Austrália suspende acordo com a China e causa ameaça de conflito


Se existe um país que o Brasil deveria se espelhar, esse país seria a Austrália. Uma vez uma colônia penal para degradados britânicos, a Austrália tornou-se uma economia pujante e aberta, principalmente devido a sua forte agricultura e extrativismo mineral. Desse modo, para um país como o nosso, cada vez mais desindustrializado, observar o exemplo de crescimento australiano pode ser edificante. No entanto, o modelo de desenvolvimento infalível australiano está sendo posto em cheque graças a crise diplomática com a China iniciada nessa última semana.

Após 2 anos de recessão nos anos 80, a Austrália adotou uma decisão de integrar sua economia ao máximo com seus vizinhos asiáticos, deixando de lado a Commonwealth de ex-colônias britânicas. Tal escolha se mostrou bem-sucedida. Foram mais de 30 anos de crescimento ininterrupto e mesmo quando eclodiu a crise da Ásia, em 1997, a economia australiana não se abalou. Contudo, nos últimos anos, a Austrália acabou presa num dilema. O país, que tem boa parte de sua renda vinda do turismo e dos estudantes estrangeiros vindos da China, acabou caindo numa ardilosa armadilha.

Dos 25 milhões de habitantes da Austrália, 1 milhão são turistas, trabalhadores ou estudantes chineses. Os investimentos chineses na região são pujantes e hoje a maior parte das exportações australianas, principalmente de minério, são para a China. Estima-se que a economia australiana já esteja tão dependente da China que, no caso de 5% de recessão chinesa, haveria no mínimo 2,5% de recessão na Austrália. Essa dependência não se externa somente na economia. Em 2017 eclodiu um escândalo quando foi descoberto que políticos australianos eram pagos pela China para atenderem os interesses do País. Essa violação da soberania australiana foi julgada e como resposta, a China ameaçou taxar as exportações australianas, inclusive o Carvão.

Em meio a toda essa celeuma diplomática, a Austrália baniu a Huawei dos leilões para a implantação da tecnologia 5G no país, o que causou enorme insatisfação por parte do Partido Comunista Chinês, que não conformado, escalou as tensões. Nessa quinta, os chineses decidiram suspender parte de sua cooperação no país, em resposta a promessa australiana de revogar um acordo sobre o projeto da “Rotas da Seda” na Austrália. Lançado em 2013, o projeto visa melhorar as ligações comerciais entre a Ásia, Europa, África e outras áreas através da construção de portos, ferrovias, aeroportos ou parques industriais.

Soma-se a tudo isso, além do entrevero quanto a tecnologia 5G, denúncias de espionagem, passando pela questão de Hong Kong que os australianos criticam a China, e pelas supostas origens do coronavírus. A crise chegou ao seu ápice após o primeiro-ministro Scott Morrison pedir uma investigação internacional sobre as origens da epidemia de covid-19.

Dias atrás, o Ministro da Defesa australiano, Peter Dutton, disse que um conflito com a China sobre Taiwan não deveria “ser descartado”, acrescentando que os australianos precisam ser “realistas” sobre as tensões na região. Em outra mensagem, a principal autoridade do poderoso departamento de Assuntos Internos da Austrália, Mike Pezzullo, disse a sua equipe que “nações livres” estavam ouvindo os “tambores da guerra” bater novamente. Vale ressaltar que a Austrália possui um exército infinitamente menor que o chinês e não possui bomba atômica, mas como visto acima, diferente do Brasil, é um país sério e valoroso que não aceita ser ameaçado pela China.

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