Esses dias, por algum motivo, peguei-me mais uma vez sintonizando na Jovem Pan para passar o tempo. Eu sei. Eu não deveria fazer isso, mas é a força do hábito. Eu, mesmo sabendo exatamente o que vou ouvir, continuo sendo ouvinte cativo de quase todos os programas, a começar pelo Jornal da Manhã.

Depois de algum tempo, a mídia conservadora pra mim passou a ser percebida como um zoológico. Cada um dos radialistas é como se fosse um animal que representa bem o seu “papel”.

O principal deles, na minha opinião, é  Marco Antônio Villa, que eu considero uma hiena barulhenta. Villa é o típico brigão chato que implica com tudo e todos, nunca parecendo estar satisfeito com nada. Agride verbalmente a esquerda, chama Bolsonaro e seus seguidores de nazistas, crítica as bancadas religiosa, ruralista, da bala, até os liberais. Por muito tempo pensei que era tucano, mas depois que vi ele metendo o pau no Alckmin por ter feito acordo com o centrão, fui obrigado a rever os meus conceitos. A única vez que o escutei falar algo positivamente é quando ele falou do seu time, o Santos FC. Fora isso, nada nunca está bom. É um eterno insatisfeito.

Porém Villa não é o bicho mais razinza do zoológico. Essa posição fica com a jararaca Vera Magalhães, que parece acorcar todo dia de mau humor. Vera, que é casada como alguém ligado ao PSDB, poderia muito bem fazer a linha tucaninha, mas já reparei bem como ela tem um predileção boa a acordar com o humor ainda pior sempre que o entrevistado é João Dória Jr. Talvez ela conheça bem as artimanhas de Dória dentro do partido e nutra uma antipatia por ele. Eu não sei. Antipatia ela aparenta nutrir por quase todos os entrevistados.

A tarde, no 3 em 1, o animal da vez é o ursinho nada carinhoso Carlos Andreazza. Esse sim, um tucano de corpo e alma, sempre disposto a defender as chances eleitorais de Geraldo Alckmin e de diminuir as de Bolsonaro ou Marina Silva. Andreazza aparece no mesmo habitat natural, atrás de uma estante de livros – os quais ele deve ter lido – com sua postura envergada e com um fone de ouvido branco, sempre com algum ponto de vista pragmático, previsível e pró-establishment.

Também tem os animais que foram mandados pra fora do zoológico. O primeiro a sair foi o pokémon Raquel Charizard. Charizard não ficou muito tempo na Pan e logo saiu pra continuar sua jornada na TV.

Uma outra que não pode ser esquecida é a pavoa Joice Hasselman.  Joice começou a carreira no Paraná, onde batia de frente com o governo do tucano Beto Richa, depois foi pra Veja, revista que governos tucanos compram milhares de exemplares e então virou uma das principais vozes contrárias ao PT na época do impeachment. Depois de ser demitida, herdou de seu ex-colega e desavença Reinaldo Azevedo o programa Os pingos nos IS, até que, segundo dizem as más línguas, tomou uma rasteira do gatinho colírio da Capricho Felipe Moura Brasil, que passou a apresentar o programa no seu lugar. Ela, oportunista, foi surfar na onda bolsonarista e passou a defender o bolsonarismo no seu canal no Youtube e tudo indica que até pode abocanhar uma vaguinha na Câmara pelo PSL.

Por fim, acho que a mídia conservadora é como um zoológico. E como todo zoológico, por mais que existam bichos que ninguém gosta, se não houvesse eles o zoologico não estaria completo. Precisa haver um bicho chato como o Villa, um animal doidão como o Tognolli ou uma bicha como o Reinaldo, fora os pavões como joice ou tipos ranzinzas como a Vera Magalhães, ou até mesmo como os ANTAgonistas.

OBS: Eu só creio que a direita se pareça com um zoológico quando escuto rádio, pois se fosse julgar pelos canais de direita no Youtube aí as comparações com zoológico não seria cabíbeis, mas sim com um verdadeiro hospício.

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