Olá amiguinhos!

Como muitos sabem, 2018 é o ano em que realmente teremos um candidato honesto, um candidato cristão, um candidato conservador, um candidato patriota, um candidato macho, um candidato que defende o cidadão de bem, um candidato que luta pela família tradicional, ou seja, um candidato verdadeiramente hétero.

Enfim, 2018 é o ano em que teremos um candidato chamado Jair Messias Bolsonaro, que é a promessa de um Brasil sem o comunismo que está em todas as instancias do nosso cotidiano, sem o homossexualismo que é insistentemente ensinado para os nossos filhos, sem o globalismo da Nova Ordem Mundial e dos Illuminattis, sem a corrupção endêmica e sem esse Estado Laico que persegue os nossos valores cristãos.

Abaixo enumero os motivos pelos quais creio que o Brasil deixará essa oportunidade fantástica de eleger esse homem escapar:

1- Pulverização da direita

Na eleição de 2016 à prefeitura do Rio, Flavio Bolsonaro não chegou ao segundo turno porque no campo “à direita”, havia mais 3 candidaturas que dividiram o voto conservador e possibilitaram que no segundo turno tivesse apenas 2 candidatos de esquerda. Deste modo, se houvesse uma união, mínima que fosse, na direita, hoje teríamos um prefeito mais à direita do que temos.

Mesmo Bolsonaro sendo o único candidato verdadeiramente conservador, candidaturas de candidatos que se dizem “contra a corrupção” e que pegam carona no discurso conservador podem tirar votos importantes. Por isso candidatos como Amoedo, Dr. Rey, Levy Fidelix, Paulo Rabello de Castro e tantos outros oportunistas que vierem a aparecer podem pulverizar a força da direita.

2- Radicalização perante a mídia

Na política existe uma tática chamada de Framing. O framing se consiste em taxar uma pessoa a determinada coisa ou ideia, de modo que fique impregnado no inconsciente popular sempre a associação da pessoa com essa coisa. Por exemplo, um jornal que noticia uma marcha da Ku Kux Klan sob a ótica da liberdade de expressão gera uma recepção positiva, já se aborda sobre a ótica do ódio a recepção é negativa.

O tratamento que Bolsonaro tem por parte da mídia esquerdista é péssimo e tende apenas a piorar. Tentarão associar sua imagem e seu discurso com pessoas racistas, homofóbicas, crimes de ódio, intolerância e etc. Mostrarão o twitter de criminosos que tiverem comentários elogiosos ao político para demonstrar como o discurso do deputado estaria causando uma “epidemia de ódio”.

Mas a tarefa mais trabalhosa que a mídia terá será taxar Bolsonaro com alguns adjetivos que serão exaustivamente repetidos a ponto que as pessoas quando lembrarem do candidato pensarão primeiro nas palavras “radical”, “preconceituoso”, “homofóbico”, “agressivo”, “desequilibrado”, “inexperiente”, etc. E aí cabe ao candidato agir de forma oposta aos adjetivos que lhe estão sendo imputados, mas se ele transparecer ter esses predicados, sua imagem fica comprometida, uma vez que o eleitorado tende a crer muito mais no que vê num candidato do que naquilo que escuta sobre ele.

Todos os candidatos, assim como a mídia, tentarão taxar Bolsonaro como extremista, cabendo a ele mostrar que suas posições não o são mas apenas traduzem aquilo o que o povo também acredita. Taxar Bolsonaro como extremista é natural principalmente porque a maioria rejeita os extremos e escolhe o centro. Essa tática será muito usada por possíveis candidatos que se venderão como de direita mas dirão que são “ponderados”e “pragmáticos”.

Boa parte dos seus apoiadores adoram sua personalidade explosiva e suas mitadas, mas nem toda população é assim. Ele pode cair no erro de quem acha: “ele chegou até aqui assim, tem que ser assim até o final”. E por um lado quem pensa desse jeito tem razão, já que vejo pouca capacidade ou articulação no candidato para que ele modere seu discurso para alcançar um eleitorado moderado.

