Massacre na escola Stoneman e o problema do controle de armas no Brasil


Olá amiguinhos!

Era um dia comum como outro qualquer na escola Marjory Stoneman, em Parkland, a cidade mais segura do Estado, a cerca de 40 minutos de Miami. Absolutamente todos criam que aquele seria um dia rotineiro, que nada fora do normal aconteceria e que todos voltariam para casa são e salvos. Mal sabiam eles que para muitos, aquele seria o último dia de suas vidas.

Nikolás Cruz, 19 anos, era um jovem com um coração perverso. Até ai tudo ok. Existem milhões de pessoas assim. O problema é que Nikolás possuía uma arma de fogo, e estava disposto a usá-la. Na Flórida qualquer um pode possuir uma arma, basta comprar, esperar alguns dias para que pesquisem seus antecedentes e você pode buscar.

Naquele dia muitas mães deixaram seus filhos na escola, deram o dinheiro do lanche e foram em direção aos seus trabalhos, confiando que ainda naquele dia reencontrariam com eles mais tarde. Infelizmente, muitas mães não puderam dar um abraço nos filhos, já que quando chegaram na escola, ao invés de encontrar com o abraço de seu filho, encontraram com cadáveres cobertos de balas.

Nikolas, vestindo uma máscara de gás, granadas, um rifle de assalto e muitas, muitas, muitas munições, estava preparado para qualquer infortuno naquele dia. Em contrapartida, os estudantes da escola pouco ou nada estavam preparados para aquilo que estavam prestes a presenciar.

Já no caminho em direção a escola, Nikolas já começou a descarregar sua arma em direção aos alunos, tendo o cuidado de atirar no alarme de incêndio para evitar que suas possíveis vítimas achassem que havia um incêndio. O barulho das rajadas acabou provocando o pânico dentro das salas de aula. Os alunos, desesperados, sabiam o que estava acontecendo. Como ataques a escolas são comuns nos EUA, boa parte das crianças sabe que são um alvo fácil e indefeso entregue a maldade de qualquer maluco que quiser tirar suas vidas.

Pouco tempo depois de começado o massacre, um policial recebe uma ligação. É uma jovem com um celular, de dentro da escola, alegando que estava com uma pessoa ferida nos braços e que havia um atirador na escola. O policial, surpreso, pergunta aonde o atirador está. A jovem demora a responder. Entre a pergunta do policial e o silêncio da jovem, escutam-se as rajadas de tiros.

Nikolas Cruz, que se autodenominava o ANIQUILADOR já era considerado perigoso pela polícia devido ao seu comportamento estranho em redes sociais, e muitos temiam que ele tivesse o perfil de um atirador, porém, nada foi feito para impedi-lo de obter seu vasto arsenal que usou para destruir as vidas de dezenas de famílias. Ele já tinha feito ameaças a estudantes e estava proibido de circular no campus de mochila. A polícia, após o tiroteio procurou suas redes sociais, só para então se deparar com materiais perturbadores que já denunciavam a iminência do ataque que ele iria perpetrar.

Diferente de outros massacres, no de ontem, o atirador não tirou sua própria vida, tendo sido preso pela polícia. Como a Flórida é um estado que possui a pena de morte, mesmo com a forte oposição que os democratas tem em relação ao tema, não duvido nada que ele seja condenado a morte pelo que fez. Essa é uma diferença entre o Brasil e os EUA. Enquanto aqui doentes mentais como esses ficariam presos por algum tempo e depois postos em liberdade; lá, nos EUA, não haverá segunda chance. Todavia, aqui, a chance de algum maluco ter acesso ao uma arma de assalto legalmente é 0, enquanto que lá é extremamente fácil.

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Estados mais pobres são os que tem mais armas em relação a população.

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Homicídios estão mais correlacionados aos estados mais pobres que aos estados com mais armas.

 

Mais uma vez, esse massacre, que não é o primeiro e nem será o último reacende o debate acerca do controle de armas nos EUA. Para os democratas, enquanto armas forem permitidas, haverá massacres; para os republicanos, portar armas é um direito constitucional e esses massacres é apenas um preço que se paga por essa liberdade, sendo que alegam que as armas coíbem mais assassinatos. Na prática, o direito de que todos possam ter uma arma de fogo vem acompanhado com o eterno risco de poder ser alvo de alguém que possui uma.

