Quem vencerá as eleições de 2020?


Olá amigos!

Hoje tentarei analisar quem deve ser o vencedor da eleição americana.

1- Economia

A economia americana estava voando até o início do ano. No entanto, por incrível que pareça, mesmo antes da COVID-19 aparecer Trump já perdia para Biden nas pesquisas. Anos atrás, quando ainda avaliava as chances de reeleição de Trump, fiquei surpreendido como ele tinha uma popularidade tão baixa com uma economia tão boa.

Só para comparar, presidentes que governaram em tempos de bonança, como Reagan e Bill Clinton, não tiveram problemas para se reelegerem com facilidade. Provavelmente, o fato de Trump ser tão malvisto pela mídia e ser tão divisivo faz com que boa parte dos eleitores que se beneficiaram por suas medidas não o aprovem unicamente por causa de sua retórica politicamente incorreta. A prova disso é que nas eleições midterm de 2018 Trump perdeu importantes cadeiras na câmara justamente por não cativar o eleitorado branco suburbano, provavelmente mais sensível às suas falas.

A economia era o principal ponto forte de Trump. Mas no momento da eleição a economia ainda estará na pior, com milhões de desempregados e com baixa confiança da economia. Por isso, por mais que haja uma pujante recuperação até novembro, creio que esse seja um viés neutro para a eleição.

OBS: o modelo da Universidade de Oxford, que previu 26 dos últimos presidentes, e mensura apenas a confiança da economia, aponta uma derrota de Trump. Evidentemente a economia não é o único fator que define uma eleição (Obama venceu em 2012 apesar da economia). Contudo, se formos avaliar apenas o resultado econômico, Trump tende a perder. Por isso ele precisa de uma outra pauta para ganhar terreno sobre Biden.

2- COVID-19

Os EUA hoje é o país com maior número de mortos COM COVID. Isso é um problema, uma vez que a população mais velha é a mais conservadora e a mais propensa a ter que ficar reclusa para não ser infectada. Isso pode acarretar um menor comparecimento às urnas de uma demografia favorável a Trump. Outro problema é que, em estados como a Flórida, onde moram milhões de aposentados, a COVID pode ser crucial para o resultado da eleição.

Enquanto escrevo, a maioria dos americanos reprova a atuação de Trump em relação ao Covid. Não obstante, a preocupação com o tema é cada vez menor e a única coisa que pode ser ainda pior seria se os estados tivessem que fazer uma outra quarentena próxima a data da eleição, piorando ainda mais a economia e expectativas dos eleitores. Apesar disso, creio que a maioria dos americanos queira voltar ao normal e esteja disposta a adotar as máscaras e políticas de distanciamento social.

Em relação às máscaras, Biden quer uma lei que obrigue os americanos a usá-las enquanto Trump não parece ser muito afeito a elas. Isso pode ser um ponto interessante para os debates.

3- BLACK LIVES MATTER

Os protestos iniciados após as mortes de George Floyd e Jacob Blake tomaram algumas cidades americanas, onde marginais do Black Lives Matter e milicianos pró-Trump estão se matando no atual momento. Os protestos no início foram muito positivos para os democratas, mas com o aumento do vandalismo essa boa vontade desapareceu. Tanto é que os próprios âncoras da CNN, que torcem para uma derrota de Trump, hoje pedem o fim dos protestos violentos.

Trump faz um movimento arriscado ao lincar Biden com os protestos violentos ao mesmo tempo que Biden condena a violência nos protestos. As pessoas “normais” costumam acreditar muito mais naquilo no que veem do que naquilo que escutam, mas dependendo de quem escutam, podem relevar aquilo que veem. Apenas trumpistas já convertidos tendem, ao meu ver, a ficar amedrontados com a retórica de Trump de que Biden quer destruir as grandes cidades americanas. Acho razoável crer que a grande maioria dos americanos está alheia a esses protestos, que são marcados somente pela presença de radicais de ambos os lados do espectro político. Por isso acho exagerado prever que isso possa gerar uma guerra civil no país.

4- Debates

Aqui é onde Trump tem mais vantagem. Existe a possibilidade de que ele atropele Biden e defina a eleição através dos 3 confrontos televisivos. Biden é visto como fraco, senil e frágil. Já Trump é um macho alfa, forte e um candidato protetor viável para períodos de incerteza e dificuldade. Por isso, prevejo que Biden pode se prejudicar demais caso tenta posar de bom moço ou “o adulto na sala” contra Trump. Hilary Clinton já fez isso e perdeu. Ele precisa demonstrar força e indignação. Não sei se ele é capaz disso, mas se não for, certamente perderá.

