Kéfera e o caráter autoritário do feminismo


Essa semana a youtuber Kéfera foi ao programa Encontro da Globo. Nele, um jovem, mal vestido, estranho, começou a falar algo sobre feminismo de forma negativa. A youtuber então aproveitou a oportunidade para esculachá-lo em rede nacional disparando conceitos como “manterrupting” e “mansplaining”, completamente fora do contexto da conversa. Por estar numa plateia repleta de mulheres, sua atitude de desrespeito foi aplaudida por todas ali. No entanto, a plateia das redes sociais não reagiu como a do programa.

Kéfera parece alguém que encontrou no feminismo o seu “brinquedinho novo”, uma chave para abrir e fechar qualquer debate, uma viseira para enxergar qualquer realidade. Para ela, famosa, rica, branca, esculachar um pobre, negro, gay(citation needed) é completamente válido, uma vez que ela estaria defendendo uma minoria, as mulheres. O que ela não vê, é que ali, ela era quem estava oprimindo a minoria usando todos os seus privilégios e vantagens sociais.

Jesus nos aconselhou a “fazer com os outros aquilo que gostaríamos que fizéssemos conosco, a chamada Lei de Ouro. Para o feminismo (o mesmo vale para outros movimentos de minoria) isso não existe. Se a pessoa faz parte de um grupo ou defende ideias contrárias a sua agenda, então vale tudo. Pode desrespeitar, humilhar, sacanear, mesmo que a pessoa não tenha feita nada contra você.

Vê-se claramente que essa tática é contraproducente, posto que a pessoa humilhada, e as pessoas que viram a humilhação, tendem a ficar mais hostis ao feminismo pelo seu caráter autoritário. Para o feminismo, você só pode falar sobre algo se fizer parte de um grupo, do contrário você não tem essa liberdade de expressão. Que maravilhoso, não? Mais um movimento querendo mitigar as nossas poucas liberdades. Surpreendo-me por que os homens não gostam disso.

A ideia de que o homem hétero, branco, cis, etc não tem “lugar de fala” para falar sobre algo, o que o feminismo impõe, nada mais é que um solapamento do livre debate público de ideias e da liberdade de expressão em discussões livres. Na prática, o feminismo autoritário cala seus opositores questionando suas características, desqualifica seus argumentos com definições abjetas importadas de outra realidade, para nunca precisar entrar no mérito das questões que estão sendo debatidas.

Concluindo, não creio que o feminismo esteja 100% errado ou 100% certo, por isso pondero o que ele defende ponto a ponto. Só que pra isso eu muitas vezes eu preciso conversar com uma feminista para enxergar o lado dela, e talvez complementar a minha visão. Acontece que quando sou atacado simplesmente por fazer uma pergunta de algo que é “óbvio” para elas, e respondem algo como “vai estudar” ou “para de passar vergonha, macho escroto”, vejo como esse desrespeito gratuito não ajuda a luta das mulheres, tampouco ajuda a melhorar as desigualdades (reais) das relações de gênero na nossa sociedade -, apenas exalta o ego de mulheres más, que encontraram numa ideologia uma justificativa que acham legítima para serem escrotas com os outros.

Não, não acho que o machismo estrutural ou o patriarcado não existam ou não sejam potencialmente negativos às mulheres modernas. Acontece que eu julgo tais construções como condenáveis justamente por que fabricam uma violência sistemática contra o gênero feminino. Aos meus olhos, é a violência sistemática que deve ser combatida, seja contra qualquer gênero, etnia, religião, etc. Daí o motivo de eu ser coerente e também condenar a violência do discurso autoritário feminista.

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