3- Incapacidade de Triangulação

Na cabeça das pessoas, assuntos como saúde, educação, previdência são assuntos de esquerda, enquanto que assuntos como economia, segurança pública, defesa são de direita. George Bush em 2000 venceu sua eleição fazendo algo chamado de triangulação, ele focou sua campanha no assunto educação, acabando por obter uma maior votação entre mães solteiras – eleitorado em que ele tinha pouca intenção de votos, e sem o qual não teria vencido.

O conceito é que existem assuntos vitais para cada parcela da população. Um idoso tende a votar prioritariamente num candidato com boas propostas para previdência e saúde, os jovens se apegam mais a temas sociais (aborto, casamento gay), pessoas de meia-idade se preocupam mais com a economia, etc.

Para triangular é necessário saber qual é o seu eleitorado cativo e quais são os assuntos que movem os indecisos. Só que para fazer uso disso é preciso ter uma equipe de marketing que sabemos bem que Bolsonaro não terá, e que seus adversários terão.

Hoje, observo que o grosso do apoio a Bolsonaro se encontra no grupo de homens jovens. E isso acontece porque os assuntos que seduzem o eleitorado de dele são assuntos “masculinos”, como armar a população, combate à criminalidade. Para vencer, Bolsonaro precisará abocanhar algumas fatias importantes do eleitorado, como as mulheres de idade, que se preocupam com temas como saúde, tema no qual não vejo nele qualquer intimidade.

4- Estrutura eleitoral

Vejo muita gente dizendo que Bolsonaro vencerá tal como venceu Trump. O problema é que os sistema eleitoral americano é praticamente um segundo turno, diferente daqui, em que o segundo turno é de poucas semanas.

Fora isso, Trump gozou do apoio de milhões de dólares do partido republicano e de sua capilaridade por todos os estados do país, de modo que, se tivesse disputado por um partido pequeno, jamais teria chance. Bolsonaro, mesmo chegando ao segundo turno, não terá os recursos tampouco a capilaridade de um grande partido. Muito pelo contrário, chegando no segundo turno, certamente disputará contra um candidato que terá recursos e um partido estruturado.

5- Escassez de recursos

Que empreiteiro ou empresário sujo financiaria a campanha de um político honesto? Isso mesmo. Nenhum. Em contrapartida, todos estes doariam o máximo para que este não chegasse ao poder. É nesse sentido e sabendo que a campanha de Bolsonaro terá que se contentar com contribuições de seus próprios eleitores que ele verá a dificuldade de fazer uma divulgação em todas as unidades da federação.

Até mesmo nas redes sociais, aonde o apoio ao candidato é grande, não me surpreenderia se visse o Facebook limitando a visualização de postagens envolvendo seu nome e priorizando publicações pagas de outros candidatos.

Fora isso, os partidos grandões (PT, PSDB, PMDB), por mais que não gozem de muita popularidade, gozarão de muitas centenas de milhões em fundo partidário.

6- Campanha de difamação

Em 2014, Marina Silva, a guerreira da floresta, a tartaruga ninja raquítica, a squirtle evangélica, estava liderando as eleições. Nada parecia poder deter aqueles ossos, um empilhado em cima do outro, que compunha o corpo já quase cadavérico da candidata. Mas como ela não tinha tempo de TV, nem dinheiro, nem porcaria nenhuma a não ser aquelas velhas frases que não significavam nada além de sofismas, não foi difícil esmagá-la. A campanha da então diabólica presidente Dilma recrutou MAV´s (militância virtual) para difamá-la nas redes, enquanto na TV dizia que ela ia tirar comida do povo. Sem tempo para se defender, restou a Marina definhar até desaparecer do segundo turno.