Vamos analisar a situação friamente. Os EUA tem 200 milhões de armas. Nenhum governo no mundo seria capaz de confiscar esse volume de armas, então a ideia de proibir as armas é lúdica. Outro ponto é que nenhuma lei que os democratas passem irá prevenir o próximo ataque, já que com 200 milhões de armas em circulação, é praticamente impossível impedir que uma arma seja vendida para uma pessoa má intencionada.

Um ponto que quase sempre passa batido é que não há um controle ou um teste psicotécnico periódico para delimitar quem pode em quem não pode possuir uma arma. Como é um direito, qualquer um pode ter, mesmo que a pessoa use remédios tarja preta, tenha PSTD, tenha depressão, ansiedade, transtorno bipolar ou qualquer problema de ordem psíquica que a coloque no perfil de alguém que usa uma arma para se matar ou matar pessoas numa chacina. Um outro ponto que nunca é levado em consideração é que as lojas verificam os antecedentes criminais do comprador, mas fica claro que se a pessoa é criminosa ela não verá nenhum problema em adquirir uma arma de forma ilegal. Algo que poderia ser feito é verificar se o comprador tem emprego e residência fixa, já que tais critérios retirariam boa parte dos perfis de pessoas que acabam usando armas em crimes. Por último, deveria ser exigido um curso básico de tiro, para que se a pessoa tiver que usar, que não acerte inocentes.

Pois bem, na legislação americana nada disso é necessário para obter uma arma, e se algum deputado propor qualquer tipo de controle será acusado pela poderosa NRA (Associação que faz lobby em favor das armas) de que é algum tipo de comunista autoritário ou coisa do tipo. Como as armas nos EUA são um bom negócio, as empresas produtoras lucram bilhões e todo ano doam recursos para políticos não mexerem nas leis e assim deixarem tudo “do jeito que está”.

Pessoalmente, não vejo solução para o problema americano. Ao mesmo tempo que qualquer maluco tem acesso a armas, a saúde pública lá não é universal, então se a pessoa maluca não quiser se tratar, ou não tiver dinheiro para tal, a tendência é que ficará mais maluca. Se não tem dinheiro para gastar com remédios e tratamento clínico – que lá é caríssimo – pode ser que tenha para comprar uma arma.

Nos países em que as armas são liberadas a primeira consequência que aparece é uma subida no número de suicídios, que passam a ser mais efetivos já que com armas a chance de “não dar certo” é bem baixa. Culturalmente, homens tem maior probabilidade de se matar com armas, enquanto mulheres preferem se matar com veneno e remédios, que não são tão efetivos.

A saída que muitos republicanos tem dado para os massacres nas escolas é – porque não? – armar os professores. A NRA deve adorar ouvir isso. Para a NRA, a saída para evitar a violência feita com armas é que mais pessoas comprem armas e estejam armadas. Cômodo, não? Não falam em universalizar a saúde, não querem monitorar malucos que se encaixem no perfil de atiradores, não querem nada que cause gasto.

Porém os republicanos tem um ponto. Todos esses massacres acontecem em gun free zones (zonal livres de armas). Os atiradores preferem atacar justamente aonde sabem que não terá mais ninguém armado. Logo, a saída seria banir todas as gun free zones, acabando com o direito de um proprietário de uma escola ou de uma localidade de proibir a entrada de pessoas armadas, como acontece hoje. Já que os malucos continuarão existindo, e enquanto a NRA existir, continuarão a sempre ter acesso a armas, talvez essa seja a única medida que possa-se fazer para diminuir as já “inevitáveis” mortes em massacres.

Já aqui no Brasil, não possuímos o direito de ter armas. Só quem tem arma aqui são os criminosos. Creio que deixar algumas pessoas terem armas dentro de suas casas para assim protegê-las – que tenham feito um curso de tiro, que tenham emprego fixo e que  passem em testes psicológicos periódicos – possa ser uma medida melhor que sair liberando as armas pra todo mundo poder sair com elas no meio da rua, como propõe alguns políticos inteligentíssimos. É só isso que acho sobre o tema.

 

 

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