10 motivos para ser contra a eutanásia


Eutanásia é um tema delicado. Dúvida? Imagine que você descobre que pegou uma doença incurável e que lhe dará um enorme sofrimento. É racional que alguém, nessas circunstâncias, pense que tirar a própria vida seja mais desejável do que enfrentar uma batalha perdida.

Sempre que esse tema entra a baila é sempre nessa perspectiva: de alguém doente, sem esperança, cuja morte seria o melhor e único remédio. Não obstante, ficam escamoteados as verdadeiras consequências que a legalização da eutanásia teria.

1- Seleção Social

Se a pessoa é pobre, irá, com sorte, a um hospital público. Já uma pessoa rica, por amor à própria vida, prefere hospitais privados.

Agora imagine: Quanto custa uma internação? Em muitos casos, os valores de diária passam dos 4 dígitos. Nos hospitais privados, onde se ganha mantendo o paciente vivo e pagando, o interesse é deixá-lo vivo. Já no públicos, onde as vagas são limitadas e não há incentivo para manter um pobre entubado, não raramente, os médicos, quando precisam de uma nova vaga, acabam desocupando uma desligando os aparelhos de alguém.

Se isso já acontece ao arrepio da lei hoje, imagine o que não aconteceria se a eutanásia fosse legalizada? Não seria difícil imaginarmos que os mais pobres seriam os mais induzidos a essa prática.

2- Ciência

Pense em doenças altamente mortíferas como Aids e câncer. Caso uma pessoa sem recurso para se tratar as adquirissem, e a eutanásia fosse uma opção de fácil acesso, bem provavelmente veríamos milhões de suicídios assistidos de pessoas que preferiram não enfrentar a doença.

Mas qual a consequência disso? Graças às pessoas que enfrentam suas doenças e compram remédios a indústria farmacêutica pode se financiar para desenvolver drogas que tratassem e curassem uma infinidade de males, o que não aconteceria caso não houvesse tal demanda.

3- Arrependimento

Não raras as vezes, pessoas que sobrevivem a tentativas de suicídio dizem se arrenderem do que fizeram. Sendo assim, como saber que a decisão pela própria morte de alguém agora não poderá ser mudada no futuro? Como a morte é algo irreversível, como teremos a plena convicção que uma decisão como essa pode ser feita hoje se não sabemos o que pode acontecer conosco amanhã?

4- Induzimento

Pessoas podem acabar induzindo outras à eutanásia, pelos mais torpes motivos, como divórcio, promoções no trabalho, herança, desavenças, etc.

5- Diagnóstico

Hoje é alto o número de pessoas que se matam por depressão. No cérebro da pessoa deprimida, como neurotransmissores como a dopamina não estão agindo, a pessoa perde a vontade de viver. Um outro caso pertinente é a bipolaridade, em que o doente alterna Estados de depressão e hipermania. Acontece que o diagnóstico de tais doenças é difícil, no entanto, com uso de medicação tais casos podem ser controlados. Portanto, os portadores de transtornos mentais acabariam sendo os principais consumidores de suicídios assistidos, mesmo que não tenham sido diagnosticados ou tratados suas doenças. E até que ponto seria ético deixar alguém se matar devido a uma doença que ela não teve a chance de diagnosticar?

5- Irracionalidade

Se você visse alguém que você gosta đe ferindo com uma faça, é bem provável que você tentasse a impedir. Mas por quê? Pelo mesmo motivo que rimos de pessoas se acidentando em videocassetadas. Nosso cérebro sabe que fazer mal físico a si mesmo não faz sentido. É irracional. Se alguém quer fazer mal a si, então, só há uma explicação: a pessoa está doente, provavelmente deprimida, e precisa de ajuda. Não ajuda para se matar. Ajuda para se tratar.

6- Declive escorregadio

Países como Holanda e Bélgica primeiro legalizaram a eutanásia para doentes terminais. Até ai a maioria das pessoas acham compreensível. Ocorre que após isso, as leis foram relaxadas para pessoas sem doenças terminais, para poder encampar pessoas idosas ou desempregados sem perspectiva de futuro. Num caso, uma criança de 12 anos recebeu a eutanásia. Por mais que digam que o número desses casos sejam muito pequenos, quantas pessoas precisam morrer de forma completamente injustificada para que essa prática seja condenada? Aos meus olhos, bastaria olhar o caso da criança de 12 anos.

7-Economia

Suicídios não são bons para a economia. Estudos apontam que os indivíduos com maior QI são os mais predispostos a terem depressão. Dessa forma, a sociedade, ao popularizar e legitimar o suicídio como um direito inalienável, estaria se livrando de membros produtivos da sociedade, os quais ela mesma custeou educação da infância até a vida ativa, para então não lhe devolver o devido retorno em forma de impostos.

8- Normalização

Por mais que o suicídio já ocorra hoje, ele ainda é algo estigmatizado. Ao olharmos para qualquer outra prática legalizada, na qual havia alta demanda mas alta repressão, criando assim uma demanda represada, a descriminalização sempre tende a aumentar a incidência da prática até ela alcançar seu ponto de demanda natural. Ademais, a legalização incorre também da legitimação social da prática, que geralmente passa a ser explorada na Cultura popular e a permear o inconsciente coletivo como opção válida.

9- Liberdade individual

Muitos libertários defendem a eutanásia usando a “liberdade individual” como prerrogativa. A lógica falha do “meu corpo minhas regras”, também usada para defender o aborto e a venda de órgãos. A questão é: o que é você? O seu corpo é você? Se você perder parte do seu corpo você é menos você? Se seu corpo agir contra a sua vontade, é você? Atitudes feitas sob efeito de entorpecentes ou fora de si, podem ser responsabilizadas em você como quaisquer outras? Ocorre que o seu corpo não é necessariamente você como um todo. Você é uma consciência presa numa máquina biológica que tem demandas (sono, sexo, comida) e te influencia para continuar existindo.

Fora isso, como somos animais sociais, não podemos viver conforme somente as nossas próprias regras. A moral social pressupõe que possa ser assumida por qualque um, e por isso suplanta aberrações morais de indivíduos.

10- Preciosidade

A vida humana é o que há de mais precioso. A morte, por ser irreversível e iminente, leva-nos a termos de aproveitar ao máximo nosso tempo aqui. Ainda mais porque não sabemos se há ou não vida após a morte. Assim, essa é a única chance que temos e isso deve ser valorizado.

Uma coisa é se alguém, por algum motivo, suicida-se. Isso é lastimável. Outra, é quando a pessoa pede a sua ajuda para se matar. A partir daí a morte dela é sua responsabilidade. O que estamos discutindo é se nós, como sociedade, queremos aprovar e tomar parte na morte de pessoas que, com ou sem uma boa justificativa, estão jogando fora aquilo que têm de mais precioso.

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