José Mayer não cometeu assédio. Ele cometeu estupro!


Olá caros amiguinhos!

Essa semana foi uma semana difícil. Depois de um dos participantes da dupla Vitor e Léo (não sei se foi o Vitor ou se foi o Léo, mas tanto faz) ter sido indiciado após câmeras de vídeo terem registrado o momento em que ele espancou sua mulher grávida, agora fomos pegos de surpresa pela a notícia que um ator global com fama de machão teria – vejam só! – passado a mão na boceta de uma figurinista – sem consentimento -, e depois da recusa dela ele ainda a teria chamado de vadia.

Um ator e uma cena de crime

Ele teria feito tudo isso na presença de outras pessoas, sem tomar conhecimento de quem estava em volta, na certeza completa e absoluta da total impunidade. Ele, um homem rico, famoso e poderoso, achava-se no direito inalienável de desejar e – por que não? – assediar mulheres a sua volta, muitas das quais deveriam guardar em segredo tais atrocidades para não perderem seus empregos. Tal situação se consiste unicamente numa palavra: opressão. Em resumo, uma pessoa usa de seu poder e posição para subjugar e humilhar outra.

“você nunca vai dar para mim?”

José Mayer

A pergunta que fica é: quanto tempo passou até que atitudes como esta de José Mayer pudessem vir a tona e serem desmascaradas? Sim! Porque bem ou mal, até pouco tempo atrás tal ato não teria nunca chegado aos ouvidos da mídia, ou seria simplesmente tratado como irrelevante. Quantas mulheres, como essa figurinista, não tiveram que sofrer caladas até o dia de hoje? O problema é que ainda existem muitos Josés Mayers soltos por ai. Muitos são chefes, outros são professores, ou até mesmo religiosos.

Socialização da Culpa

O ator, num ato de pura canalhice, negou tudo, mas depois, acuado pelo surgimento de novos fatos, não teve escolha senão soltar uma nota na qual responsabilizava seu ato sórdido, o qual ele eufemisticamente mencionou como se fosse apenas um pequenino deslize, como se fosse causado pelo machismo da “sociedade”. Isso mesmo. Ele erra e depois culpa a sociedade, tal como um esquerdista que culpa uma sociedade repleta de gente decente pelos atos bárbaros de um marginal.

Não é estranho o ator, apoiador do PT em 1989, fazer uso de uma retórica esquerdista pra tentar se safar. Segundo o lógica da esquerda, José Mayer seria apenas mais uma vítima da sociedade. Culpados somos nós que respeitamos e defendemos as mulheres, já ele é apenas um “injustiçado”. Lendo a nota dele eu até imaginei que ele apelaria e diria ser feminista.

“Sim, ele colocou a mão na minha buceta e ainda disse que esse era seu desejo antigo.”

Figurinista

Maucaratismo global

A Rede Globo, num ato de descarada covardia e maucaratismo, negou-se a demitir sumariamente o ator, apenas retirando-o da novela para poupar sua imagem. Na prática, a Globo está dizendo que você pode passar a mão na vagina de uma figurinista que está tudo bem.

Agora a Globo, que tenta incansavelmente vender para as pessoas seus padrões de imoralidade em sua novelas, tais como adultério e defesa incondicional do homossexualismo, dá um passo a frente em apoio velado ao estupro. Sim! Porque passar a mão da genitália de uma mulher não é e nunca foi só assédio. Trata-se de estupro e ponto final.

Abaixo o relato completo:

“Eu, Susllem Meneguzzi Tonani, fui assediada por José Mayer Drumond. Tenho 28 anos, sou uma mulher branca, bonita, alta. Há cinco anos vim morar no Rio de Janeiro, em busca do meu sonho: ser figurinista.

Qual mulher nunca levou uma cantada? Qual mulher nunca foi oprimida a rotular a violência do assédio como “brincadeira”? A primeira “brincadeira” de José Mayer Drumond comigo foi há 8 meses. Ele era protagonista da primeira novela em que eu trabalhava como figurinista assistente. E essa história de violência se iniciou com o simples: “como você é bonita”. Trabalhando de segunda a sábado, lidar com José Mayer era rotineiro. E com ele vinham seus “elogios”. Do “como você se veste bem”, logo eu estava ouvindo: “como a sua cintura é fina”, “fico olhando a sua bundinha e imaginando seu peitinho”, “você nunca vai dar para mim?”.

Quantas vezes tivemos e teremos que nos sentir despidas pelo olhar de um homem, e ainda assim – ou por isso mesmo – sentir medo de gritar e parecer loucas? Quantas vezes teremos que ouvir, inclusive de outras mulheres: “ai que exagero! Foi só uma piada”. Quantas vezes vamos deixar passar, constrangidas e enojadas, essas ações machistas, elitistas, sexistas e maldosas?

