Trump sai vitorioso de um debate feito para destruí-lo


Na noite de 29 de setembro de 2020 Donald Trump tinha um encontro marcado com seu oponente, Joe Biden. Assim como manda a tradição que já dura 60 anos, Trump sabia que o presidente teria que prestar contas sobre seu mandato e convencer milhões de americanos que sua visão para o país era a melhor. O que Trump provavelmente não sabia é que seu principal oponente no debate não seria seu debatedor, e sim o moderador, Chris Wallace, da Fox News, conhecido por ser razoavelmente “justo”, acabou por ser incrivelmente e surpreendentemente agressivo e desproporcional contra o presidente.

E se formos falar sobre Biden, creio que houve uma grande oportunidade perdida para o demoniocrata. Sua aparência decrépita e sua voz combalida não foram o suficiente para afastar a percepção de que sua saúde física e mental o inviabilizariam para o cargo mais importante da Terra. Ele demonstou muita fraqueza, fragilidade, cinismo e arrogância. Tática não muito diferente da utilizada por Hilary Clinton em 2016. Hilary, assim como Biden, também foi considerada a “vencedora” de todos os debates, mas saiu de todos eles com intenção de voto inferior. Por quê? Por que a audiência dos debates não reproduz a composição fiel do eleitorado. Ter 60% da audiência apontando uma “vitória” democrata não quer dizer muita coisa quando a audiência da CNN é majoritariamente esquerdista. O que importa mesmo é como se comportariam os indecisos. E nesse ponto Trump fez o que deveria ser feito.

Uma pesquisa feita apenas entre latinos pela rede de TV Telemundo apontou que 66% do eleitorado latino preferiu Trump. Avançar tanto sobre um eleitorado tão crucial em swing states (Flórida, Arizona) é algo que Trump deveria comemorar. A realidade é que Trump não foi a um debate ontem. Ele caminhou com suas próprias pernas para uma armadilha onde todos ali tinham a intenção de destruí-lo, e mesmo assim ele teve a capacidade de desbaratar muitas das artimanhas feitas contra ele, além de conseguir expor o radicalismo do seu oponente.

Todos, todos, absolutamente todos os assuntos inseridos no debate eram desvantajosos para o presidente. Saúde Pública, Suprema Corte, COVID, confrontos raciais, tudo foi colocado sob o prisma negativo, na tentativa de colocar Trump na defensiva. No entanto, Trump foi incrivelmente astuto ao inviabilizar o debate feito para acabar com ele. O republicano foi agressivo, interrompeu o morno e gago Biden, não permitindo que ele saísse de lá com uma frase inteira para usar na sua campanha. O problema é que quase a todo momento Trump era interpelado pelo moderador, que parecia afim de falar mais que os candidatos. Em suma, dado todo o conteúdo e temas ali debatidos, é extremamente positivo que Trump tenha se esquivado de assuntos tão incômodos ileso.

Apesar de tudo, esse debate indica o quão sujos devem ser os próximos 40 dias de campanha. Trump sabe que não está numa luta justa. Contra ele está não só o partido democrata, mas também toda a imprensa, a mídia, e também boa parte do mercado financeiro. A favor dele? Apenas o povo americano. Gostaria de dizer que isso será suficiente para dar-lhe a vitória, porém numa eleição com 60 milhões de cédulas que serão enviadas pelo correio e o risco notório de fraude, é bem possível que contar com a vontade popular possa não ser suficiente dessa vez.

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