5- Swing States

Hoje Trump perde em praticamente todos os swing states. Todavia, seu viés é de subida e sua presença no Rust Belt parece ainda mais forte que a 4 anos atrás. Se olharmos todas as possíveis combinações, uma que me chama a atenção é Trump repetir seu resultado de 2016, vencendo no Michigan, Pennsylvania e Winsconsin, mas perdendo na Flórida e Arizona(estado do seu rival John McCain). Em comparação com 4 anos atrás, os swing states do norte parecem mais conservadores. Em contrapartida, estados como Arizona, Texas e Georgia parecem mais competitivos. Isso demonstra um possível realinhamento no panorama eleitoral americano, possivelmente resultado do maior fluxo de imigrantes e de moradores de estados democratas.

Trump venceu em 2016 com 3 milhões de votos a menos que Hilary, que tinha que se sustentar no legado de Obama. Dessa vez Trump precisa se sustentar no seu próprio legado. Se levarmos em consideração que sua popularidade é inferior a de Obama em 2016, é possível que isso signifique que sua votação possa ser ainda menor que em 2016. Obama, por exemplo, tinha 47% de aprovação em 2012 (Trump hoje tem 44%) e recebeu 2% a menos de votos do que teve em 2008. Caso esse fenômeno aconteça com Trump, ele perderia todos os estados nos quais venceu por menos de 2% (foi o que aconteceu com Obama em 2012). Isso o faria perder em 2020 pelo menos no MICHIGAN, PENNSYLVANIA, WINSCONSIN E NA FLÓRIDA.

Outro ponto interessante em eleições é que geralmente o incumbente ganha porque já é bem avaliado. Um incumbente acima de 45% geralmente está numa situação confortável, pois os indecisos, em tese, tendem a favorecer mais o desafiante do que o incumbente. Quanto mais perto dos 50% o incumbente está, menos ele precisa se preocupar com os indecisos.

Por sinal, nessa eleição o número de indecisos será mínimo e tudo dependerá do quanto cada lado conseguirá elevar seu turnout-to-vote. Nesse ponto, Trump leva vantagem. Entre os brancos, o número de indecisos é mínimo, mas entre negros e latinos é de 20%. Percebam. Antigamente não havia tantos indecisos entre minorias. Eles eram automaticamente democratas. Isso deve acontecer porque Trump cativa o eleitorado de jovens negros e latinos que estavam subindo de vida nos últimos anos e agora devem estar revoltados com a piora na economia fruto da COVID e preocupados com os protestos do BLM.

Hoje, no agregado das pesquisas(que a maioria dos trumpistas não bota fé alguma), Trump apenas possui 47% num único estado: Carolina do Norte. Ou seja, caso os indecisos favoreçam o desafiante numa proporção alta ele perderia. Por isso Trump precisa colocar a culpa da crise na China e torcer para que o espírito patriótico americano seja emanado de modo a que os indecisos fiquem do lado dele.

Trump não pode perder entre os indecisos. Ele precisa deles. Mas quem estaria indeciso até esse exato momento? Quem é fanático por Trump está com ele e quem não gosta já está contra ele. Das duas uma. Ou esses indecisos são pessoas que querem votar em Trump mas tem medo de declarar o voto ou são pessoas que querem votar no Trump mas sofreram muito por causa da crise a ponto de duvidar da liderança dele. Em qualquer um dos casos, creio que seja possível ele conquistá-los.

Conclusão

Apesar da fraqueza de Biden, creio que uma participação razoável nos debates faça boa parte da mídia incensá-lo como vencedor por exceder as baixíssimas expectativas. Trump hoje tem uma avaliação 13 pontos negativa contra uma avaliação 0.3 pontos positiva de Biden. Isso é uma diferença relevante. Em 2016, Trump travou um confronto contra uma mulher ( o que não a ajudou), que defendia o partido no poder (o povo está cansado do establishment e queria mudança) e cuja avaliação era péssima.

Dessa vez ele enfrentará um desafiante com popularidade alta, rejeição baixa, que está a 40 anos na vida pública, poucos escândalos, ex-vice-presidente. Agora Trump não é mais o desafiante, logo sua retórica de 2016 não se aplica pois agora ele precisa defender seu governo e seus resultados, que no momento não são os melhores. Por isso, creio que essa eleição será diferente da de 2016. E não só por isso.

Como consequência do COVID, o número de votos por correio tenderá a ser altíssimo e historicamente os democratas levam vantagem nesse tipo de voto. A título de curiosidade, em 2018 houve uma eleição em que o republicano venceu por pouco no dia do pleito, mas depois de 10 dias, quando chegaram todos os votos por correio, os democratas viraram o jogo. Caso Trump não provoque um comparecimento forte no dia da eleição é possível que ele perca em vários estados nos quais terminou pouco a frente de Biden.

Em função de todos esses fatores, a equipe do ACID BLACK NERD aponta Joe Biden como favorito para a eleição de 2020.

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