Para Biden, inflação é um problema político, não econômico


Nesses últimos dias, conselheiros do presidente Joe Biden detectaram um desafio crescente porém pouco inesperado: o aumento da inflação. Nessa semana, muitos especialistas acreditavam que a economia americana geraria mais de um milhão de novos empregos. E o resultado foi uma total decepção, menos de 200 mil postos de trabalho foram ocupados no último mês. Isso poderia parecer algo trivial senão fosse o real motivo que possibilitou essa quebra de expectativas.

O que vem acontecendo nos EUA é que, devido aos auxílios dados aos americanos para ficarem em casa em virtude da crise do COVID, muitos jovens tem preferido não trabalhar e continuar recebendo auxílio governamental. Por isso, para conseguir contratar as empresas tem tido que aumentar os salários oferecidos, e mesmo assim não tem conseguido prover vagas para expandirem sua produção, o que faz com que todo o país sofra, pois a não-ocupação dessas vagas acarreta em menos produtividade e menos impostos para o governo. Todos perdem.

Os assessores da administração afirmam que o atual salto nos preços também está sendo causado por um aumento na demanda por itens específicos – como carros usados, viagens aéreas e hotéis – que reflete o renascimento da economia americana após a crise da Covid-19, junto com os consumidores vacinados recebendo mais confortável para se mover livremente. Isso é diferente de uma recuperação sustentada da inflação, eles argumentam.

A secretária do Tesouro, Janet Yellen, não está preocupada com a inflação galopante, embora esteja monitorando de perto a situação, de acordo com o que ela disse publicamente e em particular. Mas os funcionários da Casa Branca já começam a demonstrar receio quanto aos resultados da economia. Algumas vozes mais à esquerda, percebendo que o mercado aquecido está pressionando a inflação, tem advogado que um aumento de impostos nos mais ricos seria a medida perfeita para tirar liquidez da economia.

O aumento nos preços – o maior em mais de uma década – e a percepção do público sobre isso podem complicar a defesa dos democratas de suas estreitas maiorias na Câmara e no Senado em 2022. Os republicanos já estão comparando a administração econômica de Biden à era de estagflação sob o presidente Jimmy Carter. O líder da minoria no Senado, Mitch McConnell, argumentou que o projeto de lei de alívio do coronavírus de US $ 1,9 trilhão deixou os EUA “inundados” de dinheiro.

Ao que tudo indica, Joe Biden está investindo numa agenda econômica tão populista que até mesmo economista democratas demonstram preocupação. O perigo não reside apenas numa explosão inflacionária, mas também numa desvalorização gradual do dólar que pode ocasionar com que ele perca pra criptomoedas e outros ativos a função de reserva de valor mundial, além de também correr o risco de perder sua posição de moeda de curso global.

Desse modo, Joe Biden, ao querer salvar a economia injetando trilhões de dólares na economia, terá que em algum momento elevar os juros dos títulos da dívida americana, o que causará um impacto enorme no mundo todo, pois vários fundos que compram títulos de dívida de países pobres, como o Brasil, venderam suas posições em busca de maior rentabilidade, o que acabará fazendo com que o Brasil também tenha que subir seus juros, e com isso nossa economia sofra em decorrência disso. Por causa disso, ainda é cedo pra dizer que as políticas de Biden serão ruins para os EUA, mas já podemos falar que não serão nada boas para o Brasil.

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