Pergunta enviada pelo https://curiouscat.me/ACIDBLACKNERD

Bolsonaro e Ciro Gomes são muito parecidos em vários quesitos, o principal é o destempero. Os dois são desequilibrados. Por incrível que pareça eu já pensei em votar nos dois. Em 2002, Ciro era a minha opção já que não gostava nem do Lula e tinha aversão ao PSDB. Só que ai ele disse uma frase infeliz sobre pobres e a campanha dele acabou. Ciro é tão preconceituoso, racista, machista e homofóbico quanto o Bolsonaro, a diferença é que ele não é tão destemperado a ponto de fazer tantas declarações sobre isso.

Uma vantagem que o Coronel Ciro tem em relação ao Bolsonaro é que ele de fato tem experiência e até aonde eu sei, não foi pego em nenhum escândalo, o que mostra que ele sabe roubar. As pessoas que conheci que moraram no Ceará disseram que ele foi um bom governador, e ser aprovado já é alguma coisa, mas os governos seguintes ao dele, inclusive o do seu irmão Cid, deixaram a violência fora do controle.

Já Bolsonaro eu encontrei na praia em 2014, ao lado do filho dele Carlos. Eu me lembro que eu disse pro Carlos que o Bolsonaro tinha que ser candidato e que ele teria o meu voto. Confesso que tanto ele como o Jair me trataram de forma meio antipática mas eu fiquei felizão. Na época Bolsonaro era apenas um símbolo do antipetismo e eu, como antipetista, adoraria votar nele. A partir de 2016, procurei saber mais sobre ele e descobri quem ele era, no que já tinha votado e etc.

A primeira coisa que me deixou chateado foi saber que ele apoiava incondicionalmente tortura e torturadores, já que um dos pastores da igreja que eu ia tinha sido torturado na época da ditadura. Diz ele que era inocente e que os militares achavam que ele sabia a localização de alguém, que ele ficou dias sendo torturado e não disse nada. Toda vez que ele falava sobre isso ele chorava compulsivamente. Aquele trauma que ele carregou até morrer foi fruto daquilo que o Bolsonaro se orgulhava em defender.

Aquilo que o Bolsonaro é vai contra todos os meus valores. Todos. Eu, como cristão, sei que um dia vou dar conta a Deus pelas minhas decisões. E eu não direi que votei num apologista da tortura tendo tido um pastor torturado. Mas mesmo depois desse episódio eu ainda pensava em votar nele, o que foi diminuindo a medida que vi o fanatismo dos seus seguidores excedia ao dos petistas que eu tanto odiava. Os bolsonaristas parecem petistas de sinal trocado.

Eu fui perdendo a vontade de votar num cara que suscitava tanto ódio. Um dia, ao ver um pastor relatar que um homossexual da igreja dele com que ele aconselhava cometeu suicídio por ter depressão, eu parei pra pensar como a homofobia de fato mata vidas e como eu reproduzia ideias que, sim, poderiam fazer a vida dessas pessoas bem pior. Depois desse evento eu comecei a ver as falas “polêmicas” do Bolsonaro sobre gays, que até então eu relevava e não via problema nenhum, como algo totalmente distante daquilo que entendo como evangelho.

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