Pergunta enviada pelo https://curiouscat.me/acidblacknerd

Minha posição sobre a homossexualidade evoluiu de forma bastante curiosa. Como nasci evangélico, não conheci gays até meus 21 anos. E mesmo assim, por não ter parentes ou até mesmo amigos gays, esse sempre foi um assunto que simplesmente ignorei.

 

Confesso que o principal fator para me aproximar do tema de forma mais humana foi justamente a minha própria religião, já que Jesus nos ensina a amar o próximo, e para amar o próximo temos de nos por no lugar dos outros, principalmente daqueles diferentes de nós. Em contrapartida, muitos militantes gays que conheci, sempre dispostos a problematizarem tudo e chamarem qualquer um de racista e homofóbico, acabaram impedindo que enxergasse a questão da homossexualidade de forma empática.

 

Isso ocorre porque o radicalismo de qualquer movimento – seja o gay ou até mesmo um movimento político ou religioso – acaba se baseando numa retórica agressiva, e todos nós sabemos que a agressividade é totalmente ineficiente como método pedagógico.

 

Depois que você agride ou ataca alguém, MESMO QUE COM RAZÃO, a pessoa naturalmente não só não escutará o que você tem a dizer como ficará predisposta a discordar da sua posição, associando aquilo que você defende a agressividade. Por isso que eu discordo tanto desses militantes gays que vivem debatendo com xingamentos contra homofóbicos. Eles parecem não perceber que a luta dos gays é pedagógica, em que não se vence lacrando ou esculachando alguém que pensa “errado”, mas sim convencendo esse alguém.

 

Um dia eu conheci um psicólogo ex-pastor e tive uma longa conversa com ele sobre homossexualidade. Ele me explicou por A+B porque não fazia sentido algum do ponto de vista da psicologia que a homossexualidade fosse pecado. Enquanto ele me mostrava como a sexualidade na mente humana era naturalmente diversa, tentei argumentar como o sexo entre homens seria anti-anatômico e sujeito a doenças. Ele me convenceu que amar ou sentir atração por alguém do mesmo sexo era normal, mas eu ainda cria que a prática sexual era pecaminosa. Acabou a conversa e eu nunca mais o vi.

 

Anos mais tarde eu vi o relato de um pastor – esse sim, um maluco – que estava em lágrimas porque um jovem gay que tinha se aconselhado com ele havia se matado devido ao peso que a religião havia colocado nos seus ombros. Ali eu acordei. Vi que a demonização da homossexualidade literalmente matava pessoas inocentes e não tinha como ser conciliada com o amor que Cristo ensinava.

 

Era muito fácil pra mim, como hétero, dizer que uma pessoa gay podia ser cristã desde que se abstivesse da prática homossexual quando eu, como hétero, poderia conciliar minha fé e sexualidade heterossexual. Era algo muito hipócrita e injusto que muitas igrejas ainda hoje pregam. Eu simplesmente estava errado e é preciso ter humildade para reconhecer isso. Humildade esta que falta em muitos cristãos.

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