Trumpocracia: popularidade de Trump supera a de Obama


Hoje saiu uma pesquisa Rasmussen apontando que a popularidade de Trump nunca foi tão alta. E tudo indica que pode até melhorar. Os corte de impostos feito no ano passado somado a um audacioso pacote de investimentos em infraestrutura tem tudo pra fazer a economia crescer, assim como o déficit público. Se tudo der certo, Trump tem tudo para chegar em 2018 com condições de manter as duas casas do Congresso sob controle republicano, o que seria uma vitória além de muitas expectativas.

E as boas notícias não param por ai. Ao que tudo indica, a Coreia do Norte está com medo de um iminente ataque americano e já aceita sentar na mesa de negociação. Se houver uma vitória diplomática ou até militar em relação ao problema norte-coreano, Trump receberá todos os devidos créditos, tornando-se um grande presidente aos olhos dos futuros historiadores.

Sim.

No final das contas, todos os presidentes terão suas ações julgadas pelo tribunal do futuro. Se Trump for um bom presidente, seus eleitores vão olhar pra trás e lembrar dos Nevertrumpers( republicanos que criticam Trump e que não votaram nele por um questão de princípios) e de como foram eles que estiveram o tempo todo do lado errado da história, criticando o homem que reergueu o EUA. Em contrapartida, caso o governo Trump seja um fiasco, serão os Nevertrumpers que terão o orgulho de dizer “eu avisei” e que não terão maculado seus valores só pra apoiar um presidente fracassado.

Decisões tem consequências e devemos nos responsabilizarmos por elas. Eu sempre fui um voraz oponente do PT, mas imagine que eu tivesse votado na Dilma em 2014, acreditando que, como ela dizia, não havia crise, só pra depois ver o país mergulhado na maior crise econômica de sua história. Poderia eu culpar o governo que eu elegi antes de culpar a mim mesmo por tê-lo eleito? Confesso que esse tipo de pergunta tem surgido bastante na minha cabeça. O que aconteceria se eu votasse e fizesse campanha pra um candidato em 2018 e depois de eleito ele jogasse o nosso país na lama. Será que eu continuaria com orgulho defendendo a minha escolha, alegando que as outras opções seriam AINDA piores, ou será que eu reavaliaria meus conceitos e teria a humildade de reconhecer que fui enganado ou que fiz a escolha errada?

Esses dias estava vendo uma entrevista de um escritor republicano chamado David Frum. Frum trabalhou na Casa Branca durante o governo Bush, tendo sido de sua autoria o famoso discurso que Bush mencionou o “eixo do mal” (Coreia do Norte, Irã e Iraque). Nos últimos anos, Frum, neocon aliado ao Bushismo, viu seu partido ser sequestrado pela onda populista do Trumpismo. Frum tinha duas opções. Abaixava a cabeça e se rendia ao Trumpismo em busca de mais um cargo na Casa Branca ou denunciaria os desmandos do presidente do próprio partido. Frum fez a segunda opção.

Nessa entrevista, um ouvinte fez a seguinte pergunta a Frum: Se ele não tinha medo de que, quando terminasse o governo Trump e este fosse glorioso, que ele não ficaria marcado na história como alguém que por objeções morais bobas se opôs a alguém que mudou o país pra melhor. Eu fiquei atento a resposta porque ela me interessava. Trava-se de uma pergunta em que um tribunal do futuro julga a suas posições do presente por resultados aos quais você ainda não sabe o resultado. Frum poderia ter se esquivado da pergunta devolvendo a pergunta com um “ah, mas e se no futuro soubermos que Trump foi ruim, e que você foi quem o apoiou, tal como os alemães que votaram nos nazistas?”. Tal atitude não seria de todo honesta, mas responderia a pergunta. Não foi o que Frum fez.

Frum inverteu a pergunta de uma outra forma. Ele disse ao ouvinte o seguinte: Imagine que um democrata vencesse a eleição, e que descobríssemos que houve uma interferência russa para que ele ganhasse, e que ele estaria usando sua influência como presidente para alavancar seus negócios naqueles países, e que ele fizesse comentários politicamente incorretos e incabíveis para um presidente. Seria fácil para nós republicanos criticá-lo. Agora imagine que nesse contexto alguns democratas com princípios resolvessem desafiar o seu próprio partido e criticar o seu presidente. Quem você acha que seriam melhores julgados no tribunal da história? Esses democratas corajosos ou aqueles que defenderam o presidente nos seus maus atos?

Comente com polidez!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s