Existem dois tipos de pesquisa. A primeira é a quantitativa, em que se sai pelas ruas perguntando em quem as pessoas votarão ou qual é a opinião delas acerca de determinado tema.

Na campanha política, as pesquisas quantitativas são muito importantes para se saber o que o povo está pensando mas não muito úteis para descobrir como podem mudar de opinião. Por exemplo, por meio da quantitativa pode-se perguntar qual é a rejeição de determinado candidato, ou quais são os temas mais associados a um candidato ou quais são os temas mais importantes para o eleitorado.

Já nas pesquisas qualitativas, que são muito mais caras, escolhe-se a esmo um pequeno grupo de indecisos que não podem saber qual é o candidato que está contratando a pesquisa. Esses escolhidos são reunidos numa sala e são submetidos a vídeos dos candidatos, e então emitem suas opiniões e são perguntados sobre o que acham do que viram. Com base nessas entrevistas, o pesquisador avalia quais são as palavras corretas para que o candidato aborde cada assunto, e como ele deve abordar diferentemente cada assunto de acordo com cada segmento.

Ontem foi a entrevista de Jair Bolsonaro no Jornal Nacional e uma empresa de consultoria promoveu uma pesquisa qualitativa com indecisos, todos, incertos sobre o voto ou não em Jair Bolsonaro. Por mais que o candidato tenha se saído super bem na entrevista, segundo a pesquisa qualitativa, o candidato terá problemas sérios pela frente se passar ao segundo turno.

Após o final da pesquisa, em que os indecisos assistiram a entrevista de Bolsonaro na Globo, a maioria dos indecisos continuou indecisa, não tendo sido convencidos pelo que foi dito, o que mostra que possivelmente o tema mais caro a eles não tenha recebido propostas convincentes. Mais que isso, essa pesquisa pode mostrar que o candidato não possui um bom poder de convencimento na sua retórica, posto que está sempre disposto a agradar quem já vai votar nele de qualquer jeito porém sem acenos para os não-convertidos.

É importante que Bolsonaro melhore sua retórica, pois caso vá ao segundo turno, o número de “indecisos” votantes em outros candidatos no primeiro turno que terá que agregar será determinante, e seu concorrente, seja lá quem seja, saberá aproveitar isso a seu favor.

Por último, a pérola da pesquisa foi a opinião de algumas mulheres, que não gostaram do tom do candidato quando o tema foi igualdade salarial. Esse tema se mostrou altamente radioativo para o candidato e será muito explorado pelos outros candidatos. Porquê? Porque quando apresentado entre os indecisos homens, todos continuaram indecisos, já que este não é um tema caro a eles, contudo, quando foi apresentado às mulheres, muitas indecisas mudaram de posição e declararam rejeição ao candidato.

Se há uma coisa que descobrimos após a entrevista da Globo é que Bolsonaro, que tem nos homens 66% de seus apoiadores, se continuar com essa mesma retórica em relação a igualdade salarial, precisará de muito mais votos masculinos caso queira ser eleito presidente.

Anúncios