Wild Wild Country – Crítica


Olá amigos!

Ontem eu maratonei uma série após ler uma crítica do Adolfo Sachsida. Wild Wild Country conta a história de uma comunidade de hippies que se estabeleceu no Estado do Oregon entre 1981 e 1985, período em que Ronald Reagan presidia o país e em que a guerra fria e a ameaça de uma guerra atômica assombrava os noticiários.

Tudo começa na Índia, quando um guru chamada Osho revoluciona o mundo com uma mensagem pela qual a juventude do mundo capitalista estava desesperada por escutar. Enquanto que os jovens dos anos 60 já não viam mais nenhum encanto nas religiões tradicionais do Ocidente, ora por considerá-las moralistas demais, ora por não produzir neles nenhum efeito sensitivo palpável, na Índia gurus estavam ganhando espaço vendendo um pacote leve e com resultados mais transformadores para lidar com os problemas daquelas sociedades modernas.

Em contraponto com a religião institucionalizada, que é rígida e imutável, a filosofia dos gurus poderia se adequar como uma luva aos anseios dos seus consumidores. Fora que, diferente de uma religião milenar, que precisa impor regras morais para evitar mazelas futuras decorrentes de libertinagens feitas pelo coletivo, as filosofias desses gurus tratavam do indivíduo, não pensavam nem no passado tampouco no futuro, mas focavam no agora, daí o porquê deles verem no sexo algo que poderia ser desfrutado sem tabus. Por causa disso, a juventude sem um sentido para suas vidas, sem enxergar no cristianismo algo que fizesse sentido para sua realidade e que queria mergulhar de cabeça no mundo das drogas, do sexo e do autoconhecimento procurou em gurus como Osho um guia para responder as perguntas mais latentes de suas almas.

A filosofia de Osho era muito parecida com o que conhecemos hoje como Nova Era. Osho não acreditava em Deus, mas cria que o indivíduo deveria buscar no autoconhecimento o próprio sentido de sua vida. Essa mensagem aberta e subjetiva fazia com que cada um desse uma interpretação diferente ao que ele dissesse. Além disso, Osho misturou práticas de meditação do zen-budismo com práticas terapêuticas. Nos seus workshops, as pessoas eram estimuladas a gritarem, dançarem, pularem, e só no final vinha o momento contemplativo de meditação, o que fazia com que os sentimentos e a mente se esvaziassem, de forma a apagar da mente todas as memórias tristes do passado e preocupações pelo futuro, fazendo com que a pessoa enxergasse a sua plenitude, vivendo de fato o seu agora.

Como é previsível, por melhor que fosse a filosofia de Osho, criou-se em volta dele uma institucionalidade e um controle enorme. Seus milhares de seguidores doavam tudo o que tinha a seu mestre, que possuía uma vida nababesca com sexo, carros luxuosos e drogas. Com o passar do tempo, Osho quis criar uma alternativa ao sistema capitalista no qual vivia, criando comunidades aonde seus seguidores poderiam viver de forma utópica. Vestidos todos de vermelho em plena a guerra fria, com um discurso contrário a religião predominante e ao capitalismo, seus seguidores se tornaram uma pedra no sapato da sociedade americana nos anos 80.

A utopia vislumbrada por Osho evidentemente fracassou, pelos abusos diabólicos da liderança da seita e pela oposição da sociedade americana. No final, Osho mostrou como até mesmo um homem com uma filosofia aparentemente bondosa pode criar uma seita altamente fanatizada com pessoas capazes de fazer qualquer coisa pelo poder. É difícil não comparar os seguidores de Osho com outros seguidores de gurus dos nossos dias, como os fiéis da Igreja Universal, as freiras do Inri Cristo, ou numa versão mais light mas amedrontamente parecida, como os desigrejados que seguem o Caio Fábio. Ao que tudo indica, todo o projeto religioso calcado na figura de uma única pessoa está fadado ao desastre, assim como todos esses projetos de construção de “um novo homem” ou de “uma nova sociedade”.

Concluindo, vendo o que aconteceu com Osho eu me pergunto como seria se Jesus tivesse aparecido na nossa época, com internet e mídia de massas, ao invés de ter surgido no Império Romano. Se Judas roubava dinheiro que era doado a Jesus, provavelmente hoje haveria um monte de psicopatas querendo agenciá-lo, assim como malucos sempre no seu encalço, asseclas distorcendo o que ele dizia e reinterpretando tudo pra sua vantagem, dissidentes alegando coisas contra ele, processos judiciais, entrevistas maliciosas, assassinato de reputação, documentários difamatórios, fake news, montagens com sua imagem, etc. Hoje, com a massificação e universalização da comunicação, nenhum ser iluminado estaria a salvo de se tornar apenas mais um guru.

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