As pesquisas eleitorais americanas são confiáveis?


Todos os brasileiros já estão a muito tempo vacinados em relação a confiabilidade dos nossos institutos de pesquisas. Muitos ainda lembramos das pesquisas Datafolha, que antes da facada que Bolsonaro recebeu, mostravam Marina Silva à frente dele. Era algo flagrantemente montado para inflar uma candidatura fracassada ao mesmo tempo em que servia para desviar o foco do crescimento do Bolsonarismo. Lembro-me de ter perguntado a mim mesmo naquela época: “Como pode Marina Silva ter 10% de intenção de votos se não conheço absolutamente um ser humano sequer que esteja disposto a votar nela? Aonde estariam essas 10% de pessoas? Aonde elas estariam escondidas? Por que elas estariam sumidas para mim mas sempre apareciam toda vez que surgia uma nova pesquisa eleitoral?”

Em 2018, as mesmas pesquisas que mostravam Bolsonaro com um “teto” de 30% dos votos foram obrigadas a, na última semana, elevar sua intenção de voto para 45%. Bolsonaro terminou o primeiro turno com 46% dos votos. Ora, isso significaria que as pesquisas acertaram e são confiáveis, correto? Errado. Qualquer olhar mais atento poderia perceber a malícia e as más intenções dos institutos de pesquisa, que tentaram diminuir o fenômeno Bolsonaro até onde foi possível e apenas lhe ofereceram seus números devidos quando a eleição já se aproximava do fim. Esse processo de institutos de pesquisa, de boicotarem um candidato durante toda a campanha e apenas corrigirem seus números para se adaptarem com as urnas é chamado de ATERRISSAGEM FORÇADA.

Tal coisa não está restrita apenas ao maucaratismo dos institutos de pesquisa brasileiros. Em 2016, Hilary Clinton liderou Donald Trump nas pesquisas por grandes margens durante toda a eleição, apesar de todo ânimo nos comícios republicanos apontarem uma realidade totalmente inversa a das pesquisas. Na última semana da eleição, a “vantagem” de 6 pontos de Hilary caiu para 3 e “surpreendentemente” ela obteve apenas 2 pontos de vitória no dia da eleição no voto popular, perdendo no colégio eleitoral. Outra vez, os institutos foram obrigados a fazer uma aterrissagem forçada para não perderem o que havia sobrado das suas credibilidades.

Mas esse não é o único truque que está na manga dos institutos de pesquisa. A malandragem dos estatísticos é algo que deveria ser apreciado tal como uma escultura num museu, tamanha a desfaçatez deles. Primeiramente, é preciso entender que a pesquisa é um produto. Ela é encomendada por alguém, e esse alguém geralmente possui certos interesses. Por isso é sempre importante averiguar quem está pagando pela pesquisa. Nos EUA, sabemos de antemão que a maioria dos canais que convocam as pesquisas têm um notório e descarado viés à esquerda. Isso explicaria porque, de forma bastante conveniente, as pesquisas encomendadas por eles geralmente mostram os democratas à frente. Mas a pergunta que fica é: “como eles conseguem transformar um bolo de informações num bolo de mentiras sem quebrar nenhum ovo?”

Como o voto nos EUA é facultativo, os institutos não sabem quantas pessoas votarão e nem qual é o seu perfil. Daí muitas vezes, por conveniência, usam o modelo de voto das últimas eleições para estimar como se comportará as próximas. O que poderia dar errado nisso, não é mesmo? É evidente que o eleitorado jamais se comportará da mesma forma que em eleições anteriores. Isso por si só já dificulta qualquer previsão. Então, institutos vinculados à esquerda, quando fazem pesquisas, entrevistam mais esquerdistas, que irão declarar maior intenção de voto em esquerdista, e como resultado, esquerdista aparecerão na frente nas pesquisas. E pronto, é assim que a mágica acontece.

Pois bem. Esse ano, muitos conservadores andam alarmados com os números apontando um futuro sangrento para Trump nas eleições de novembro. E isso vem acontecendo desde antes do COVID. Trump, até mesmo com uma economia pujante, já aparecia atrás nas pesquisas. A pergunta que se faz é: Será mesmo? Isso faz algum sentido?

Então façamos o seguinte experimento. Vamos avaliar a composição da amostra das pesquisas desse ano e comparar com a composição das últimas eleições americanas. Em 1992, a composição eleitoral dos EUA foi: 38% democrata, 35% republicano, 27% independente. Em 1996; 40% democrata, 35% repuplicano. Em 2000; 39% demos, 35% republicano. Em 2004; 37% para ambos. Em 2008; 39% demos, 32% republicano. Em 2012; 36% demos, 32% republicano. Finalmente, em 2016, 37% dos eleitores foram democratas contra 33% republicanos.

Reparamos que, em média, há 4% a mais de democratas em cada eleição, o que faz sentido, já que há mais registrados democratas que republicanos nos EUA. Esse é um dos motivos pelos quais o único ano em que os republicanos venceram no voto popular -em 2004- foi exatamente o ano em que eles zeraram essa diferença. Agora, percebam. Nem todos os eleitores são democratas ou republicanos. Existem os chamados eleitores independentes, que não são filiados a nenhum partido, mas votam, e sempre ficam entre 22% a 30% do eleitorado. Agora, sabendo disso, por que tantas pesquisas americanas colocam na sua amostra apenas 5% de independentes? Será que é pra beneficiar os democratas?

Agora, ao analisarmos uma pesquisa da Reuter IPSOS, que apontou 10 pontos atrás, nela só há 10% de amostra de independentes, que historicamente e “por coincidência”, votam mais nos republicanos. Abram todas as pesquisas e vejam esse fenômeno se repetir. Se vocês ponderarem as pesquisas errôneas quanto as amostras, a média do Real Clear Politics, que hoje está 6,9 pró-Biden cai pra baixo da margem de erro de 3 pontos. Além do mais, caso haja o mesmo voto escondido que houve em 2016, não será surpresa se Trump estiver na frente.

Portanto, da próxima vez que alguém te dizer, com uma fé religiosa, que os números apontam que Trump já perdeu, lembre-se que boa parte desse “já perdeu” não tem amparo algum na realidade, e é apenas um engodo dos mais pilantras, com o intuito de criar uma percepção que não tem fonte nas ciência dos números, e sim de algo que eles tiraram do fundo das suas respectivas bundas. Em relação às pesquisas, o que devemos ter em mente é que elas são apenas um retrato, muitas vezes enviesado, do momento e que a única pesquisa que realmente importa é aquela que é feita nas urnas, no dia da eleição.

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