10 motivos pelos quais imposto NÃO é roubo


De uns anos pra cá tenho reparado como o discurso anarco-capitalista tem crescido, principalmente entre jovens virgens e inocentes, que são cooptados por essa ideologia graças a alguns vídeos de youtubers liberteens, nos quais fazem-nos descobrirem “a verdade” por trás do Estado, que na cabeça deles seria apenas uma gangue armada que nos extorquiria. O principal e mais infantil argumento dessa turminha é o famoso “imposto é roubo”. E esse argumento cola porque de fato para refutá-lo é necessário a recorrer a ideias muito pouco intuitivas, de modo que, mesmo quem não é ancap acaba meio que não conseguindo discordar disso.

1- Definição

Já que a lógica ancap diz que imposto é igual a roubo, então vamos primeiro trabalhar com as definições das palavras. Para tanto, chamaremos A de Imposto e B de Roubo, e mais abaixo veremos se A equivale a B.

A = Imposto

É todo o montante de dinheiro que os cidadãos de um país devem pagar ao Estado para garantir a funcionalidade de serviços públicos e coletivos.

B = Roubo

Apropriação indébita de bem alheio.

Portanto, para que A seja igual a B, a definição de A tem de ser equivalente a definição de B, de modo que:

Todo o montante de dinheiro que os cidadãos de um país devem pagar ao Estado para garantir a funcionalidade de serviços públicos e coletivos seja igual a apropriação indébita de bem alheio.

Logo, para refutar a afirmativa acima, bastaria apontar um só caso em que o imposto não seria apropriação indébita de um bem alheio, ou demonstrar que A e B seriam conjuntos e que A não esteja contido dentro de B.

Como nós sabemos, existem pessoas que não pagam impostos e recebem benefícios do governo, existem pessoas que pagam impostos e recebem mais em benefícios do governo e há pessoas — a maioria — que pagam impostos e recebem apenas uma parcela do que pagam em benefícios. Ninguém não recebe nada em troca do governo. Portanto, imposto não é roubo.

2- Comparação absurda

A comparação entre roubo e imposto é absurda pois, NA VIDA REAL, um roubo se difere de forma gritante do imposto. Duvida? Vejamos.

No roubo a parte roubada não tem o que determinar no roubo. Ela está completamente sujeita a vontade da parte que rouba. É ela que determina o que será retirado. No caso do imposto, a parte pagante tem como decidir como seus recursos serão empregados no momento das eleições e do processo democrático.

No entanto, quem decide no processo democrático é a maioria de uma totalidade, cuja vontade pode ser diferente da vontade de um indivíduo, que sempre terá seus recursos tomados para que sejam usados de forma possivelmente contrária a sua vontade. Como nenhum indivíduo é uma ilha, e o bem-estar da coletividade vale mais que o do indivíduo, a vontade da coletividade vale mais que a vontade do indivíduo.

3- Troca de serviços

No caso do imposto o dinheiro dele é usado para beneficiar a pessoa que está sendo taxada, diferente do roubo, em que o dinheiro é inteiramente destinado a pessoa que está roubando. Daí já vemos uma diferença abissal e nítida que faz com que qualquer pessoa minimamente racional perceba que imposto não é roubo. Pois bem. Sabe o que podemos depreender disso? Que anarco-capitalistas não são minimamente racionais.

4- Tributação Voluntária

O imposto é obrigatório. Você é obrigado a dar, assim como num roubo. Contudo, o motivo pelo qual ambos são obrigatórios são diferentes. No roubo, o ladrão te obriga a dar o que é seu porque ele simplesmente quer, já no imposto essa é uma prerrogativa legal que o Estado tem para que ele possa prover serviços que são de benefício coletivo e que não poderiam ser taxados de forma individual.

Por exemplo, ao asfaltar as ruas da cidade o Estado está beneficiando toda a população, mesmo aqueles que não passam pelas ruas, pois a partir do asfaltamento agora elas terão a opção de passar por lá.

De igual modo, ao promover uma campanha de vacinação, uma campanha contra a Dengue, ou contra qualquer doença contagiosa endêmica, o Estado está beneficiando a totalidade, sendo que se esse serviço, para ser efetivo, tem de atingir a totalidade, mesmo aqueles que não poderiam pagar por ele.

