Eleição no Peru pode entregar o poder para o Foro de São Paulo


O Peru nesse domingo viverá o segundo turno de mais uma polêmica campanha. Assim como em 2011 e 2016, Keyko Fujimori pela terceira vez simboliza a direita conservadora, e dessa vez enfrenta Pedro Castillo, o candidato mais à esquerda que chegou num segundo turno nos últimos anos. Basicamente uma vitória de Castillo poderia colocar em risco décadas de crescimento econômico que se iniciaram desde os anos 90.

O Peru em 1990 encontrava-se em frangalhos. Havia o terrorismo do grupo maoísta Sendero Luminoso, havia inflação, crise, desemprego, cortes de energia. O total descrédito na classe política peruana fez com que, através do conhecido “Tsunami Fujimori”, chegasse ao comando do país um membro da ínfima minoria nipônica do país, Alberto Fujimori. Munido de muita força de vontade e de pouco talento para negociação, Fujimori fechou o congresso em 1992, com total apoio popular, decretou medidas mais duras contra o terrorismo e efetuou o “fujishock”, o choque liberal na economia, além de ter promulgado a atual constituição do país.

Reeleito em 1995, e mais tarde, de forma polêmica, também em 2000, Fujimori foi envolto num escândalo de corrupção, exilando-se no Japão e renunciando por fax. Desde então, o fujimorismo deixou de ser a força oficial do país para tornar-se uma força secundária, uma espécie de populismo liberal-conservador muito sui generes no nosso continente. Em 2005, Fujimori foi preso e condenado por crimes contra a humanidade e corrupção. Ainda assim, o fujimorismo continuou presente através de seus filhos Kenji e Keyko, que permaneceram na política.

Os últimos anos foram devastadores para a política peruana. Graças a propinas descobertas da construtora brasileira Odebrecht, quase toda a classe política peruana foi pega em atos de corrupção. Entre eles, o ex-presidente, Alan Garcia, que se suicidou antes de ser preso, o ex-presidente Ollanta Humala, o ex-presidente Kusincki foi retirado do cardo, assim como seu sucessor, Viscarra, também por corrupção. Até mesmo Keyko Fujimori ficou presa por ter recebido dinheiro da Odebrecht. Isso fez com que nas eleições de 2019 o fujimorismo perdesse a maioria de suas cadeiras na câmara. Muitos alegaram que era o fim da “influência japonesa” na política peruana.

Agora, o Peru se aproxima de uma escolha muito importante para seu futuro. De um lado, há Keyko Fujimori, candidata conservadora que defende a democracia e as reformas liberais de seu pai; do outro, Pedro Castillo, professor rural, socialista fanático, apoiador de Hugo Chavez, que não tem a menor vergonha em dizer que sua primeira atitude quando eleito será, assim como Chavéz, promulgar uma nova Constituição. Castillo é um outsider total, e isso faz com que muitos o comparem com o Fujimori em 1990, um homem comum que cai nos braços do povo devido ao descrédito popular com a classe política. Dias antes do primeiro turno, tinha 1% de intenção de voto e “do nada”, saltou para terminar em primeiro lugar, com mais de 26% dos votos. Quase que raspando, Keyko, que também estava bem atrás nas pesquisas, saltou no dia da votação e por pouco conseguiu mais uma vez chegar no segundo turno.

Todas as pesquisas apontam a vitória de Castillo. Apesar disso, a diferença que era de 20 pontos, caiu para 2 pontos na última pesquisa. Sendo assim, tudo pode acontecer. Keyko, que gozava que uma fortíssima rejeição, mais de 50%, foi exitosa em diminuí-la para 45% e aumentar a de seu opositor para 41%. Ela também logrou a união de todos os partidos de centro e de direita em torno de si como se fosse a única opção para a permanência da democracia no país. Sua tentativa de pintar seu opositor como radical, autoritário, machista e homofóbico tem tirado dele boa parte do afã que foi criado no primeiro turno. Mesmo assim, é possível que isso não seja suficiente.

De qualquer forma, cabe apenas observarmos o resultado da eleição dos nossos vizinhos andinos. Uma vitória de Castillo seria um triunfo para o Foro de São Paulo após vários pleitos de vitória direitista no continente. Levando em consideração o potencial destrutivo de uma possível volta da esquerda no Peru, tanto para sua economia como para suas instituições, resta-nos torcer para que o povo peruano coloque as condenações de corrupção que pesam sobre Keyko de lado e desprezem por vez o sonho delirante da esquerda de destruir mais país no nosso continente.

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