Born This Way – Letra comentada


Born this way com certeza é uma letra que possui uma mensagem filosófica relevante aos dias de hoje, apesar de ser uma música pop dançante.

A questão filosófica que ela debate é acerca do Determinismo ou do Livre arbítrio. Na letra, fica implícito que está sendo sugerido que se trata de uma pessoa gay que alega que nasceu desse jeito, logo, não podendo ser culpada, responsabilizada ou tentar mudar aquilo que é. A pessoa é o que é e acabou. Tem de ser aceita.

Pessoalmente, eu nasci com forte predileção a crer no determinismo. Desde criança eu nasci assim, com dificuldades para engolir o livre arbítrio. Por isso, creio que nascemos para sermos aquilo que somos. E mesmo se não nos conformamos com o que somos e queremos mudar, é para reafirmar alguma camada de consciência sempre presente em nós desde que nascemos.

O problema do determinismo são suas implicações. Se nascemos para sermos o que somos, como podemos ser culpados do que somos? Um jovem sem oportunidade alguma pode ser culpado de ser criminoso ou de roubar pra comer?

E se as pessoas não podem ser responsabilizadas, poderiam ser punidas? E a punição, aliás, é a melhor forma de reeducar uma pessoa ou apenas condicionar a pessoa a não fazer algo por medo? Por que se for condicionado, sem o medo da punição, a pessoa reincidirá. E se for pra punir por punir, isso só satisfaria um capricho e um falso senso de justiça, já que a punição não seria justa.

Sem livre arbítrio, não há sentido em juízo, em justiça ou em punição. Seríamos apenas robôs inocentes guiados por condições fora do nosso controle.

É fácil aceitar pessoas boas, mas e as pessoas com características ruins? Teríamos que tolerá-las? Até que ponto? Nascer de um jeito ruim é justificativa para nunca mudar e demandar que os outros te aceitem? Claro que não. Ser gay, por exemplo, não é ruim, mas ter um defeito sim. E socialmente devemos ajudar essas pessoas a se aceitarem como são, e também a melhorarem naquilo que precisa ser melhorado.

Concluindo, cito o historiador inglês Christopher Hitchens, que quando perguntado se cria no livre arbítrio, respondia: “Claro que sim. Não tenho escolha”.

Comente com polidez!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s