A iminente ditadura das Big Techs


O povo brasileiro sofre de um mal difícil de sanar. Somos um povinho de fato ignorante, imediatista e, principalmente, dinheirista. Quase sempre o brasileiro prefere não olhar para problemas simplesmente porque sua vida já é complicada o suficiente pra ele ficar ligando para o que – na cabeça dele – não importa. Por isso, quase sempre só nos atentamos a um problema quando já é tarde demais. Bem, infelizmente existe um problema morando bem debaixo do nosso nariz. E não é um probleminha. É bem grande. São as Big Techs.

Enquanto boa parte da direita luta de forma ideológica para a diminuição do “bicho papão” Estado, eles ignoram o fato de que, no mundo, não existe vácuo de poder. Assim como no Renascimento os Estados Nacionais ocuparam o vácuo de poder deixado pela Igreja, agora estamos vendo um fenômeno bastante parecido. No séc. XIX vimos as grandes corporações colonizarem os interesses dos Estados Nacionais, assumindo de fato o poder quando o assunto era não só políticas econômicas, mas também foram capazes inclusive de influenciar ações militares.

Pois bem, agora, no séc. XXI, na era da informação, um tipo específico de empresa está colocando as asinhas para fora para moldar de forma completamente ditatorial o modo de vida do cidadão comum. Trata-se das big techs, as grandes empresas de tecnologia. Responsáveis por atuar num ramo extremamente estratégico, as big techs controlam o debate público, impulsionam e censuram narrativas, normalizam comportamentos, assim também influenciando o debate público, a cultura e até eleições. Seria natural que um setor tão estratégico e monopolizado fosse regulado. No entanto, muitos direitistas ideológicos, vendo apenas no governo o vilão de todos os vilões, esquecem-se que confiar poderes desproporcionais em poucas empresas privadas pode nos levar ao mesmo futuro da Detroit do filme ROBOCOP.

É possível odiar um governo ruim. No entanto, numa democracia, caso você não goste do governo você pode votar para derrubá-lo, pode ir pra rua em protesto contra ele e pode até agir judicialmente para impedir algumas de suas ações. Já quando o assunto são empresas, como big techs, o cidadão comum se vê de mãos atadas quando recebe uma mordaça dessas empresas que censuram o discurso conservador nas redes enquanto o governo, que poderia agir, fica de braços cruzados. É notório que, se no passado o setor bancário cresceu em influência a ponto do Estado se ver na obrigação de intervir nessa atividade, já passou da hora de demandarmos que hajam critérios justos para que o debate nas redes não sejam editorializados pelos caprichos de censores esquerdistas.

Muitos conservadores pró-livre mercado, extremamente pouco inteligentes, ao ver esse problema, dão uma solução mais que imbecil: simplesmente abandonar essas redes sociais “esquerdistas” como instagram, facebook e twitter, e migrar para plataformas conservadoras, como Gab e Parler. O que essas antas parecem não enxergar é que fazendo isso eles entregam de bandeja para a esquerda plataformas fortíssimas de alcance enorme para confinar o discurso conservador numa bolha que ninguém vê.

Enquanto que no twitter há todo tipo de pessoa, politizada ou não, direitista ou não, que falam sobre todos os assuntos e muitos dos quais estão abertos a mudar de opinião, num app como Gab só há direitistas que falam de apenas política e pregam para convertidos. É por isso que sair do Facebook é uma imbecilidade. Os conservadores, ingratos com a editoria e censura podem ir para outra rede social, mas a mãe deles vai continuar no facebook, e entre uma foto ou notícias na sua timeline, irá uma hora encontrar um conteúdo político que acabará a influenciando. E esse conteúdo, caso os conservadores saiam de lá, certamente será de esquerda.

Portanto, é hora dos conservadores adotarem uma postura pragmática. Fazer tal como os americanos estão fazendo, chamando o CEO do facebook e twitter para dar explicações, poderia ser o início. Mas o ideal seria criar uma legislação específica para esse setor, deixando-o submetido a regras claras de transparência acerca de suas decisões de editorialização e censura, e se possível, aplicando-lhes multas vultuosas caso continuem com essa patifaria que está acontecendo. Eu sei. Isso pode parecer duro demais, e até coisa de esquerdista, usar o estado para ir atrás de uma empresa. Contudo, caso isso não seja feito agora, talvez em alguns anos nenhum estado seja capaz de conter as big techs, pois todos os seus governantes estarão submetidos a elas.

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