Uma guerra civil se aproxima do Trumpismo


Enquanto os últimos de dias de 2020 se aproximam, o partido republicano recolhe os cacos e estilhaços deixados pelo resultado das eleições presidenciais desse ano. Uma eleição que tinha tudo para ser ganha, graças ao COVID, acabou deixando um gosto amargo na boca de muitos. Ao mesmo tempo que alguns ainda estão em negação e ainda preferem acreditar em alguma saída miraculosa, como um golpe de Estado para manter Trump no poder, a maioria dos republicanos pode não admitir, mas já sabe que Biden será o próximo presidente. Dada essa realidade, resta ao partido tentar entender o que de fato aconteceu em 2020.

O que todos sabem é que o partido republicano obteve uma votação histórica, e mesmo perdendo na eleição presidencial, teve vitórias surpreendentes na Câmara e Senado, excedendo expectativas ao diminuir a vantagem democrata nas duas Casas. A pergunta que fica é: como pode um partido ir tão bem na eleição da Câmara e perder na eleição presidencial? Para responder essa pergunta há duas respostas diferentes, cada uma encaixada com uma narrativa conveniente para uma ala do partido republicano.

Para os trumpistas, essa diferença se deu porque houve fraude. Ponto final. O furo dessa resposta é que não faz muito sentido os democratas fraudarem as eleições presidenciais e não fraudarem as eleições da Câmara. Essa “fraude seletiva” parece difícil de racionalizar, mas muitos trumpistas defendem essa tese firmemente. Já para a ala não-trumpista do partido, fica óbvio que Trump trouxe um viés negativo para o partido, uma vez que a própria pesquisa de boca de urna divulgada pela nada suspeita FOX NEWS apontou que 8% dos republicanos votaram em Biden. Tomando essa pesquisa como verdadeira, e observando o fato de Trump ter tido menos votos em vários condados que os candidatos republicanos à Câmara, muitos analistas concluem que Trump seria tóxico para o partido. Ele de fato energizaria as bases do partido e faria republicanos saírem de casa, porém sua retórica faria com que mais gente saísse de casa contra ele. E mais, existem evidências que uma parcela pequena mas real de republicanos não vê com bons olhos o caminho para o qual Trump está levando o partido.

Seguindo essa lógica, as eleições de janeiro para o Senado da Geórgia serão determinantes. O partido republicano é favorito para a disputa, porém as fraturas internas no partido e toda a narrativa sobre fraude eleitoral podem prejudicar os republicanos. E se o partido conseguir perder, haverá um jogo para empurrar a culpa para Trump ou para os republicanos não-alinhados com ele. Esse entrave tende a se estender até as primárias das eleições de 2022, quando Trump irá apontar seus candidatos. O desempenho desses candidatos nas primárias e depois nas eleições gerais será fundamental para medirmos a viabilidade eleitoral do Trumpismo no partido republicano. Caso Trump consigar apoiar nomes fortes, que vençam eleições, sua marca ficará fixa ao partido nos próximos anos. Agora, na eventualidade dele não conseguir fazer isso, seu maior legado para o partido republicanos pode ser uma hegemonia eleitoral democrata.

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