em função disso, é bom porém insuficiente que o país tenha crescido se isso ainda só é sentido pela elite agroexportadora do país e pelos agentes do mercado financeiro. Enquanto a melhora não for sentida na mesa do povo, a continuidade do atual projeto de reformas iniciado pelo governo Bolsonaro corre severos riscos. No entanto, seguindo essa atual tendência, pelo menos se for julgado pela economia, Bolsonaro deve chegar em 2022 a tendo como um dos seus pontos fortes.

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