Biden assina auxílio de 2 trilhões de dólares e põe o dólar em risco


Nessa semana, o governo americano aprovou um auxílio de 2 trilhões de dólares para tentar tirar o país da crise causada pela COVID-19. Não foram poucos aqueles que se alegraram com a notícia de que a economia americana estaria sendo inundada por uma montanha de cédulas e que as impressoras de dinheiro irão trabalhar em vários turnos a partir de agora. O que poucos repararam é que, por mais que a economia necessite de uma ajuda, esta ação terá consequências inconvenientes que estão sendo desprezadas.

Em teoria, quando você dobra a emissão de moeda numa economia, a inflação aumentaria em 100%, já que você pode imprimir dinheiro mas não bens e serviços. O que ocorre em economias de moeda forte, como a americana é que o país não sente essa correlação. Os EUA pode imprimir dinheiro aos montes e mesmo assim isso não é sentido nos índices de inflação. Por que isso aconteceria? Porque países com moeda forte tem circulação de moeda no mundo inteiro, então podem “exportar” sua inflação, sentindo pouco efeito dela dentro do seu território. No caso do dólar, como existe mais dólares em circulação fora do país e os índices de inflação são medidos dentro dele, só por ai a correlação começa a pecar.

Um outro fator é a confiança na moeda. Moedas com alta confiança tendem a desvalorizar menos. Em tempos difíceis, como os que estamos vivendo, o que mais acontece é que a demanda por dólares dispara em países de moeda fraca, pois estes são vistos como uma reserva de valor confiável dentro de um cenário de incertezas. Por esses e por outros fatores, os EUA está menos vulnerável a inflação que outros países.

O que temos observado desde o início dessa crise é que praticamente todos os países do mundo expandiram a sua emissão de moedas e praticamente não houve inflação. Isso se deu porque o que realmente força os níveis inflacionários é a alta demanda, algo que não acontece hoje, pois vivemos sob uma demanda represada onde as pessoas adiam planos e compras por incerteza sobre o futuro.

É apenas quando o país se encontra em cenário de pleno emprego que a política de juros se faz mais necessário para conter a inflação, pois com todos trabalhando a tendência é que a subida na demanda ocasione uma inflação que pode desregular os planos dos investidores e tomadores de decisão da economia. Tudo o que não estamos é em pleno emprego. Existem milhões de desempregados. Os casos de desemprego estrutural se acumulam e mesmo dando dinheiro para as pessoas, isso não é garantia que elas irão gastá-lo. É apenas aumentando a confiança das pessoas sobre o futuro que elas tenderão a voltar a consumir.

Tendo isso em vista, ao assinar o auxílio econômico de 2 trilhões de dólares, Biden disse que o pior já havia passado. Infelizmente ele estava errado. Segundo o economista Peter Schiff, um dos únicos que previu a crise de 2009, não estaríamos deixando anos sombrios, mas apenas teríamos começado a entrar neles, uma vez que o problema não seria a doença e sim a “cura” que o governo deu a ela, já que não existiria uma vacina para curar o país da pressão inflacionária e a falência do dólar que esse auxílio poderia causar.

Se no governo Trump os EUA reclamavam que a China manipulava sua moeda para desvalorizá-la e ficar mais competitiva quanto às exportações, o governo Biden deveria tomar um cuidado para não competir com a China quanto quem desvaloriza mais sua moeda, pois já existe o plano chinês de substituição do dólar como moeda global e a desvalorização e perda de confiança no dólar é condição senequanon para que esse plano se efetue. Sem ter uma moeda de troca global, os EUA estariam sujeitos às mesmas condições de países que precisam conter crescimento a todo momento para impedir uma subida abrupta da inflação. Sendo assim, caso Biden continue fazendo políticas populistas como essa, não existe outra consequência senão a perda de hegemonia americana no cenário mundial, em definitivo, para os chineses. É melhor ele abrir os olhos, porque os deles, já estão bem abertos.

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