Avaliação Final da eleição americana


Primeiramente, gostaria de deixar bem claro que minha avaliação se baseia em 3 variáveis: 1- pesquisas que julgo estarem beneficiando Biden. 2- Modelos estatísticos que já acertaram eleições passadas e que são mensurados por dados econômicos. 3- As estatísticas de voto antecipado nos estados segregado por quem já sabemos que já votou por região e filiação partidária.

Sendo assim a pergunta que me fazem é: É possível que Donald Trump vença? Sim. Os números hoje apontam para isso? Infelizmente não. Os números podem estar errados? Sim.

Ao examinarmos o cenário político um dia antes da eleição, vemos uma corrida que tem sido estável. Mesmo antes de ser o candidato democrata, Joe Biden parecia ser candidato mais perigoso para Donald Trump. Mesmo no ano passado, antes da COVID, já havia pesquisas dele vencendo-o e empatado com ele no Texas. De todos os democratas, Biden era o que ia melhor contra Trump nas pesquisas. Talvez isso diga mais sobre o campo democrata do que o próprio Biden. Biden é fraco, senil, pouco atraente e nada inspirador, no entanto, o ex-vice-presidente conseguiu reunir as facções beligerantes do Partido Democrata – pelo menos por agora – e manteve o foco da eleição no presidente em exercício. Ele teve sucesso em conseguir fazer a eleição desse ano se tornar um referendo sobre Trump. E, como vimos, a pandemia tirou de Trump sua principal vantagem, que era o otimismo dos americanos quanto ao futuro, o que diminui as chances de sua reeleição.

Mesmo assim, é inegável que o presidente tenha crescido nos últimos dias. Apesar que esse crescimento não parece tão grande quanto o que ele teve nos últimos dias de 2016. É provável que o presidente tenha sofrido uma perda de popularidade após o primeiro debate e sua hospitalização para COVID-19. Talvez por isso seus números voltam ao que eram antes desses eventos.

A verdade é que hoje existe um consenso em todas as pesquisas nacionais, inclusive nas internas de ambos os candidatos, que o voto popular deve ser vencido por Biden, salvo uma surpresa no dia da eleição. As pesquisas divulgadas nesse final de semana forneceram algumas boas notícias para Trump, particularmente uma pesquisa surpreendentemente mostranhdo ele a frente, 48% -41% em Iowa. Uma pesquisa semelhante divulgada há quatro anos provou ser um prenúncio da fraqueza de Hillary Clinton com os eleitores brancos em pequenas cidades e áreas rurais do meio-oeste.

No entanto, houve muitas outras pesquisas respeitáveis no fim de semana de outras pesquisas que contaram uma história diferente. Uma história que tem sido consistente ao longo da campanha – Biden está melhor com os brancos em comparação com o desempenho de Clinton em 2016, e ele construiu vantagens nos importantes estados de Michigan e Wisconsin, e uma margem menor, mas aparentemente real, na Pensilvânia. Na Pensilvânia, estado que Trump precisa, os democratas hoje teriam 1 milhão de votos de vantagem contra os republicanos no voto antecipado. Uma vantagem tão grande que apenas uma surpreendente onda conservadora no dia da eleição poderia superar. Por isso, salva uma surpresa, a Pensilvânia, estado onde nasceu Joe Biden, deve se manter na coluna democrata.

O que observamos nesse último dia é que institutos como Rasmussen e Trafalgar dão números favoráveis a Trump, contra os resultados de todos os outros institutos de pesquisa que apontam margens altas de vantagem a Biden. Inclusive na pesquisa Trafalgar Trump estaria na frente em todos os estados do Rust Belt. Seria possível que a Trafalgar esteja certa e as outras erradas? Certo. Há uma preocupação de que os pesquisadores simplesmente tenham subestimado ou superestimado o voto branco, pois foi exatamente isso que causou os erros nas pesquisas de 2016. Nesse cenário da Trafalgar, a força de Trump entre os eleitores brancos não teria diminuído desde 2016 e uma onda de eleitores Trump recém-registrados (negros e latinos) sairia do buraco na terça-feira para salvar o presidente. Isso pode ser real e o produto de um plano cuidadosamente elaborado para ser uma ilusão.

É óbvio que poderíamos descreditar todas as pesquisas. Mas então com o que nos basearíamos para avaliar a eleição? Histórias e evidências anedóticas. As pesquisas e os modelos, por mais errôneos e enviesados que sejam, ainda são as melhores pistas que temos. E sim. Pode ser sim que haja um fenômeno conhecido como voto escondido, no entanto, não é possível mensurarmos até que ponto isso é relevante o suficiente para interferir no resultado das eleição. Também poderíamos crer que as pesquisas desse ano estão tão erradas quanto as do ano de 2012, onde elas não perceberam o poder de Trump no voto branco não-escolarizado. Ainda que os institutos tenham mudado suas projeções e estimativas de composição eleitoral para evitarem cair nesse erro esse ano, mesmo que esse ano haja o mesmo erro que houve em 2016, a vantagem dos números para Biden hoje são tão confortáveis que mesmo com decréscimos em vários estados ele ainda chegaria aos 270 votos eleitorais necessários para ser eleito.