Foram meses envergonhada, sem graça, de sorrisos encabulados. Disse a ele, com palavras exatas e claras, que não queria, que ele não podia me tocar, que se ele me encostasse a mão eu iria ao RH. Foram meses saindo de perto. Uma vez lhe disse: “você é mais velho que o meu pai. Você tem uma filha da minha idade. Você gostaria que alguém tratasse assim a sua filha?”

A opressão é aquela que nos engana e naturaliza o absurdo. Transforma tudo em aceitável, em tolerável, em normal. A vaidade é aquela que faz o outro crer na falta de limite, no estrelato, no poder e na impunidade. Quantas vezes teremos que pedir para não sermos sexualizadas em nosso local de trabalho? Até quando teremos que ir às ruas, ao departamento de RH ou à ouvidoria pedir respeito?

Em fevereiro de 2017, dentro do camarim da empresa, na presença de outras duas mulheres, esse ator, branco, rico, de 67 anos, que fez fama como garanhão, colocou a mão esquerda na minha genitália. Sim, ele colocou a mão na minha buceta e ainda disse que esse era seu desejo antigo. Elas? Elas, que poderiam estar no meu lugar, não ficaram constrangidas. Chegaram até a rir de sua “piada”. Eu? Eu me vi só, desprotegida, encurralada, ridicularizada, inferiorizada, invisível. Senti desespero, nojo, arrependimento de estar ali. Não havia cumplicidade, sororidade.

Mas segui na engrenagem, no mecanismo subserviente.

Nos próximos dias, fui trabalhar rezando para não encontrá-lo. Tentando driblar sua presença para poder seguir. O trabalho dos meus sonhos tinha virado um pesadelo. E para me segurar eu imaginava que, depois da mão na buceta, nada de pior poderia acontecer. Aquilo já era de longe a coisa mais distante da sanidade que eu tinha vivido.

Até que nos vimos, ele e eu, num set de filmagem com 30 pessoas. Ele no centro, sob os refletores, no cenário, câmeras apontadas para si, prestes a dizer seu texto de protagonista. Neste momento, sem medo, ameaçou me tocar novamente se eu continuasse a não falar com ele. E eu não silenciei.

“VACA”, ele gritou. Para quem quisesse ouvir. Não teve medo. E por que teria, mesmo?

Chega. Acusei o santo, o milagre e a igreja. Procurei quem me colocou ali. Fui ao RH. Liguei para a ouvidoria. Fui ao departamento que cuida dos atores. Acessei todas as pessoas, todas as instâncias, contei sobre o assédio moral e sexual que há meses eu vinha sofrendo. Contei que tudo escalou e eu não conseguia encontrar mais motivos, forças para estar ali. A empresa reconheceu a gravidade do acontecimento e prometeu tomar as medidas necessárias. Me pergunto: quais serão as medidas? Que lei fará justiça e irá reger a punição? Que me protegerá e como?

Sinto no peito uma culpa imensa por não ter tomado medidas sérias e árduas antes, sinto um arrependimento violento por ter me calado, me odeio por todas as vezes em que, constrangida, lidei com o assédio com um sorriso amarelo. E, principalmente, me sinto oprimida por não ter gritado só porque estava em meu local de trabalho. Dá medo, sabia? Porque a gente acha que o ator renomado, 30 e tantos papéis, garanhão da ficção com contrato assinado, vai seguir impassível, porque assim lhe permitem, produto de ouro, prata da casa. E eu, engrenagem, mulher, paga por obra, sou quem leva a fama de oportunista. E se acharem que eu dei mole? Será que vão me contratar outra vez?

Tenho de repetir o mantra: a culpa não foi minha. A culpa nunca é da vítima. E me sentiria eternamente culpada se não falasse. Precisamos falar. Precisamos mudar a engrenagem.

Não quero mais ser encurralada, não quero mais me sentir inferior, não quero me sentir mais bicho e muito menos uma “vaca”. Não quero ser invisível se não estiver atendendo aos desejos de um homem.

Falo em meu nome e acuso o nome dele para que fique claro, que não haja dúvidas. Para que não seja mais fofoca. Que entendam que é abusivo, é antigo, não é brincadeira, é coronelismo, é machismo, é errado. É crime. Entendam que não irei me calar e me afastar por medo. Digo isso a ele e a todos e todas que, como ele, homem ou mulher, pensem diferente. Que entendam que não passarão. E o que o meu assédio não vai ser embrulho de peixe. Vai é embrulhar o estômago de todos vocês por muito, muito tempo.”

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