No caso de Marina, ela era amada pela mídia. No caso de Bolsonaro, que é figura non grata, podemos prever ataques ainda mais raivosos, vasculhando seu passado com uma enorme lupa a procura de qualquer pequeno escândalo. Por último, tentarão associar seus eleitores com nazismo, homofobia e preconceito, para que as pessoas tenham vergonha de declarar voto nele e assim diminuir o ritmo de sua militância.

7- Inexperiência nos debates

Bolsonaro nunca disputou um cargo majoritário, e sua fama de pavil curto não parece ser injustificada. Com um certo grau de certeza podemos prever que os debates serão “todos contra um” e esse um tende a ser o nosso amado Bolsomito, e nesse sanduíche de Bolsonaro certamente ele se desequilibrará em cadeia nacional, baixando ainda mais o nível do debate, aonde um ou outro candidato irão posar de adultos e equilibrados.

Por mais que ele fale o que as pessoas gostam de ouvir, é fato dado que ele não é um mestre da retórica nem um orador nato capaz de entoar em seus discursos pensadores e filósofos ilustres para a humanidade. Seu jeito bronco pode não ser muito convidativo para determinadas camadas da população.

Um ponto que não deve ser desconsiderado é que o deputado por vezes cai em armadilhas de repórteres, como aconteceu na sua entrevista a Ellen Page, ou quando as perguntas que lhe encurralam para determinado ponto, como quando o bombardeiam de perguntas sobre homossexualismo para tentar pescar alguma resposta que possam julgar como homofóbica ou machista. Se ele fosse inteligente, desviaria desses assuntos e falaria daquilo que é importante, propostas pra saúde, educação, etc.

8- Tempo de televisão

Muita gente crê que ninguém mais vê televisão. Ledo engano. Não só muita gente ainda vê TV como também escuta rádio. É só ir até as regiões mais rurais do país aonde muitos pobres não gozam de um bom serviço de internet. Além disso, principalmente entre os idosos, o hábito de assistir TV parece resistente. E é essa fatia da população que ele tem de buscar.

Em 1994, Enéas, com pouco mais de 5 segundos, conseguiu milhões de votos. Sabendo que Bolsonaro não tem nem 1% da inteligência, da cultura ou da retórica do Dr. Enéas, esses 5 segundos nas mãos dele serão menos úteis ainda, já que como o nome de Bolsonaro é maior, provavelmente nem dê tempo dele dizê-lo em 5 segundos.

9- Falta de conhecimento em economia

Pra poder vender bem uma ideia geralmente é preciso acreditar nela, ou fingir bem. Bolsonaro não entende muita coisa. Uma vez, perguntado pela “mulher do padre” Mariana Godoy sobre o que ele achava do tripé macroeconômico, Bolsonaro mostrou desconhecimento e disse que não precisava entender de economia. Ora, se a pessoa está a 24 anos no congresso, votando acerca de temas envolvendo a economia, o mínimo que se poderia imaginar é que alguns conceitos básicos ele deveria dominar, ao invés de se orgulhar de sua ignorância acerca do tema.

Se ele não sabe nada, com certeza enfrentará adversários que sabem, e muito, e que poderão mostrar ao eleitorado um enorme contraste sobre eles e ele no assunto que mais interfere na vida da população. Vocês podem ter certeza que muito mais gente escolherá o presidente baseado na economia do que no combate ao gayzismo. Então esse é o assunto que ele deveria dominar.

10- Coalisão

Se Bolsonaro for ao segundo turno, tudo indica que seu opositor pode reunir todos os apoios. Por exemplo, imagine que Bolsonaro vá ao segundo turno com um sujeito como Dória ou Alckmin. O PT irá se aliar com eles para derrotar Bolsonaro. Agora, se Bolsonaro for ao segundo turno com Marina. PMDB, PT e PSDB tendem a escolher Marina pra evitar Bolsonaro.

 

 

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