Qual é a posição certa sobre o suicídio?


A minha visão acerca do suicídio mudou conforme o tempo. Na religião sempre fui ensinado que o suicida iria pro inferno, já que sua escolha violaria as leis de Deus, e nunca questionei isso até que um dia, já com 20 anos, estava com minha mãe e vimos uma mulher se jogar na frente do trem.

Minha mãe ficou desesperada e eu, calmo. Algum conhecido da mulher disse que ela estava cheia de dívidas e com os filhos doentes. Desesperada e sem esperança, decidiu matar-se da forma mais visceral possível. Algumas pessoas ali, disseram que, caso soubessem de suas dificuldades, ajudariam-lá, já que não era pra ela fazer uma coisa dessas. Achei baboseira. Se todo mundo emprestasse dinheiro pra quem está com necessidade ninguém teria dinheiro pra nada.

Voltando pra casa, minha mãe disse que a mulher tinha ido pro inferno. Aquilo foi agressivo aos meus ouvidos e comecei ali uma discussão com ela que chamou a atenção de todos dentro do ônibus. Não era justo Deus enviar alguém pro inferno por algo que a pessoa faz fora de seu estado natural de consciência. Se ela estava alterada, que arbítrio tinha nas suas próprias decisões?

Um Deus que condena alguém sem que a pessoa tenha escolhido seria muito injusto. Já para a minha mãe, suicida vai pro inferno porque está na bíblia e ponto final. O problema é que apesar do princípio bíblico e valorização da vida realmente fazer todo sentido, na época bíblica não sabíamos o que era depressão, transtorno bipolar ou ansiedade, não havia psicologia e não conhecíamos os efeitos da falta de dopamina e serotonina faz no cérebro.

Não atualizar a teologia a realidade dos avanços físico, químicos e biológicos seria manter a teologia fora de qualquer bom senso, criando-se assim um debate bobo entre fé x ciência, no qual a religião quer que a ciência se submeta a ela sem apresentar um porquê com nexo causal.

Uma decorrência da demonização da ciência é a existência da psicologia cristã, que tenta aplicar a psicologia a partir de ditos pressupostos cristão. O problema é que não existe psicologia cristã, só existe psicologia. Essa estratificação da ciência já foi aplicada no passado quando escolas alemãs ensinavam “biologia alemã” – e o resultado nós vimos como foi “produtivo” para a ciência e para a humanidade.

Hoje temos hospitais que gastam milhões pra manter a vida de pessoas que não querem mais viver enquanto outros milhões de pessoas que querem e precisam morrem por falta de recursos. Em outros casos mantém pessoas vivas artificialmente por meio de aparelhos, deixando pessoas em coma por anos.

Nunca tentei o suicídio, mas me compadeço com quem desistiu de viver por ser um fardo que não puderam carregar em virtude de traumas, dificuldades ou por doenças psiquiátricas. Oro por suas vidas e tenho a humildade de torcer para que esse não seja o meu fim, mas se for da vontade de Deus que eu tenha um mal desse em minha mente o qual não possa controlar, OK.

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