Se não houvesse Estado para prover determinados serviços que não podem ser providos pelo mercado, toda a sociedade sofreria. Por isso é que se aceita a obrigatoriedade do imposto, para que esse preencha essas lacunas.

A própria função do Estado como órgão regulador, fiscalizador e mediador final de conflitos — atividades que não poderiam ser feitas pelo mercado- já justifica sua existência, e tal existência tem seu preço.

5- Valor

Na vida real, quando você é assaltado, o ladrão pega a sua carteira e simplesmente vai embora. Já no imposto o Estado requer UMA PARTE DA SUA RENDA. Por exemplo, a título de comparação, você já viu algum ladrão pegando a carteira de alguém, separando 40% do dinheiro e devolvendo o resto, porque isso é o que lhe seria de ‘direito”?

Aliás, ao contrário do roubo, em que o roubado não tem direito de dizer o que lhe será tomado, no imposto os cidadãos tem o direito de estipular o valor e o destino dos recursos através do processo democrático, que na prática, é o que legitima todo sistema tributário. Em contrapartida, não existe processo democrático ou votação para decidirmos se e como seremos roubados pelos ladrões.

6- Individualismo radical

O princípio por detrás do ódio ao Estado é o individualismo, que, em síntese, diz que nós não deveríamos demandar do Estado padrões morais diferentes daqueles que demandamos de indivíduos. Logo, se roubar seria errado para um indivíduo, também seria errado para o Estado, e por isso o imposto seria moralmente condenado.

O problema desse raciocínio é que, ainda que imposto fosse roubo — não é- ,ele se baseia na falsa equivalência entre indivíduo e Estado, uma vez que, do ponto de vista do direito, existem claras discrepâncias nas prerrogativas de cada um.

Por exemplo, quem tem autoridade de punir e prender pessoas que cometem crimes? O Estado, não o indivíduo. Esse é o motivo pelo qual temos tribunais com amplo direito de defesa e por que proibimos uma pessoa de manter as outras presas no porão ou no sotão. Aliás, a própria noção de crime não é um consenso entre todos os cidadãos, sendo por isso o Estado a única instituição a qual todos podem, ao menos, reconhecer sua autoridade e o processo de elaboração das leis.

7- Casos hipotéticos absurdos

Para libertários, imposto não seria análogo a roubo. Seria sempre roubo. Eles assim se defendem do argumento de que parte do imposto seria devolvida para a população igualando isso ao caso de um ladrão que te rouba e no dia seguinte usa o dinheiro que roubou de você para reformar sua casa, sua calçada ou te pagar um seguro de vida. Ai eles perguntam se nesse caso hipotético, continuaria sendo roubo. Você diz que sim e eles então dizem que é exatamente o que o Estado faz.

A pergunta é: algum dia algum ladrão roubou alguém e voltou no dia seguinte com um seguro de vida no nome do roubado? Se sim, por favor me avisem para eu poder validar esse argumento anarco-capitalista. Até lá o considerarei apenas uma falácia da redução ao absurdo.

8- Moralidade x Utilitarismo

Imagine que eu tenho um orfanato. Só que não há doações o suficiente. Então eu saio na rua assaltando pessoas ricas até conseguir manter as crianças alimentadas e bem-vestidas. Nesse caso, há um conflito. De um lado eu poderia ser moral, respeitando a propriedade alheia, e veria as crianças passando fome, ou faria o que é utilitário, o que poria comida na mesa, a despeito das consequências morais.

Assim funciona o Estado. Para quem é socialista, o Estado, nesse caso poderia ser utilitarista ao máximo, roubando tudo que pudesse dos mais ricos para suprir as demandas dos mais pobres. Já para os libertários, o Estado — que nem deveria existir em primeiro lugar — deveria roubar o mínimo dos mais ricos para dar aos mais pobres. Fica claro que, com certeza, o bem-estar dos mais pobres não é, digamos, “prioridade” para os libertários.

O ponto é que o Estado não precisa ser socialista ou libertário. Ele pode e deve taxar uma parcela da renda das pessoas e gastar com os pobres de acordo com o pacto social invocado pela vontade das urnas. Essa parcela não precisa ser pequena para não atender a ninguém e nem tão grande para resolver todas as discrepâncias sociais, mas é importante para a sociedade que haja um colchão de amparo estatal para pessoas que são doentes, que não conseguem trabalhar por problemas físicos ou psicológicos, ou que simplesmente estão desempregadas por causa de uma crise repentina no setor no qual trabalham.

