Bolsonaro e a presidência da Câmara


Não se pode ter tudo na vida. Essa é uma lição que eu aprendi ainda pequeno. Quando se vai ao supremercado, ou se tem o dinheiro, ou se tem o produto. Não dá pra ficar com os dois. Isso pode parecer óbvio, no entanto, ainda há muitos conservadores que não têm a maturidade para entender isso.

Hoje a popularidade de Bolsonaro é altíssima, fruto do auxílio emergencial. Contudo, assim que tal auxílio acabar o governo se deparará com um abismo difícil de bater de frente. Boa parte da classe média que elegeu Bolsonaro hoje se encontra descontente devido a situação econômica de recessão somada a inflação. Se Bolsonaro perdeu popularidade na classe média, encontrou nos grotões um novo fôlego através da velha receita do assistencialismo estatal, assim ganhando muitos mais pobres do que os ricos lavajatistas que vem perdendo desde o início de seu governo. Por isso, manter o auxílio emergencial, para o governo é questão de sobrevivência.

Além disso, o país está numa situação periclitante e reformas se fazem necessárias. O mercado demanda que haja pelo menos uma reforma administrativa e tributária. E infelizmente nada disso sairá do papel sem a ajuda do nosso tão inglório Congresso Nacional. Diferente do que muitos acreditam, a maioria dos nossos congressistas não são patriotas e não votarão nada “pelo bem do Brasil”. Sendo assim, é preciso que as pessoas aprendam a serem adultas e visualizem que a gravidade da situação não gera espaço para purismos ideológicos.

É dentro desse cenário que existe um debate bem no núcleo do Bolsonarismo. Alguns, os mais realistas, sabem que o governo precisa fazer o presidente da Câmara não importa o que aconteça, não medindo esforços e até negociando ministérios, do contrário, além de perder a oportunidade de fazer as reformas necessárias, o próximo presidente da Câmara pode pautar o impeachment do Bolsonaro. Já outros, os mais imbecis, acreditam que Bolsonaro não pode “se corromper” e negociar com o Centrão, pois assim ele estaria “traindo” seus eleitores. Esses idiotas parecem não ligar para o fato de que Bolsonaro precisa do Centrão para avançar sua agenda, e caso não tenha o grupo do seu lado, será Rodrigo Maia e a esquerda que irão agradecer.

Tudo que os inimigos do Bolsonarismo querem é que ele não se aproxime do Centrão e não consiga eleger um presidente da Câmara, pois assim, com ele nas cordas, eles poderão chantagear o governo e diminuírem as forças do executivo.

Portanto, já é mais do que hora do Bolsonarismo amadurecer. Um movimento que cresceu de forma radical em oposição a um governo corrupto de esquerda naturalmente teria suas franjas mais intransigentes. Entretanto, a gravidade da situação do país e do governo impõe que os conservadores tenham uma maturidade de saber que o purismo hoje pode não só custar muito caro, mas resultar numa volta da esquerda e numa mácula sob o conservadorismo que pode demorar décadas para voltar ao poder. Ou não voltar nunca mais.

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