Feminismo de direita ou feminismo de esquerda?


Olá amiguinhas!

Ontem foi o Dia Internacional da Mulher, dia este que para muitas pessoas é importante para nos fazermos lembrar das importantes conquistas sociais conseguidas pelo sexo feminino na nossa sociedade. Infelizmente ou não, essa data ainda é muito associada ao feminismo e eu, como qualquer homem normal, sempre vi esse movimento como mais uma armadilha de Satanás para roubar, matar e destruir a família tradicional brasileira.

Bem ou mal, por mais que as feministas tenham tentado de todas as formas possíveis fazer a vontade de seu verdadeiro mestre, Satan, a família patriarcal resistiu bravamente até o meu nascimento e criação. Logo, eu, como filho unigênito dessa vigorosa instituição formada por um pai provedor e uma mãe dona-de-casa, nunca escondi o meu desprezo por aquilo que sempre vi como um movimento formado por mulheres gordas e mal comidas.

Porém, conforme eu cresci e fui estudando, percebi que aquilo que havia também um feminismo direita, que passa despercebido por muita gente. Diferente do feminismo de esquerda, que basicamente se resume em criminalizar o homem como estuprador em potencial e luta pelo direito de estraçalhar fetos humanos dentro do ventre materno, o feminismo de direita se baseia no avanço de pautas comportamentais e de valores.

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Desde os primórdios do feminismo

Desde os primórdios da humanidade, a mulher sofre opressão nas mãos de nós, homens. Desde o início mulheres eram estupradas, agredidas e submetidas a uma série de mazelas provenientes de suas desvantagens biológicas. Dada a essas desvantagens, principalmente pelo fato de que, estando grávidas, corriam risco de vida durante longo período, não podendo percorrer longas distancias em busca de alimento, estabeleceu-se uma relação de divisão de papéis e de interdependência. A mulher, mais frágil, ficaria em casa, cuidando da prole, enquanto o macho arriscaria a vida em busca do alimento.

Alguns milhares de anos depois o advento de pílulas anticoncepcionais, de contraceptivos, de absorventes, e principalmente o advento de idéias de cunho igualitário, possibilitaram a inserção da mulher no mercado de trabalho, retirando da mulher a necessidade de ter um macho provedor. Essa entrada feminina em ambientes até então somente masculinos obviamente causou conflitos, uma vez que sempre que um grupo ascende a uma posição que era privilégio de outro, este outro tende a resistir. Um exemplo óbvio disso é que, quando as mulheres lutaram pelo direito de votar, os religiosos foram contrários, alegando que uma mulher não precisava votar, pois o voto feminino só serviria para dividir a família, já que o voto da família estava representado na vontade do homem, e se a mulher quisesse ser representada, era só se casar.

Hoje mulheres venceram praticamente todas as batalhas que as feministas de primeira onda advocavam. Podem trabalhar, votar e em muitos países desenvolvidos podem, assim como os homens, podem fazer sexo despreocupadas com a contracepção, já que o aborto “recreativo” é legalizado. O que podemos presumir é que, com o avanço da presença feminina no mercado de trabalho, as mulheres terão mais poder econômico, e em última instância, terão poder político para aprovar o aborto nos países que hoje proíbem a prática. Olhando mais pra frente, não é difícil prever que o próximo passo para a emancipação feminina será quando for possível ter filhos através de câmaras criogênicas. Quando for possível ter filhos sem a necessidade de ficar 9 meses gestando, que mulher irá querer correr o perigo de ter filho de forma natural? E é óbvio, criar-se-á um debate em torno desse tema, e sabemos bem de qual lado a religião estará.

Feminismo de direita

Enquanto o feminismo de esquerda é fruto dos valores liberais e anti-religiosos do Iluminismo, advogando pela a emancipação feminina dos cuidados do macho, marido ou pai, e da moralidade coletiva e repressora da sexualidade feminina, o feminismo de direita é um movimento de fundo religioso no seu seu sentido moralizante, inadvertidamente tarado com a regulamentação sexual. Se as feministas de esquerda querem igualdade pra fazer as mesmas putarias que os homens fazem, as de direita querem regulamentar o comportamento com definições estritas do que seria certo e errado, usando para isso a defenestração pública de pessoas fora de sua moral estabelecida, e quase sempre o alvo desse julgamento são outras mulheres.

As feministas de direita são completamente míopes em relação as conquistas da primeira onda do feminismo, que conseguiu para elas direitos que nenhuma delas quer abdicar. Sendo assim, não há nada mais hipócrita que ouvir uma direitista dizendo que “não deve nada ao feminismo” quando goza do direito ao voto, ganha o mesmo que um homem na sua função, tem licença-maternidade e se aposenta mais cedo. Ou será que você já viu alguma direitista advogando pelo retorno ao voto censitário? Algumas até adorariam viver sem precisar trabalhar fora, tal como era antigamente, mas nem todas conseguem um marido rico o suficiente para que vejam isso como opção viável.

O feminismo conservador é evidenciado em alguns episódios. Quando os EUA depois da virada do século conseguiu acabar com o analfabetismo feminino e as mulheres passaram a trabalhar, a primeira consequência foi a ascensão de um discurso conservador moralista dentro do debate político americano. A União das Mulheres Cristãs, como assim era chamada, foi determinante para que o país aprovasse a famigerada Lei Seca, que entre mortos e feridos, deixou um rastro de destruição na sociedade americana dos anos 20. Já no Oriente Médio, esse fenômeno só aconteceu 50 anos depois, no Irã, quando as mulheres “emancipadas” pelas reformas liberais do Xá Reza Pahlavi apoiaram a Revolução Islâmica, com o intuito de restaurar “a moral e os bons costumes”. Começada a revolução, as primeiras vítimas foram justamente as mulheres, que até hoje são obrigadas a usarem o véu de submissão islâmica quando saem às ruas.

Em contraponto ao feminismo de esquerda, que quer tirar o máximo possível de poder dos homens para dar para as mulheres, subvertendo a ordem social, o de direita comumente busca trazer a política a vontade de uma classe de vovós conservadoras, que inquisitorialmente prefeririam proibir o funk, jogos violentos e a pornografia, já que isso estaria degenerando a “nossa juventude”.

Concluindo, como temos visto um crescimento conservador que se baseia somente no anti-esquerdismo histérico e mais nada, tudo indica que não demorará muito para que o nosso país embarque numa cruzada moralista como a vista nos EUA dos anos 20. E acredite. Mesmo se essa cruzada moral acabar por ser prejudicial pras mulheres, sempre haverá algum gênio pra dizer que não existe machismo no Brasil, que machismo existe mesmo nos países islâmicos. Felizmente existem os países islâmicos! Afinal das contas, enquanto houver mulheres apedrejadas na Arábia Saudita, as mulheres tem que agradecer a Deus por viverem no Brasil, não é mesmo?

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2 comentários

  1. Nossa um pouco ruim este texto, faltou bastante conhecimento de causa. Também faltou conhecer o movimento feminista de esquerda e de direita atuais que já não levam os preceitos religiosos como alicerce. Converse mais sobre isso e leia mais para crescer seu ponto de vista que está mais olhando para o seu achismo do que para o que acontece.

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