Olá amiguinhos!

Nos últimos tempos tenho identificado na minha timeline do facebook o surgimento de um novo grupo social. Os membros de tal grupo parecem idolatrar de forma doentia uma pessoa, o qual julgam ser a salvação para o nosso país. Tudo bem que nesse caso específico, de fato Jair Messias Bolsonaro é o enviado de Deus para libertar nosso país do comunismo, mas creio que muitos de seus seguidores estejam indo longe demais.

O que tenho observado ultimamente é um comportamento quase patológico por parte de alguns. Parece que há uma obsessão monotemática que faz certas pessoas falarem do Bolsonaro o tempo todo. Em casos mais leves, a pessoa ainda mantém parte da racionalidade, mas acaba por demonstrar alguns sintomas desagradáveis. O pior é que eu já conheci e conversei com o Jair, o Carlos e o Eduardo Bolsonaro, que foram bastante educados e civis comigo, em total contrapartida a boçalidade que vejo em muitos dos seus seguidores.

1- Culto ao líder

Muitos bolsominions se dizem conservadores, mesmo sem nunca terem lido uma linha de Edmund Burke. Para eles, conservadorismo, por definição, é alguma coisa diferente daquilo que o conservadorismo verdadeiramente é, que é a aversão a todas as utopias. Ao crerem de forma doentia que a eleição de uma pessoa seria o suficiente para acabar com os problemas do país, tais bolsominions se afastam do conservadorismo, já que um conservador entende que nem o conservadorismo em si é suficiente para resolver tais problemas.

Como sabemos que a mente humana é uma fábrica de ídolos, o culto a uma pessoa pode afastar as pessoas defenderem o indefensável o justificar o injustificável. Mais prudente é defender princípios e querer que os políticos os defendam do que defender um político e comprar todos os seus princípios de tabela.

Se analisarmos de forma séria o discurso de Bolsonaro – inclusive suas declarações acerca de temas econômicos ou de planejamento familiar – perceberemos que o rótulo que o define desde o início de sua carreira melhor não é conservador e sim nacionalista.

2- Agressividade

Uma pessoa conservadora geralmente é inteligente o suficiente para ter e defender-se com argumentos. Aparentemente muitos bolsominions não parecem dar muita atenção para isto, preferindo partir direto para xingamentos, acusações ad hominem ou coisas do tipo. E aqui cabe um adendo, quem legitimou o uso do palavrão como argumento válido nos meios conservadores brasileiros foi o mestre Olavo de Carvalho, não o Bolsonaro.

Geralmente, quando acuado com argumentos inteligentes, o bolsominion parte para a ignorância. Eu aprendi isso quando discuti com um bolsominion chamado Jamil Felippe Junior. O tema da discussão era se o Islã era a religião violenta ou se todas as religiões poderiam ser violentas. Eu defendi a ideia que qualquer religião poderia ser violenta, e mostrei uma reportagem da Time mostrando a violência que budistas faziam contra muçulmanos em Myanmar. Jamil primeiro disse que a matéria era mentirosa e fake news porque a Time era esquerdista. Então mostrei a mesma notícia só que dessa vez noticiada pela direitosa Fox News. A postura dele em nada mudou. Sabendo que não me venceria por meio de argumentos, partiu pro ad hominem, chamando-me de “apologista do Islã” e de homossexual. Assim pensa o Bolsominion: “contra fatos, não há porque não usar ad hominem”.

Como a esquerda sequestrou todas as pautas das minorias (a defesa do negro, do gay, da mulher, do nordestino), ela convenceu o consciente popular que se você odeia negros, gays, mulheres e nordestinos, então não há lugar pra você na esquerda, só restando aos imbecis tentar procurarem um lugar na direita. E tais imbecis tem sido bastante bem acolhidos no bolsomundo, já que qualquer crítica a essas minorias é percebida como discurso anti-esquerdista. Além disso, entre os bolsominions ideias espúrias como intervenção militar, fim do Estado Laico, banimento de muçulmanos, legalização da tortura e proibição do comunismo são tratadas com a maior naturalidade do mundo.

3- Comportamento de manada

Não raramente, o bolsominions agem em grupo. Em páginas e grupos do facebook atuam como uma guerrilha virtual de modo a encher postagens de comentários elogiosos ao BolsoGod ou de críticas aos seus detratores, que podem ser globalistas, comunistas, feministas ou até gayzistas. Por meio de uma instrução/voz de comando do tipo “Vamos lá oprimir” manadas de bolsominions enfurecidos atacam de forma irracional qualquer voz destoante do discurso do qual estão inseridos. O bolsominion assim perde a individualidade. Ele vira parte de algo muito maior, que é o exército do Bolsonaro. E ai de quem pensar diferente do grupo, pois será taxado de comunista, gay ou desinformado – e então dirão que ele tem que ler algum livro bem desconhecido graças ao marxismo cultural.

 

4- Bolha social

Como o Bolsominion vive tomado pelo radicalismo – o qual nega reconhecer que tem, já que seria o senso comum dominado pelo radicalismo da esquerda e só eles seriam os iluminados pelo ponderamento -, o natural é que com o passar do tempo ele só se alimente de conteúdos “pró-Bolsonaro” e qualquer coisa que não o seja este considera “fake news”. Assim, o viés de confirmação cresce cada vez mais e as pontes para um diálogo com discordantes são rapidamente derrubadas. Com o tempo, o bolsominion passa a se relacionar mais com outros bolsominions, criando assim uma bolha virtual na qual constroem um mundo para eles mesmos.

Eu pude perceber esse fenômeno na eleição a prefeito do Rio em 2016. Havia pessoas que conhecia que juravam que o Flávio seria eleito, já que só conheciam gente que o apoiava. Defendiam que todas as pesquisas eram manipuladas e quando chegou o resultado das urnas, ficaram surpresos ao descobrirem que o que se passava na timeline deles não reproduzia a opinião pública do eleitorado carioca.

5- Pensamento bipolar

A maioria dos Bolsominions que conheço são adolescentes de 14 a 18 anos, que estão cheios de si por terem descobrido algo para acreditar. Para quem já é mais velho, é impossível não compará-los com os ateus-modinha do início da década. Aliás, onde estão os ateus-modinha?

Outro problema é que dentro de um pensamento fanatizado não há muito espaço para nuances, o que faz com que a marginalização de outros direitistas seja um processo natural. É dentro desse espírito que vi uma figura como o Alexandre Borges ser defenestrado por tirar uma mera e singela foto com o Dória. Sabendo disso, conclui-se que essa histeria bolsonática não parará até que a sua mentalidade de seita a faça se tornar tão sectária que acabe por expulsar o apoio de liberais e de outras matizes do eleitorado que Bolsonaro precisaria para ser eleito.

Muita gente acha que o Bolsonaro tem nos bolsominions um grande trunfo para a sua candidatura. Não discordo que eles de fato serão um trunfo – só acho que eles serão um trunfo dos seus adversários.

 

 

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