Trumpismo é réu na eleição da Geórgia


Donald Trump não vive os seus melhores dias. Derrotado nas urnas, coube ao atual presidente americano a missão hercúlea de tentar, não medindo esforços, permanecer no seu cargo por mais 4 anos. Apesar de todos os processos e apelações à Suprema Corte, Trump sabe que tem pouca chance de conseguir reverter o resultado a tempo. Por isso, já agendou para o dia 20 de janeiro um encontro no seu resort em Mar A Lago, na Flórida, de onde, tudo indica, irá se autodeclarar o verdadeiro vencedor da eleição de 2020 e já lançar seu nome para as eleições presidenciais de 2024.

Se Trump já agendou estar no dia da posse em outro lugar diferente de Washington, isso significa duas coisas. Uma, ele sabe que não será empossado. Dois, pela primeira vez em décadas será quebrada uma tradição na qual um presidente passa o poder para o outro. Esse simbolismo, somado a avalanche de processos que lotam hoje a Suprema Corte Americana tendem a dificultar ao máximo a vida de Joe Biden, negando a ele a sua legitimidade perante uma parcela relevante da população que reconhecerá em Trump o seu eterno presidente.

Se nas chances de permanecer no poder Trump não parece estar em vantagem, quando o assunto é se manter relevante do debate político o Trumpismo parece ter um futuro bem maior que Trump no partido republicano. Hoje o partido é praticamente o fruto da mentalidade de Trump, e, com ou sem ele, as pautas atuais e as narrativas por ele empregadas tendem a se tornar dominantes. Prova disso é que uma parte relevante dos americanos, 30%, não acreditam que Trump deva conceder a eleição, não importa o que aconteça. Para uma parcela do eleitorado republicano, a eleição foi completamente fraudulenta e a própria instituição da democracia saiu maculada.

O grande problema de Trump investir tanto na narrativa da fraude é o seguinte: por que eu sairei de casa pra votar numa eleição se eu sei que tem fraude? Se meu voto “não contou” da última vez, porque irá contar no futuro? O que irá mudar nas próximas eleições para que elas não tenham as “fraudes” que houveram nessa? Levanto essas indagações porque existe um risco real de que a insistência em reverter o resultado de uma eleição que não será revertida acabe por fazer com que o próprio partido republicano esteja minando a fé dos seus próprios eleitores no processo eleitoral, o que pode acarretar derrotas nas próximas eleições.

Já há um movimento vocal de republicanos no Estado da Geórgia que promete boicotar as eleições para o Senado de lá que ocorrerão janeiro caso as autoridades republicanas do Estado permitam que os votos do Estado vão para Biden. Esse é um movimento problemático que evidencia o jogo arriscado no qual os republicanos estão aderindo. Ao mergulharem de cabeça nas narrativas trumpistas o partido pode irracionalmente acabar caminhando para uma direção proveitosa para Trump, que será a pessoa mais influente do partido, mas não para o próprio partido. De qualquer forma, as eleições de janeiro para o senado da Geórgia serão um ótimo termômetro sobre a viabilidade eleitoral do trumpismo. Caso os republicanos percam essas duas cadeiras ao senado que naturalmente não seriam perdidas isso é um sinal de que o trumpismo pode ser mais tóxico do que se imagina. Dessa forma, enquanto a Suprema Corte julga se Trump tem chance de se manter no cargo, é o povo da Geórgia que julgará se o trumpismo permanecerá hegemônico no partido republicano.

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