AcidblackNerd acertadamente faz o balanço do primeiro ano de Trump


Olá amiguinhos!

Quem lê esse famigerado blog sabe do meu amor incondicional ao partido de Reagan, e do meu total desprezo ao atual mandatário do EUA. Sendo assim, eu, um conservador anti-Trump, tentarei avaliar de forma isenta esse primeiro ano e atribuir méritos às principais atitudes de Trump:

1- Banimento de Muçulmanos

Uma das promessas de campanha de Trump seria impedir a chegada de muçulmanos nos EUA. Além da inconstitucionalidade de tal medida, já que a Constituição vedaria a discriminação de certa religião, tal atitude seria injusta ao impedir ao chegada de cientistas, médicos voluntários, empresários que queiram investir nos EUA, soldados que lutaram pelos EUA.

No seu primeiro dia de governo, Trump vedou a entrada de pessoas vindas de certos países muçulmanos. Estranhamente, a Arabia Saudita, país dos terroristas do 11 de setembro, não estava na lista. A medida foi tão espúria que o judiciário a barrou. Trump então lançou outro tipo de banimento – este só prevenindo a entrada de certos tipos de imigrantes de países da lista -, e essa versão light foi aprovada. Diferente da primeira versão, essa não impede a entrada de quem já tinha visto de entrada no país.

Apesar de 100% dos terroristas serem islâmicos, rasgar a Constituição pra impedir a chegada de muçulmanos não é capaz de prevenir que cidadãos americanos se convertam ao Islã e cometam atentados. Logo, combater uma ideia, o radicalismo islâmico, seria mais útil que prevenir a entrada de médicos, empresários, universitários e trabalhadores de países islâmicos.

Fraco.

2- Nomeação de Neil Gorsuch à Suprema Corte

Cumprindo uma promessa de campanha, Trump nomeou um conservador à Corte Suprema do país. A decisão foi excelente. Creio que qualquer presidente republicano teria escolhido um conservador como Gorsuch, mas partindo de Trump, cabe elogios.

Excelente.

3- Demissão de James Comes, o chefe do FBI

Mais uma atitude sui generis, que só Trump seria capaz de fazer. Ele demitiu o chefe do FBI enquanto este investigava a ligação russa nas eleições de 2016. Como este ato poderia ser interpretado como obstrução de justiça, é possível que esse evento seja lembrado se os democratas tomarem o controle do Congresso e queiram iniciar um processo de impeachment. Na minha visão, uma atitude desastrosa, porém, se Trump realmente tem algo a esconder, foi bom ele ter demitido quem poderia ter descoberto.

Temerário.

4- Não repeliu a Obamacare

Aqui eu vou dar um refresco pro Trump. Dificilmente um republicano teria a habilidade de negociar o repelimento da Obamacare, já que para tanto seria necessário retirar o seguro de saúde de milhões de americanos. O risco político seria altíssimo, e se existe alguém com trânsito para trabalhar com o próprio partido, este não é Trump.

Depois de muita bateção de cabeça, uma proposta foi aprovada na Câmara, mas quando chegou a vez do Senado, 3 senadores republicanos, dentre eles o herói de guerra John McCain, resolveram não aprovar a medida. McCain, que está com um câncer no cérebro e foi insultado por Trump na campanha, acabou “se vingando” do presidente impedindo que ele conseguisse esse importante marco legislativo.

Aceitável.

Imagem relacionada

5- Corte de impostos

Depois de não terem conseguido repelir a Obamacare, restava aos republicanos tentarem reduzir impostos. Como os bilionários que financiam o partido precisavam de um corte de impostos pra continuar justificando suas contribuições, o partido trabalhou bastante para dar esse presente às corporações e ao mercado financeiro antes do Natal. E assim foi feito. Sabemos que num mundo globalizado, nada garante que essas mega-empresas não peguem esses bilhões de dólares de corte de impostos e invistam em fábricas na China. Outro ponto é que esse corte escandaloso, com certeza melhorará a economia, mas aumentará também o déficit do país, provando que a Curva de Laffer não se aplica a economia americana.

Fica claro que qualquer presidente republicano teria sancionado tal corte de impostos, ou seja, não há muito crédito para Trump aqui, mas a atitude foi benéfica.

Bom.

6- Charlottesville

Confirmando os medos de muitos, nesse ano, num protesto em que nazistas e supremacistas brancos carregavam bandeiras de apoia a Trump, uma esquerdista morreu depois que um nazista resolveu atropelar um grupo de esquerdistas. Trump disse que havia gente boa “nos dois lados”, tentando equiparar os antifas com os nazistas, porém, como quem matou foram os nazistas, a imprensa o massacrou.

Esse evento deplorável foi reflexo da campanha de 2016, onde os extremos, tanto da esquerda como da direita, resolveram sair da toca graças a retórica politicamente incorreta de Trump. Ter visto bandeiras de apoio a Trump ao lado de bandeiras nazista, da Ku Kux Klan e dos confederados foi uma mensagem visual forte que mostrou por A+B que Trump ressuscitou o que existe de pior nos EUA.

Nota zero.

 

8- Reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel

Acho que podemos concordar que nenhum outro presidente teria anunciado a transferência da embaixada de Telaviv para Jerusalém sem um negociação com os Palestinos. Eu também concordo que Jerusalém deveria ficar com os judeus, mas como muitos aliados dos EUA, em especial na Europa, foram contra, é possível que Trump esteja pavimentando um isolamento americano em relação a seus aliados.

Imprudente.

9- Saída da TPP, do Acordo de Paris, da UNESCO, diminuição da verba da ONU

Nesse ponto Trump foi mais Trump. Aqui ele concretizou parte de suas promessas isolacionistas, provocando um orgasmo infinito nos seus adoradores nacionalistas e nos teoristas da Conspiração contrários ao “globalismo”. Diminuindo os meios de governança global, Trump entra na contramão com 70 anos de política externa americana, que se esforçou para construir tais entidades globais.

O TPP seria um acordo econômico que fomentaria o comércio no Pacífico, impedindo a supremacia chinesa na região. Trump, não fã de blocos econômicos, prefere acordos bilaterais, negociando com cada país por vez. Na prática, é como se você cancelasse a Netflix e resolvesse comprar todos os filmes do catálogo separadamente.

Inconclusivo.

10- Apoio a Roy Moore

Em 2017, ano em que dezenas de políticos e executivos caíram em desgraça devido a escândalos sexuais, Trump apoiou um acusado de pedofilia ao senado do Alabama. A derrota do seu candidato num dos estados mais conservadores do país acende um sinal de alerta de que, mesmo num estado atrasado como o Alabama, não há mais espaço para quem assedia mulheres menores de idade. Vocês podem ter certeza que o nome Roy Moore voltará a assombrar Trump no resto de seu mandato. É bom lembrar que em 1991, quando o racista David Duke – hoje apoiador de Trump – candidatou-se ao governo da Louisiana pelo partido republicano, o presidente republicano da época, George H. W. Bush, foi vocal no repúdio ao candidato do próprio partido, ao contrário do que fez Trump com Moore.

Péssimo.

Conclusão:

A economia cresceu, e apesar de ter falado muita besteira em seu twitter, o mundo resistiu a um ano desse perigoso teste à democracia americana. Levando em consideração que ele conseguiu se esquivar do impeachment até agora, e que não tivemos uma guerra nuclear, posso concluir que esse primeiro ano de Trump foi um sucesso total.

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