10 MOTIVOS PELOS QUAIS BOLSONARO NÃO SOFRERÁ IMPEACHMENT


 
C O N T E X T O
Enquanto escrevo esse texto a economia está em recessão, os mortos por Covid crescem exponencialmente e o ex-juiz Moro está prestes a apresentar ao STF provas contra o presidente envolvendo a exoneração do diretor da PF. Além disso, o MBL e partidos de esquerda empilham pedidos de impeachment na mesa do Rodrigo Maia, que não esconde sua desavença com o presidente.
Isso significa que o fim está próximo? Não. Explico abaixo:
Bolsonaro teve muito azar de presidir o país justamente durante a maior crise econômica do século, causada por um vírus que matará milhares de pessoas. E para piorar, a imprensa o culpará por tudo o que acontecer. Suas declarações desastrosas só agradam seus seguidores fanáticos e sua posição de reabrir a economia enquanto o vírus cresce apenas o isola politicamente.
Acontece que agora que Moro saiu do governo, Bolsonaro se viu obrigado a compor com o que há de mais imundo na política brasileira. Aqueles que votaram nele porque ele supostamente prenderia os corruptos agora veem seu presidente ao lado daqueles que queriam ver presos.
Se nomear o Mandetta foi um erro, demiti-lo no meio da pandemia não foi um acerto. É o mesmo que trocar de técnico no meio de uma Copa do Mundo. De igual modo, ao nomear Moro, ele nomeou alguém que não tinha condições de demitir sem perder muito capital político. Ao se aproximar do Centrão, Bolsonaro perdeu uma de suas principais bases: o lavajatismo.
Poderíamos dizer que o Bolsonarismo foi eleito com as seguintes grupos: evangélicos ( interessados em barrar o progressismo), olavettes, guedistas (liberais e elite financeira da Faria Lima), lavajatistas, militares e ruralistas.
O que estamos vendo é que a celeuma entre Bolsonaro e Moro tende a retirar os lavajatistas do bolsonarismo. Com a destruição da economia, as políticas liberais tendem a perder espaço para uma maior ação do Estado na economia, o que inviabilizará a pauta liberal. Com isso, Bolsonaro tende a ficar cada vez mais refém do voto evangélico. Não por acaso houve sua aproximação com líderes como Malafaia, Macedo e RR Soares.
Sendo assim, vamos aos motivos:
1- Bolsonaro sabe que perdeu uma faixa importante do seu eleitorado. Os lavajatistas eram em sua maioria a classe média branca e urbana que mais sofre com os altos impostos, é escolarizada, e por isso, mais indignada com a corrupção. Se houve uma perda de apoiadores, os que ficaram dificilmente o abandonarão. Bolsonaro foi o político que mais reuniu multidões na história do país. Ele venceu uma eleição praticamente sozinho, contra tudo e todos, tendo apenas o povo do seu lado. Assim, sua vitória não foi só sua, mas de 57 milhões de brasileiros. Muitos dos quais fizeram campanha de graça e que dificilmente reconhecerão que erraram em fazer isso.
2- O voto evangélico é muito influenciado pela vontade das lideranças. Até o momento, todos os grandes caciques evangélicos estão com o governo.
3- Diferente do que aconteceu com Collor, Bolsonaro tem milhões de brasileiros dispostos a morrer e matar por ele. Essas pessoas não tem medo de irem pra rua numa pandemia para demonstrar apoio a seu presidente.
4- Bolsonaro ainda tem milhares de cargos que pode entregar para o centrão para escapar de um eventual impeachment. Roberto Jefferson pode ser ladrão, mas ele tem palavra. Ficou com Collor até o fim e dificilmente trairia Bolsonaro.
5- Diferente de Dilma, o impeachment de Bolsonaro não beneficia a oposição. Ao retirar Bolsonaro, teríamos Mourão como presidente. A quem isso interessaria? Temer e Itamar tinham trânsito com o congresso e por isso este aprovou o processo. Porventura Mourão tem mais experiência ou simpatia na Câmara que Bolsonaro? Será que Mourão manteria Guedes ou ele implantaria uma agenda mais intervencionista na economia? Se existe essa dúvida, por que os liberais trocariam Bolsonaro? Seria como trocar o certo pelo duvidoso.
6- Seria muito difícil derrubar um presidente sem poder fazer manifestações de rua. Com isso, o processo perderia legitimidade. Um impeachment sem povo na rua seria encarado como golpe.
7- O congresso gosta da iminência do impeachment mas não do processo em si. A iminência do impeachment deixa o governo contra a parede e faz com que ele aceite as chantagens do congresso. Já o impeachment aumenta a instabilidade do país e pode tirar dos corruptos os cargos que barganharam.
8- Até o momento falta uma base jurídica sólida que tipifique crime de responsabilidade contra o presidente. Sem uma base sólida, o processo poderia ser longo e sangrento. Isso enquanto o país sofre uma crise econômica e de saúde.
9- A esquerda não parece tão interessada em tirar Bolsonaro agora. Eles preferem vê-lo sangrar e derrotá-lo nas próximas eleições, colocando o caos gerado pelo COVID na conta da direita. Hoje existe a percepção de que derrubar ele agora poderia beneficiar setores da direita, como MBL e Dória.
10- Dilma e Temer tinham por volta de 10% de aprovação quando sofreram tentativa de impeachment. Dilma caiu não por ser mais honesta que Temer, mas sim porque não tinha o congresso nas mãos. Algo que Temer tinha. Hoje a popularidade de Bolsonaro está acima de 30%. Por mais que a situação piore acho muito dificil que esses eleitores que ficaram com Bolsonaro depois de todas as besteiras que ele já fez o abandonem daqui pra frente. O eleitorado dele é muito fiel e atuante. Sendo assim, por mais que as chances de reeleição já estejam distantes o impeachment ainda parece fora do radar.

3 comentários

  1. Ainda é cedo para qualquer certeza: não sabemos quais são as provas do Moro, se o Guedes vai continuar no governo e qual o tamanho do desgaste que o Covid gerará no governo. Sem essas cartas na mesa não tem muita previsão sólida. Agora deixando as certezas de lado, torço para que o Bolsonaro caia logo, se ele durar até 2022 a esquerda volta com força total.

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  2. Eu acho que Bolsogado só ficara com uma opção disponível. Soltar os meninos. Rasgar a fgv de 88 e vida que segue, entretando, o covid faz um contrabalnça muito forte nesse cenário. E lá fora, a medição de pik entre as grandes potências não param. Estamos vendo a história meus caros.

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