Morre Rush Limbaugh, o maior radialista conservador da história


Nessa última quarta-feira morreu Rush Limbaugh, o maior radialista da história dos EUA e o conservador mais influente das últimas três décadas. É difícil explicar para quem não conheceu quem era “El RushBo”. Sua personalidade era ímpar, seu senso de humor devastador e seu carisma incontestável lhe transformaram na maior voz conservadora dos últimos 30 anos, sempre defendendo valores republicanos, mesmo quando esses não eram populares. Foi um fantasma que assombrou vários presidentes democratas e defendeu até o fim todos os republicanos.

A história de Rush começa quando nasce numa pequena cidade do Missouri numa família de renome cujos patriarcas eram juízes conservadores. Havia muita expectativa que ele também fosse uma pessoa bem sucedida. No entanto, as primeiras 4 décadas da sua vida foram extremamente ingratas. Ele sempre teve dificuldade com os estudos e, quando entrou na faculdade, acabou largando-a para trabalhar num emprego que achava que lhe daria um futuro melhor: o rádio.

A vida de Limbaugh demorou para engrenar, muito. Como não parava em emprego nenhum, viveu boa parte da sua juventude no porão da casa dos pais, como um perdedor. Seu fracasso também era percebido na sua falta de relacionamentos com mulheres. Apesar disso, se por dentro ele era uma pessoa frustrada, por fora, Rush sempre foi um gigante. Rush nunca poupou elogios para si mesmo e sempre se referiu a si mesmo na primeira pessoa. Sua arrogância era tamanha que chegava a ser cômica. Além disso, ele sempre estava certo, não importa qual fosse o assunto.

Demorou mas a estrela de Limbaugh começou a brilhar nos anos 80, durante o governo Reagan. Um belo dia, após ser demitido de mais uma rádio na qual trabalhou, Rush desistiu do Rádio e foi trabalhar num time de baseball do Kansas. Quando tudo parecia perdido, ele recebeu uma última chance numa rádio de Sacramento e acabou virando uma sensação pela sua defesa bem-humorada do estilo de vida conservador. Já havia radialistas conservadores antes dele, mas foi Rush Limbaugh que transformou o rádio numa trincheira republicana, na qual dezenas de milhões de ouvintes paravam para escutá-lo durante as 3 horas de seu programa, onde ele denunciava, caçoava e zombava da hipocrisia da esquerda, das contradições da sociedade moderna e do viés liberal da mídia.

Politicamente incorreto, Rush foi a primeira pessoa a popularizar o termo “feminazi” para se referir às feministas radicais. No início, eram costumeiras suas piadas com aborto e com gays na epidemia de AIDS que varreu os EUA. Piadas essas que ele mesmo parou de fazer por críticas dos seus próprios ouvintes. Por ironia do destino, o homem que ajudou Rush quando ele mais precisou e lhe empregou em Sacramento era justamente um homossexual que mais tarde morreria de AIDS.

Em 1992, Rush defendeu abertamente Pat Buchanan nas primárias republicanas contra o presidente George H. W. Bush. Isso fez com que o pânico fosse instaurada dentro da campanha presidencial de Bush. Rush tinha milhões de ouvintes e poderia definir o destino das primárias. É importante frisar que antes o conservadorismo era visto como algo elitista. Foi justamente Rush que foi o responsável por aproximar as ideias conservadoras do senso comum do cidadão médio americano. Por isso, a partir de certo ponto, tornou-se impossível ignorar sua existência.

Todos os políticos republicanos eram obrigados a se curvar a Limbaugh, tal como um associado se curvava a um chefe da máfia, referência que ele mesmo dava risadas ao utilizar. De igual modo, a mídia começou a taxá-lo injustamente como um radical, racista, machista, homofóbico, transfóbico, etc. Enfim, a mídia o criticava por ele pensar exatamente como as pessoas comuns pensavam e isso apenas fazia com que o elo entre ele e seu público apenas aumentasse. Nesse sentido, Rush abriu caminho para políticos populistas como Trump, que soube explorar bem o eleitorado americano fazendo uso das mesmas táticas de Rush: o humor, a demagogia, o politicamente incorreto e a sinceridade.

Limbaugh foi uma pedra no sapato de Bill Clinton. Mais tarde, defendeu com unhas e dentes o governo Bush e a guerra do Iraque. Quando Obama chegou ao poder, seu programa tornou-se algo delicioso e divertido. Enquanto a mídia incensava Obama como um deus grego, Rush atacava impiedosamente toda e qualquer falha da administração Obama, a qual se referia como “regime”, sem dó. Ele realmente via Obama como um socialista contrário a tudo o que era genuinamente americano. Em 2010, quando surgiu o Tea Party, basicamente o que aconteceu é que apareceu uma ala política dentro do partido republicanos com milhões de americanos que pensavam exatamente como Rush e ele não tardou em se auto congratular sobre isso.

Nem tudo foram flores depois do sucesso. Completamente recluso, sensível a críticas e inseguro, Rush sempre sofreu com a falência dos seus relacionamentos. Ele acabou se viciando em drogas prescritas para dor, o que fez com que se ausentasse do seu programa pela primeira e única vez desde que começara para se tratar. Em outra oportunidade, Rush foi preso tentando voltar do Caribe com viagras quando tentou fazer turismo sexual lá. Como um ser humano, ele nunca foi perfeito. Rush nunca pisava em igrejas. Apesar de ser um ferrenho defensor do estilo de vida religioso, parecia que seus anos de fracasso na juventude minaram sua conexão pessoal com o transcendente.

Na ascensão de Trump, Rush primeiramente não foi muito entusiástico porque preferiu apoiar nas primárias Ted Cruz, mas quando as primárias acabaram Trump se tornou um soldado fiel de Trump, defendendo-o em todas as situações até o último dia de sua vida. A lealdade de Rush nunca foi para com pessoas. El Rushbo, como era conhecido, foi um soldado incansável dos ideais conservadores e do partido republicano.

Em fevereiro de 2020, Rush contou aos seus ouvintes que tinha sido diagnosticado com estágio avançado de câncer de pulmão e que continuaria fazendo seu programa enquanto o ar pudesse passar por sua garganta. E assim fez. Sem se vitimizar, Rush continuou gravando como se nada tivesse acontecendo, e teve o privilégio de se despedir em vida das pessoas que o amavam, de seu público e até mesmo de seus inimigos, muitos dos quais já tinham aprendido a amá-lo.

Talvez a maior benção dada a Rush tenha sido sua doença. Numa vida permeada de fracassos, um radialista “fracassado” que já havia desistido da profissão conseguiu se tornar o maior radialista da história. Seu sucesso sintetiza a América que ele sempre amou e defendeu: o lugar onde qualquer um pode começar do nada e vencer através do esforço próprio. Ele é a prova de que nunca é tarde demais para alcançar o sucesso.

De certa forma, é como se Deus tivesse dado uma última chance para que ele pudesse finalmente fazer as pazes com ele, chance que ele parece ter aproveitado. De nada adiantaria ter alcançado o sucesso aqui na terra sem estar em paz consigo mesmo. Rush cumpriu sua promessa. Lutou até o fim. Mesmo com dor, enquanto houve ar em seus pulmões ele defendeu o que era certo e combateu o que era repugnante. E justamente por isso ele foi tão odiado. Rush foi o pai da mídia alternativa conservadora, que hoje não só é percebida no rádio, mas na TV, jornais e na internet. Agora o mundo se tornará um lugar mais sem graça sem suas piadas.

Comente com polidez!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s