É importante lembrarmos que, numa sociedade, existem pessoas que não estão/são membros produtivos e que não seria por isso que não teriam direito ao mínimo de serviços como saúde, educação, etc. Todos nós podemos passar por dificuldades inesperadas, e é importante que possamos contar com a ajuda da coletividade, principalmente em casos de tragédias e calamidades públicas.

9- Sociedade

Por mais que sejamos indivíduos, todos nós só os somos dentro de uma sociedade, e dentro dessa sociedade, possuímos uma parcela de responsabilidade pelas nossas ações e por aquilo que acontece a nossa volta.

Por exemplo, ao passarmos por um acidente e vermos uma pessoa agonizando, um libertário egoísta poderia dizer que aquilo não era problema dele, que ele estava com pressa, que a culpa seria apenas das partes envolvidas no acidente. Entretanto, todos nós sabemos que se ele não ajudar o acidentado está incorrendo no crime de negar socorro.

Assim, nós temos uma parcela de responsabilidade social por aqueles membros da sociedade numa posição vulnerável. Se um senhor tem 1 milhão de litros de água, e aparece uma pessoa sedenta, morrendo de sede, pedindo um gole, apenas uma pessoa sociopata diria que esse senhor não tem a OBRIGAÇÃO de dar esse gole de água, pois para ele esse gole pode não significar nada, mas para o sedento significa TUDO. É exatamente porque os valores são relativos para diferentes pessoas em diferentes classes sociais que a distribuição de renda não é um jogo de soma zero, e sim uma forma de toda a sociedade ganhar.

10 – E se?

Digamos que o impostos, de um dia pro outro, deixassem de ser obrigatório. E digamos que, de forma otimista, 15% das pessoas continuassem pagando. Isso implicaria numa redução de 85% da arrecadação do Estado, o que faria com que todos os serviços fossem paralisados e que os recursos que sobrassem fossem destinados para o pagamento dos membros da administração e pensionistas.

Se você não tivesse um bom trabalho para pagar um médico, seja porque ficou doente ou porque está desempregado, então você iria morrer, enquanto alguns bilionários ficariam muito mais ricos, pois não precisariam mais custear o tratamento dos pobres com seus milhões de dólares. Como já mencionei, para os ricos, os impostos que eles pagam são apenas dígitos numa tela quando veem seu extrato. Já para os pobres 100 reais muitas vezes é questão de vida ou morte.

A questão central do libertarianismo em atacar o Estado por ser ladrão é porque para eles a pior coisa que alguém pode ser é ladrão. Só que ser ladrão -ainda que o Estado o fosse- não causa os males que um anarco-capitalista causaria caso conseguisse implantar suas ideias malucas para a realidade.

Para qualquer ser humano sensato, deixar milhares de pessoas morrerem de fome é muito pior que tomar parte da renda de alguém. Os ancaps discordam porque para eles o direito a propriedade do rico vale mais do que o direito à vida do faminto ou do doente. Eles não veem problema nenhum em viver num mundo em que o filho do pobre cresça sem ir ao colégio porque o pai não tem dinheiro pra pagar. O único problema que veem é de um Estado – legalmente legitimado por uma Constituição escrita por representantes do povo – tomar uma parte do fruto do trabalho de alguém para financiar seus objetivos sociais, pois para eles, ter de dar parte do fruto do trabalho coercitivamente por si só já seria escravidão.

A própria existência do equilíbrio de Nash e do dilema do prisioneiro mostram-nos como existem circunstâncias em que o que é melhor para cada indivíduo de uma sociedade separadamente, pode ser fatal para a sociedade como um todo. Por exemplo, se cada cidadão cortar uma árvore para vender a madeira e assim lucrar, no longo prazo, o desmatamento causará impactos ambientais para todos.

Portanto, todo o anarco-capitalismo é baseado em ideias utópicas altamente perigosas. Acreditar que uma sociedade sem um órgão regulador externo poderia ser justa é o mesmo que acreditar que numa final de Copa do Mundo os jogadores deixariam de cometer faltas caso não houvesse juíz. A falta de um agente punidor implicaria numa desordem total dentro do campo, que transformaria o jogo numa guerra e seria pior para todas as partes. Se a anarquia não funciona nem numa pelada, por que ela funcionaria na vida real?

