Em 2011 eu estava em casa sem nada pra fazer e um vizinho esquerdista— hoje uma desavença — perguntou se eu conhecia Olavo de Carvalho. Disse que não, mas fui pra casa ver quem era. Algumas semanas, centenas de artigos, vídeos e podcasts depois, eu me transformei no que chamam de Olavette.

Um tempo depois da minha conversão ao Olavismo, eu já estava convencido da existência do Foro de São Paulo e do seu cruel plano de dominação para instaurar na América Latina aquilo que foi perdido no Leste Europeu após a queda do Muro de Berlin.

Um belo dia um amigo veio a minha casa e o bombardeei com todas aquelas novas “verdades” olavísticas. Ele, um incauto em assuntos relacionados a política porém com viés direitista, ficou assustado e achou que eu estava ficando maluco. Foi inclusive o final da nossa amizade.

Anos mais tarde, eu, já liberto daquela lavagem cerebral após ter me informado mais, viajei num túnel do tempo ao assistir o primeiro debate presidencial organizado pela Band, quando o Cabo Daciolo denunciou Ciro Gomes de ser um dos fundadores do Foro de São Paulo e promotor da União das Repúblicas Socialistas da América Latina — URSAL.

Fica claro que — ainda que fosse verdade — teorias com aparências de conspirações globais facilmente viram motivo de piadas. Além disso, pessoas “normais” e desinformadas — a maioria dos brasileiros com instrução — repudiam ser associadas a esse tipo de coisa. Sendo assim, quanto mais a direita se basear em “teorias da conspiração” mais ficará isolada e conversando apenas consigo mesma. E pior. Quanto mais o fizer, mais isolará seus adeptos daqueles que pensam diferente.

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