Janeiro Peludo: feministas resolvem inventar o “pelo ostentação”


Se você acha que esse é mais um texto criticando a imbecilidade das feministas, preste atenção. Você pode se surpreender.

Neste mês de janeiro, as feministas lançaram a campanha Januhairy ( ‘Janeiro Peludo’) nas redes sociais. A ideia é não depilar nenhuma parte do corpo, principalmente axilas e pernas, e depois, como se já não fosse o bastante, ainda postam o resultado nas redes sociais com a hashtag #januhairy.

A campanha, que surgiu na Europa, tem como objetivo promover a aceitação do corpo feminino com pelos.

“Eu só quero que as mulheres se sintam mais confortáveis ​​em seus corpos maravilhosamente únicos. Algumas de nós não gostamos de estar depiladas, outras gostam. Mas continuamos femininas, higiênicas e bonitas, não importa se estamos peludas ou depiladas”. Laura Jackson, criadora do movimento

Convenções Sociais

Todos nós estamos sujeitos a convenções sociais. Eu, por exemplo, não posso sair na rua com as unhas gigantes, se não serei malvisto. Geralmente, convenções sociais tendem a mitigar mazelas, e estão associadas a hábitos anti-higiênicos, vulgares ou que incomodam as pessoas.

De igual modo, existem uma série de convenções, algumas mais racionais que outras, que são aplicadas às mulheres. E por incrível que pareça, NESSE PONTO, essas feministas têm razão.

Mulheres são submetidas desde criança a toda uma série de convenções e regras. Mal começam a andar, e já aprendem que tem que se importar com sua aparência e em como são percebidas pelas outras pessoas, principalmente pelas outras mulheres.

Não por acaso, são sempre as próprias mulheres que gostam de criticar a aparência e a roupa das outras. De alguma forma, elas, que entronizaram esse comportamento inquisitivo, perpetuam-no não só através do cuidar de si mas também da vigilância das demais a sua volta.

Algo que me chamou atenção foi quando uma pessoa muito inteligente resolveu enriquecer e montou uma “Escola de Princesas”. “Mas o que raios significa uma escola de princesas?”, pensei. Seria um escola preparatória para o ingresso numa família real que realmente transformasse sua filha numa ocupante da linha sucessória de alguma monarquia ativa? Obviamente, NÃO.

A tal escola de “princesas” apenas preparava meninas inocentes para que aprendessem a sentar a mesa, maquiarem-se, e fazerem toda e qualquer atividade banal da forma mais prendada possível. Tentei procurar se nesse estabelecimento também havia uma escola de príncipes, mas, por algum motivo, não havia.

Sendo assim, escolas como essas, de pseudo-princesas, apenas são a face mais descarada de um machismo que persiste em moldar a nossa cultura e literalmente escraviza mulheres em hábitos custosos que os acompanharão por toda vida. Duvida?

É muito fácil eu homem, dizer que tudo isso é mimimi feminista. Eu acordo, tomo um banho de 5 minutos. Coloco qualquer camisa e uma calça e pronto. Para todos, eu estou bem-vestido.

Agora, ponha-se no lugar de uma mulher. Ela precisa depilar as pernas e axilas com uma gilette que pode vir a feri-la, depois tomar banho e colocar um shampoo ideal para seu cabelo — se for negra ainda precisa às vezes perder tempo com chapinha, depois tem de escolher uma roupa não-repetida, que não seja curta o suficiente para ser considerada vulgar nem grande para que a faça morrer de calor no clima senegalesco do Brasil.

Por mais que sim, esteticamente mulheres fiquem mais atraentes sem pelos e que, também sim, pelos sejam vistos como nojentos, é permitido que homens tenham o privilégio de ter esse “comportamento nojento”. Você nunca verá um homem ou mulher criticando um homem por ele ter pelos nas axilas. Agora, se uma mulher esquecer de se depilar, sai de baixo.

Objeto social

A verdade é que toda essa vigilância em torno do corpo da mulher é fruto de uma condição natural em que, historicamente, o corpo da mulher nunca foi dela mesma, sendo, desde os tempos pré-históricos, coisificada, tratada como mera propriedade e legada a papéis secundários.

O próprio corpo da mulher, por ter a função social de reproduzir e perpetuar a espécie, acabou sendo socialmente coletivizado, o que fez que muitas mulheres perdessem o controle sobre suas vidas e passassem a viver para ocupar papéis já impostos pela sociedade, para a preservação dela.

Ai um conservador pode argumentar: “Ah, mas e a Rainha Vitória, Princesa Isabel e outras mulheres poderosas. Elas refutam o que você disse”. Tais personagens são a exceção que confirma a regra. E mesmo elas assumiram posições de poder não desafiando essa ordem de poder que subjugava a classe delas como um todo. Aliás, conservadores são experts nisso. Adoram apontar para algum negro ou gay conservador, que defende a sociedade como ela está, para afirmarem que não existe preconceito no Brasil.

No caso dos pelos, mantê-los é visto como um ato de falta de higiene. A ideia é que eles estariam associados a infecções e à mau cheiro. No entanto, essa é uma associação errônea, porque se uma pessoa não toma banho ou se previne, é mais provável que também não se depile, o que dá a impressão de que pelos causam doenças.

Fazer depilação não tem correlação comprovada com prevenção de doenças. Ao contrário, alguns estudos já mostraram que remover os pelos pubianos aumenta as chances de contrair uma Doença Sexualmente Transmissível (DST). Isso acontece porque as pequenas lesões deixadas pela ‘puxada da cera’ ou mesmo pela gilete facilitam a entrada de micro-organismos no corpo.

De fato há um incômodo em manter pelos, que é que eles costumam cair. No entanto, nós não raspamos a cabeça só porque os fios do nosso cabelo caem. É preciso entender que pelos são um mecanismo de biológico de proteção. Eles estão concentrados em áreas estatégicas, como a cabeça (pra proteger o cérebro do sol), as partes íntimas (para proteger de infecções), as axilas (para amenizar o atrito) e nas demais partes eles existiam para nos proteger quando ainda não tínhamos o hábito de vestirmos roupas. Agora, que temos, não faz sentido os termos nessas regiões e podemos depilá-los sem problema.

Portanto, por mais que haja um consenso que pelos não sejam bonitos, creio que devamos entender que, como qualquer hábito socialmente imposto, qualquer pessoa tem o direito de por algum tempo, mínimo que seja, libertar-se dele. Se as mulheres são obrigadas a se depilarem pela vida inteira, acho justo que você seja obrigado a ver os pelos delas num mês do ano.

Que tipo de gata é você?
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