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8 comentários

  1. Se o imposto é alto e temos um serviço publico de péssima qualidade, não me parece justo pagar por isso.
    O governo não se importa com a gente, porque não tem como se importar, assim como as corporações globais, também os estados extrapolaram a dimensão humana, não existe um “homem” a quem se deva combater
    Estados são instituições cujos objetivos, em última instância, são a sobrevivência, a perpetuação e a expansão, e tudo bem, se você abandonar a ideia de que essas pessoas deveriam se importar com você ou com o país, e se permitir vê-los como gangues e indivíduos trabalhando para avançar seus próprios interesses, você pode relaxar e apreciar essa merda enquanto bebe uma cerveja
    Abandonar expectativas tolas sobre o que essas pessoas deveriam estar fazendo é um bom caminho, dou um passo para trás e os vejo pelo que são, não fico com raiva, não fico indignado
    Como Nietzsche recomendou, seja despreocupado, zombador e violento.

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  2. ” Como nenhum indivíduo é uma ilha, e o bem-estar da coletividade vale mais que o do indivíduo, a vontade da coletividade vale mais que a vontade do indivíduo.”
    Me explique o seu salto lógico de: indivíduo não vive sem outros indivíduos para indivíduos devem se submeter a vontade de um coletivo pois o coletivo e sua necessidade é apenas devido à vontades individuais que se ampliam com a divisão de trabalho e trocas voluntárias(como um individuo vender algo a outro por valorizar mais o dinheiro que seu bem produzido), todo individuo age em prol de si próprio, você ter postado isso mostra que agiu individualmente em prol de sua satisfação pessoal e não para satisfazer uma coletividade, que é apenas um conjunto de indivíduos que cooperam para atingirem seus objetivos individuais, não há vontade coletiva, ao abandonar a ética, você dá espaço para situações absurdas, como uma coletividade que necessita do trabalho forçado de uma minoria para manter sua sociedade “em pé” (ou pelo menos não viam outro modo para isso) como por exemplo a escravidão africana. Uma constatação empírica que prova seu argumento totalmente sem fundamentos é a possibilidade de uma secessão desses indivíduos que podem muito bem viver sem a necessidade do teu “coletivo majoritário”.

    “No caso do imposto o dinheiro dele é usado para beneficiar a pessoa que está sendo taxada, diferente do roubo, em que o dinheiro é inteiramente destinado a pessoa que está roubando.”
    No caso do roubo o que está em cheque não é a finalidade e sim o ato, o meio utilizado, no caso subtrair bem de indivíduo pacífico, logo, não interessa se é para comprar um pão na padaria ou ostentar na internet, o roubo é injustificável eticamente. O mesmo se aplica ao imposto, além da clara ignorância que não chega a ser minimamente racional sua de crer que beneficiará a pessoa que está sendo taxada, uma vez que taxação nada produz e apenas subtrai podemos presenciar toda a ineficácia e desperdício no uso do “dinheiro público” até mesmo no paraíso estatista, países escandinavos, é possível notar a estagnação econômica e a insustentabilidade de programas sociais para beneficiar o contribuinte. Se um indivíduo age em busca de maior benefício pessoal, logo seria desnecessário a imposição de uma taxa coercitiva para beneficiá-lo (mesmo contra sua vontade).

    “No roubo, o ladrão te obriga a dar o que é seu porque ele simplesmente quer, já no imposto essa é uma prerrogativa legal que o Estado tem para que ele possa prover serviços que são de benefício coletivo e que não poderiam ser taxados de forma individual.”
    No roubo é porque o ladrão quer, no imposto é porque tem uma lei, sério que esse é seu argumento? Poxa cara, legal que eu pude concordar com isso… pera aí, eu não pude… Agora posso viver muito mais tranquilo sabendo que se há uma legislação então algo não é errado, afinal, há legislação(e muita) na Coréia do Norte, mas é para o benefício coletivo, ufa, quem será que emite esse juízo de valor em? deve ser mensagem divina!

