A Doutrina da Reencarnação faz sentido?


Olá amiguinhos!

Esses dias eu estava pensativo pensando: o que será que acontece quando a gente morre?

Antigamente, os filósofos gregos faziam uma separação dualista, na qual dividiam o homem entre corpo e alma. Para eles, o corpo era finito mas a alma seria imortal. De qualquer forma, apesar de muitos já terem tentado provar a existência da alma, fisicamente, ela não existe, já que não há variação de massa entre um corpo vivo e um morto.

Porém, existem algumas provas que existiria algo imaterial que faz parte do ser humano. Através do experimento da sala chinesa ou de experiências de quase morte, pessoas sem funcionalidade cerebral conseguem ter lembranças do que havia ocorrido enquanto seus cérebros se mantinham desligados. É óbvio, essas lembranças podem ser produzidas pelo cérebro, mas o fato das pessoas se perceberem mesmo sem atividade cerebral implica em crermos que a consciência não é totalmente dependente do cérebro. E se a consciência surge num corpo, não há motivos para crermos que ele desapareça quando morremos, ou, indo mais longe, que ela reapareça em outro corpo.

A existência desse fator epistemológico é mais evidenciado ao vermos que robôs, mesmo se tivessem uma programação igual a de um cérebro humano, jamais teriam consciência. De igual modo, se fosse possível o um teletransporte que destruísse todas as células do seu corpo e as recriasse em outro lugar, o que estaria sendo teletransportado seria apenas sua matéria, mas não sua consciência.

Para Descartes, o homem é constituído por duas substâncias, um corpo material e um espírito puro: a alma habita no corpo, mas é independente e separada do corpo, uma espécie de piloto que guia a máquina. Esta concepção levou Descartes a dividir o estudo do ser humano em duas ciências: a fisiologia que estuda o corpo e a psicologia que estuda a alma. Logo, quando disse a famosa frase “PENSO, LOGO EXISTO”, o que ele queria dizer é que o fato de pensar que fazia dele um ser, era isso que definia quem ele era, e não seus dados biológicos. Ele não era um corpo, e sim uma consciência. Isso foi comprovado cientificamente depois que descobrimos que nossas células estão em constantes substituição, e com a exceção do esmalte dos dentes, todas os átomos do nosso corpo são diferente do de 10 anos atrás.

Não é preciso imaginar muito para pensar que essa ideia cartesiana ofendeu os religiosos, que criam que alma e corpo são princípios de uma única substância. A partir de Descartes, (psique-alma em grego) a Psicologia se desenvolveu independente da religião, tendo explicar as doenças da alma de formas opostas as dadas pelas religiões, quase todas eles criadas por homens ignorantes acerca do funcionamento do cérebro humano.

Como visto no vídeo acima, o experimento do Dr. Benjamin Libet é importante para que entendamos o cérebro humano. Nele, ele pedia para voluntários apertarem um botão e anotarem o momento em que decidiam apertar o botão num papel. Mais tarde, o cientista, avaliando o cérebro dos voluntários, descobriu que o impulso para apertar o botão partia da mente meio segundo antes da decisão, o que comprovava que a decisão de apertar o botão não seria somente deles, mas de seu SUBCONSCIENTE, que teria ordenado a ação e feito com que eles se convencessem que quem decidiu apertar o botão fora eles mesmos.

A partir disso, conclui-se que nós não temos LIVRE-ARBÍTRIO, podemos ter até arbitrío, mas este não é livre, já que estamos sujeitos a sermos influenciados pelo subconsciente, mesmo sem perceber, sendo que na maioria das vezes que fazemos uma decisão moral acerca algo, apenas estamos ponderando valores mas no fundo nosso viés de confirmação interno irá pesar mais forte.

Além disso, é importante mensurarmos que a própria consciência pode ser influenciada pela matéria, como no caso de que nas EQM as lembranças que as pessoas tem sempre são associadas a conceitos (céu, paraíso, etc) que tinham antes da experiência. E como existem fatores que são predeterminantes na formação do nosso cérebro e da nossa maneira de pensar (como a genética dos nossos pais, má formação do cérebro, doenças hereditárias, educação, meio social, etc), percebemos que aquilo que somos e que corrobora nossa forma de fazermos decisões é criado de forma completamente alheia à nossa vontade ou escolha. Por exemplo, nos tempos bíblicos era muito fácil dizer que Deus mandaria os suicidas pro inferno, já que eles optaram por tirar a própria vida, mas hoje, sabemos que existe a depressão, e que na falta de dopamina e serotonina, a pessoa pode chegar num quadro em que viver já não é mais uma opção.

O problema da reencarnação é seu conceito de justiça. Por exemplo, pra explicar porque o menino João Helio teve uma morte horrorosa um medium psicografou uma carta em que João contava que sofrera nessa encarnação pois cometeu erros nas anteriores. Logo, para confortar a família, o medium coloca a culpa de uma morte horrorosa na própria vítima inocente. Um outro fator complicado é o mecanismo de recompensa, que faz com que pessoas façam caridade para que possam evoluir e reencarnar melhor na próxima vida. Ora, se alguém faz algo bom em busca de algo em troca, é uma pessoa boa? O ideal seria ensinar as pessoas a “evoluírem” nesse mundo, fazendo o bem em troca de nada, pois quando damos algo nosso a alguém, não estamos recebendo nada em troca, e é por isso que é um ato nobre.

Portanto, se existe reencarnação, não creio que aquilo que reencarna seja você de fato, mas só uma parte de você, já que o que você é de fato é produto de uma consciência e de uma mente moldada por fatores predeterminados e não repetíveis. Como a sua matéria não será a mesma, assim como os fatores que moldaram sua realidade, sua cor, sexo, orientação sexual, religião, time, nível social, etc, tudo indica que você reencarnado será uma outra pessoa, não podendo ser responsabilizado pelos seus atos feitos em outra realidade, e cujas decisões você também não fez livremente.

 

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