Durante grande parte de outubro, Joe Biden liderou em estados somando pelo menos 290 votos eleitorais. Isso inclui todos os estados que votaram em Hillary Clinton (232 votos eleitorais), além do Arizona, Michigan, Pensilvânia e Wisconsin conquistados por Trump, além do voto eleitoral único no 2º Distrito Congressional de Nebraska. Em relação a Pensylvania, onde Biden é favorito para ter uma vitória apertada, casoe Trump ganhasse o estado, suspeitamos que seria por causa de margens ainda maiores nas áreas rurais brancas e nas pequenas cidades do estado, combinadas com uma margem democrata mais fraca do que o esperado na Filadélfia. (Existem algumas projeções de Trump ganhando 20% ou 30% dos votos negros. Apesar disso parecer irreal, ele tende a se sair um pouco melhor do que 2016 entre os eleitores não brancos no total.)

Observe, porém, que se Biden conseguir vencer os estados de Clinton mais Arizona, Michigan, NE-2 e Wisconsin, ele poderá perder a Pensilvânia. Mas essa seria uma eleição dolorosamente difícil.

Se Biden obtiver esses 290 votos eleitorais, e apenas esses, ele já estaria bem para vencer, mas sua vitória pode estar em dúvida amanhã à noite. Isso porque a contagem de votos em alguns desses estados – mais notavelmente na Pensilvânia – pode demorar um pouco para ser concluída. Nesse caso, existe o risco, já verbalizado por Trump, que ele recorra ao Supremo, onde possui maioria, para paralisar a contagem de votos em estados que terminou na frente no dia da eleição. Estados como Winsconsin, Pensylvania e Michigan tendem a ser extremamente contestados na justiça. Por isso, para vencer no dia da eleição Biden precisa chegar a 270 sem eles. Para tanto, bastaria ele vencer na Flórida, estado onde Trump é favorito para vencer.

Por isso, caso Flórida, Geórgia, Carolina do Norte, Ohio ou Texas sejam vencidos por Biden, teremos uma noção de que ele chegará aos 270 mesmo se Trump judicializar a contagem em outros estados.

A julgar pela Flórida, os republicanos liquidaram a vantagem dos democratas no voto antecipado. É óbvio. É possível que Biden tenha vantagem no voto independente, mas salvo essa hipótese, Trump caminha para ultrapassá-lo na Terça. Enquanto homens negros e latinos estão favorecendo Trump em maior medida esse ano, idosos e mulheres escolarizadas estão caminhando para Biden. Como a Flórida é um estado em que as pesquisas tem subestimado os republicanos nos últimos anos, apontamos esse estado como tendo Trump como favorito.

Em Ohio, embora esperemos que sua margem seja muito reduzida em relação à grande vitória de 2016, ainda cremos que Trump seja favorito. Uma margem alta no estado pode significar uma vitória em outros estados vizinhos com demografia parecida, como Michigan, Pensylvania e Winsconsin. Já em Iowa, apesar das pesquisas apontarem uma subida de Trump, os números do voto antecipado são animadores para Biden, o que faz de Trump favorito no estado, mas não o impede de ter uma surpresa.

Em relação ao Texas, os ganhos de Biden entre brancos escolarizados moradores de subúrbios tende a ser anulado pelos avanços de Trump no eleitorado latino. Além disso, os números do voto antecipado no estado parecem ser muito animadores para Trump. O suficiente para colocá-lo como favorito total no estado.

Infelizmente, existe muito perigo de Biden vencer na Geórgia e Carolina do Norte. Nenhum dos dois lugares é uma certeza para os democratas, mas temo, avaliando os números do voto antecipado, que pelo menos um dos estados acabe cedendo para os democratas devido ao possível ganho de Biden no eleitorado urbano branco somado a um possível maior comparecimento do eleitorado negro.

Já no Arizona, dois fatores embolam muito qualquer projeção. O crescimento dos democratas nos subúrbios de Phoenix, maior cidade e bastião republicano do estado e o crescimento de Trump entre homens latinos. É possível que o eleitorado hispânico do Arizona, mais de origem mexicana e menos diverso que o da Flórida, composto por cubanos, porto-riquenhos e sulamericanos, ofereça menos vantagem para Trump. Por isso, caso Phoenix caia nas mãos dos democratas é quase certo que Trump será derrotado. Os números ainda estão confusos e até a larga vantagem do candidato democrata na eleição do senado pode ser um fator que prejudique as chances de Trump no Estado.

Concluindo, olhando para as pesquisas, as mesmas que erraram em 2016, e que ninguém é obrigado a ver com bons olhos, Biden é favorito para vencer no voto popular e possui muito mais chances para chegar em 270 que Trump. Olhando para os números, a única torcida que tenho é que eles estejam errados, pois, do contrário, uma derrota de Trump, além de humilhante, poderia remodelar a política americana por gerações, levando de volta ao partido republicano a mesma casta de políticos que Trump conseguiu expulsar com sua vitória em 2016. Por mais que as pesquisas mostrem que hoje Biden é o favorito, torcemos para que Trump consiga aquilo que conseguiu em 2016: uma surpresa. Hoje oramos para que Deus nos brinde com mais um milagre. E sabemos que talvez não sejamos tão merecedores mas que se houver uma surpresa na Terça, saberemos quem foi que interviu em nosso favor.

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