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  3. “Para qualquer ser humano sensato, deixar milhares de pessoas morrerem de fome é muito pior que tomar parte da renda de alguém.”
    Ah tá, você usou o argumento, eu tava lendo e respondendo, é óbvio Vinícius se para qualquer humano sensato deixar milhares de pessoas morrerem de fome é pior que tomar a renda, então que qualquer pessoa sensata tome sua própria renda para isso, se é um imperativo categórico então não há necessidade de criar uma lei mágica obrigando uma pessoa a se responsabilizar pela vida de outra e caso ela não se responsabilize, matá-la, prende-la, subtraí-la, o que seria contraditório mas enfim.
    Você esquece também de regiões onde o estado não tem infraestrutura para “””””dar”””” serviços a população e que a necessidade de cooperação sem a necessidade de coerção é fato,onde para sobreviver uns se ajudam sem necessitar de um estado. Regiões anárquicas por acidente.
    ” tomar uma parte do fruto do trabalho de alguém para financiar seus objetivos sociais, pois para eles, ter de dar parte do fruto do trabalho coercitivamente por si só já seria escravidão.”
    Escravidão é a alienação da vontade, isso me lembra a diferença de um ladrão comum para o estado, enquanto o ladrão comum te roubo e nunca mais te aparece o estado sistematicamente o espolia para sempre.
    “A própria existência do equilíbrio de Nash e do dilema do prisioneiro mostram-nos como existem circunstâncias em que o que é melhor para cada indivíduo de uma sociedade separadamente, pode ser fatal para a sociedade como um todo.” O equilíbrio de Nash pode facilmente refutar seu tão defendido sistema democrático, uma vez que o político no poder agirá para obter maior vantagem própria seria, muito mais insano que eliminar esse poder, defendê-lo já que o ser humano sendo naturalmente egoísta não agirá de forma sacrossanta apenas por ser representante de uma maioria que convenhamos é desastrosa, ainda mais em um país onde a média de QI é de 87(um chines médio possui 105), ou seja metade da população possui pouca inteligencia a outra metade divide-se em pessoas com menos ainda e alguns poucos que dificilmente ultrapassam o QI médio mundial, mas é muito sensato transferir sua segurança à maioria, não haverá chances de elegerem um populista como Chavez, Lula, Bolsonaro…
    O equilíbrio de Nash mostra que escolhas puramente egoístas tendem a ser menos eficientes para o agente e os outros, isso não refuta em nada o anarcocapitalismo, só demonstra que em algum momento se essas ações forem tomadas será prejudicial(ou ineficiente) a longo prazo para o bem estar individual o que indicaria a necessidade de cooperação, e sabemos que em algum momento o ser humano se dá conta disso, como no exemplo onde a população cria uma ponte, a cooperação foi essencial e totalmente espontânea, a junção de recursos faz parte da necessidade de uma sociedade, não a nego, apenas nego a necessidade de um estado manipulando isso.
    No último parágrafo você confunde a existência de um agente monopolista com a inexistência total de órgãos arbitradores, além disso nas peladas o pessoal mal tem um juiz eleito por algum órgão supra local, e quando tem algum juiz, ele é apenas um amigo escolhido pelos dois lados por ser confiável, e mesmo assim na grande maioria tudo ocorre de forma anárquica e pacífica, caso contrário as peladas estariam extintas a muito tempo :v
    Por fim, não encontro problema em você defender um estado e pagar tributos a ele, pois ao fazer isso você está aceitando voluntariamente, porém discordo da imposição por meio da força sobre pessoas pacificas que não querem ser representadas por esse estado e não querem ser exiladas de suas próprias casas compradas de forma honesta, o estado não detém direito algum sobre territórios, eu só quero viver em meu futuro sítio autossustentável em paz, com minha STG, ou SCAR ou M16 pra defender minha propriedade em paz.

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  4. imposto
    /ô/
    adjetivo
    1.
    que se impôs; colocado, posto.
    2.
    que se obrigou a aceitar ou a realizar.
    “deveres i. pelo cargo”
    3.
    substantivo masculino
    JURÍDICO (TERMO)
    contribuição monetária devida por pessoas físicas ou jurídicas ao Estado; tributo, ônus.

