Era uma tarde como outra qualquer na Vila Histórica de Mambucaba. Tudo parecia correr na mais pura tranquilidade até que uma equipe formada por 2 jornalistas aterriza no local e se dirigem até a loja de Walderice Santos da Conceição, chamada de WAL AÇAÍ. E não. Os dois repórteres não queriam comprar açaí.

Munidos de perguntas e armados de câmeras em seus celulares, os dois jornalistas em conseguiram demonstrar sua periculosidade. Pouco tempo depois da chegada dos dois, Walderice desesperadamente fechava a sua lojinha, não antes que a câmera dos dois tirasse a foto da fachada.

Walderice, moradora de Angra dos Reis, é funcionária do Gabinete de Bolsonaro desde 2014, nunca tendo sequer posto os pés no gabinete do deputado em Brasília, daí veio a suspeita que viesse a ser uma funcionária fantasma. Afinal das contas, onde se espera que um funcionário de gabinete trabalhe? Num gabinete, correto?

Pela lei, o fato dela não estar no gabinete do deputado não implica que seja uma funcionária fantasma, pois, ela poderia muito bem cuidar de sua loja de dia, e, como os defensores de Bolsonaro alegaram, assessorar o deputado nas demandas da região horas vagas. Porém, alguns detalhes deixam toda essa situação muito “picante”.

“Ela faz o que todo comissionado faz. Qualquer problema na região ela entra em contato com o chefe de gabinete. (Relata) Uma carência da prefeitura, em que como parlamentar posso apresentar uma emenda”, disse o presidenciável à Folha.

Ok, a partir daqui vou presumir que os Bolsonaro não mentem e que ela de fato seja funcionária do gabinete de Bolsonaro que a ajudava com demandas da região. Então, para comprovar o que foi dito fiz uma breve pesquisa e os resultados me pareceram um pouco constrangedores para o deputado.

Em primeiro lugar, se Walderice cuidava “das demandas da região” seria natural que houvesse algum repasse por meio de emenda parlamentar do deputado para Angra dos Reis. O problema é que sim, Bolsonaro fez 3 emendas para Angra dos Reis, mas estranhamente, todas feitas a mais de 10 anos, muito antes da Walderice ser contratada.

Um outro ponto que causa estranheza é que o marido de Wal é aposentado e tudo indica que ele cuida da casa que a família de Bolsonaro tem na região. As más línguas alegam que na verdade tudo seria um desvio de verba, já que os 1.300 reais pagos a Walderice seriam na verdade o salário de caseiro para o marido dela, que não poderia ser dado diretamente a ele já que ele é aposentado.

Após algum tempo, Wal não aguentou a pressão da imprensa e teria pedido demissão. Estranhamente, o deputado não colocou alguém no lugar dela, o que seria de praxe já que ela exercia uma função tão importante.

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