A Guerra na Síria explicada e a possível Terceira Guerra Mundial


Olá amigos!

Primavera?

O ano era 2011. O lugar era o Oriente Médio. O início se deu no Egito, onde o povo se levantou para destronar seu então ditador-faraó Mubarak. Assim começou a primavera árabe, que de primavera nada teve uma vez que desde seu início tem espalhado morte e destruição por onde quer que passou. Não demorou muito e do Egito foi para a Tunísia, e depois para a Líbia, até tomar conta de todo mundo árabe.

Síria dividida

A Síria era um país relativamente aberto no mundo árabe, com liberdade para minorias étnicas e religiosas. O país, que era um verdadeiro caldeirão de diferenças, era governado por Bashar Al Assad, representante da minoria alauíta(seita xiita). Com maioria sunita, a Síria, também composta por cristãos ortodoxos, drusos, iasides e curdos. O governo de Assad contava com o apoio dos cristãos, drusos, iasides, de uma parte da elite sunita e, claro, dos alauítas.

Com a chegada dos “ventos de liberdade” causado pela Primavera Árabe, boa parte da população sunita, carente de representação no país, levantou-se contra o regime. Assim começou a guerra civil que perdura até hoje na região.

Não demorou muito até a Síria se tornar o palco de uma guerra de procuração entre xiitas e sunitas. De um lado, a Arábia Saudita dava a apoio aos rebeldes sunitas; do outro, o Irã apoiava o governo alauíta. Enquanto isso, no norte do país, a minoria curda se armou, aproveitando a oportunidade para se separar do resto do país.

Anos mais tarde, uma dissidência da Al Qaeda se forma no Oeste do Iraque e no Leste sírio. Era o Estado Islâmico. Nesse primeiro momento, o ISIS não lutava contra o regime de Assad, mas contra os outros grupos rebeldes sunitas e os curdos no norte. Fazia isso para formar seu território.

Guerra Fria 

Nesse momento, a Rússia, aliada histórica dos sírios e inimiga dos radicais sunitas, contra os quais luta dentro do seu território, começa a dar apoio ao regime de Assad. Em contrapartida, os EUA pensam em oferecer apoio aos rebeldes sunitas, muito por causa da influência dos seus aliados e fornecedores de petróleo sauditas.

No fronte do Norte, a Turquia, que possui uma enorme população curda e que perderia uma parcela enorme de seu território com a formação de um Curdistão, resolve bombardear os curdos na Síria e no Iraque, mas não o ISIS, que está combatendo os curdos.

Apoio putinesco

O apoio russo, justificado internamente pela ocorrência de atentados terroristas, foi preponderante para manter Assad no poder. Mas, ao contrário do que muitos imaginavam, os esforços de Putin não era em acabar com o ISIS, e sim como os rebeldes sunitas.

Refugiados sírios

A guerra, que devastou o país, fez com que milhões de sírios batessem a porta de outros países, principalmente da Europa, onde a questão dos refugiados acabou alimentando ainda mais a xenofobia e a marginalização dos muçulmanos na Europa. Com o passar do tempo, mais e mais países perceberam que não era possível receber esse fluxo incessante de refugiados e a ideia de por um fim no conflito começou a ganhar força.

Tabuleiro de WAR

Portanto, existem várias guerras dentro desse conflito. Uma é a guerra de Assad, xiita, com apoio do Irã e do Hezbollah, contra os rebeldes sunitas, apoiados pela Arábia saudia. Outro é o conflito dos curdos contra o ISIS e os turcos. E pra fechar a tampa do caixão, ainda tem o ISIS, que luta contra tudo e todos, e, em tese, não seria apoiado por ninguém.

Armas químicas

Engraçado, as mesmas armas químicas que os americanos usaram como justificativa pra invadir o Iraque e nunca as acharam, por uma coincidência, foram usadas na Síria, país vizinha. Eu poderia até especular irresponsavelmente que Saddam Hussein poderia ter transportado tais armas ao país vizinho antes da invasão.

O fato é que o regime de Assad fez uso – ou crê-se que fez uso – de armas químicas contra sua população. No início de 2014, o presidente Barack Hussein Obama quis intervir contra Assad usando isto como justificativa, mas encontrou resistência dentro do congresso dominado pelos republicanos. Não havia fome por uma guerra por parte de seus opositores, mas isso mudaria em pouco tempo.

 

Em abril de 2017, após longos 6 anos de conflito, os russos garantiram a Assad sua sobrevivência no poder. Os rebeldes estavam enfraquecidos e o ISIS cada vez com menos território. Tudo indicava que o conflito caminhava para uma vitória russa. Tudo até o uso de armas químicas num vilarejo sunita, matando mais de 30 crianças com gás Sarin, ato esse que foi registrado e exposto em todo o mundo.

A volta triunfante do neoconservadorismo

O recém-empossado presidente americano, Donald Trump, não teve escolha a não ser ordenar um ataque para destruir as bases de lançamento de tal ataque com armas químicas, atitude que foi louvada por todo espectro político americano e inclusive pela imprensa. Na prática, essa resposta simbolizou a restauração da integridade moral dos EUA após anos de fraqueza sob o desgoverno de Hussein Obama.

O ato foi tão bem-pensado que os EUA notificaram os sírios e os russos para que não houvessem baixas, o que demonstra que o este pode ter sido apenas um ato teatral que esconde uma camaradagem suspeita.

Mas aqui ficam perguntas:

Por que a Rússia deixaria os sírios usarem armas químicas se era evidente que isso geraria uma resposta americana que comprometeria a vitória numa guerra quase vencida?

Por que os russos desejariam que os americanos entrassem no conflito contra Assad?

Será que Putin não contava com uma resposta de Trump?

Será que ele acreditava que Trump seria mais isolacionista que Obama e o permitiria fazer o que quisesse na Síria?

Será que um enfrentamento entre Rússia e Estados Unidos pelo controle da Síria pode dar início a uma Terceira Guerra Mundial?

Seja lá qual for a resposta dessas perguntas, por mais correta que seja a resposta de Trump, tudo indica que ele fez exatamente o que os russos esperavam que ele fizesse.

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