    “Logo, para refutar a afirmativa acima, bastaria apontar um só caso em que o imposto não seria apropriação indébita de um bem alheio, ou demonstrar que A e B seriam conjuntos e que A não esteja contido dentro de B.” E você não demonstrou;”Ninguém não recebe nada em troca do governo. Portanto, imposto não é roubo.” Só afirmou isso, que entra em contradição com a atividade do próprio governo, segundo você, se uma pessoa realiza serviços com seu dinheiro, mesmo sem você pedir, ele não está cometendo crime algum pois está revertendo um recurso seu para o seu próprio bem, sendo assim você teria que defender as taxas cobradas por traficantes para proteger a comunidade. http://recordtv.r7.com/cidade-alerta/videos/traficante-que-cobrava-taxa-de-seguranca-de-moradores-em-comunidade-e-preso-no-rj-20102018

    “No roubo a parte roubada não tem o que determinar no roubo. Ela está completamente sujeita a vontade da parte que rouba. É ela que determina o que será retirado. No caso do imposto, a parte pagante tem como decidir como seus recursos serão empregados no momento das eleições e do processo democrático.”
    No sistema democrático você está sim sujeito a vontade de quem o rouba, afinal, uma vez no poder o sujeito pode agir da maneira que bem entender(na maioria das vezes legalmente), você não conhece realmente seu “representante”, apenas a imagem que ele passa para votarem nele, sabemos que na maioria dos casos, apenas os mais inescrupulosos, mais flexiveis moralmente, que promete para gregos e troianos apenas por populismo são eleitos, isso dentro de um espectro limitado dentro dos próprios partidos(você deveria ver as opções “democráticas” para prefeito na minha cidade, ou pior, para o governo do meu estado,Paraná). Após tudo isso, há um fato ainda mais fundamental, ele deixa de ser roubo por que o suposto “bandido” te dá opções? Mesmo sem dar a ti a possibilidade de negá-las? Novamente, por Reductio ad absurdum, se um pai dá a opção pra sua filha de ter relações com ele ou morrer de fome nas ruas, o “consenso” que assim como no caso estatal é em fato extorsão pode ser considerado válido?!

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  5. “Por exemplo, ao asfaltar as ruas da cidade o Estado está beneficiando toda a população, mesmo aqueles que não passam pelas ruas, pois a partir do asfaltamento agora elas terão a opção de passar por lá.”
    Claro, não há livre iniciativa, nem por parte dos moradores do local, quem construiria as estradas?!
    https://g1.globo.com/to/tocantins/noticia/2018/12/22/moradores-constroem-praca-com-o-proprio-dinheiro-em-palmas-video.ghtml

    Ah, então quer dizer que se o ser humano busca sua maior satisfação ele pode realizar algo que beneficiará outros sem a necessidade de coagi-lo a isso?!

    “A própria função do Estado como órgão regulador, fiscalizador e mediador final de conflitos — atividades que não poderiam ser feitas pelo mercado- já justifica sua existência, e tal existência tem seu preço.”

    Justiça privada na Irlanda e Islândia medieval, sua função como órgão monopolizador você quer dizer, o único com legitimidade para mediar conflitos de forma válida, se esse fosse o caso, não poderiam existir conflitos internacionais, pois não há um monopolista que pode mediar o conflito, não há um país que pode ser o juiz sobre outros dois, eles resolvem de forma anárquica.

    “5- Valor” Começa justificando que ao roubar apenas uma parcela de seus bens não está cometendo crime por não ser o todo, mas se esquece de ladrões de casas que não roubam tudo, apenas uma parcela, logo na sua lógica não seria um crime pois ainda devemos esperar ele converter sua arrecadação em 50 reais para um hospital do câncer(infelizmente grande parte da arrecadação foi gasta em despesas para realizar a doação, mas hey, o estado faz o mesmo!).

    Onde o processo democrático pode ser justo em oposição ao simples roubo ditatorial? No roubo comum o ladrão utiliza sua força física, mas ao decidirmos democraticamente, mesmo que eu não concorde a maioria concorda e não há nada que eu possa fazer pois eles possuem maior força em número, no fim os dois casos são apenas decisões pela força, não há ética nisso, você teria que relativizar totalmente a democracia para ela ser aplicável de forma realmente justa.

    “Logo, se roubar seria errado para um indivíduo, também seria errado para o Estado, e por isso o imposto seria moralmente condenado.” Logo se iniciar agressão há um indivíduo pacífico não há justificativa para exceções, você pode ser o rei do ácido lisérgico, mas mesmo assim está condicionado ao mesmo padrão ético aplicável a um ser humano, ou seja se possui mais poder ou não, não justifica quebrar essas regras, se esconder na alcunha de estado como se o mesmo fosse o capuz de um algoz não impedirá de permanecer sendo um indivíduo iniciando violência sobre outras pessoas.

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