A derrota de Wilders na Holanda e o canto dos cisnes dos eurocéticos


Olá amiguinhos especiais!

Nessa semana houve uma importante eleição na Holanda. Nela, havia a esperança de que um candidato declaradamente anti-islã e anti-União Europeia vencesse e ajudasse o mundo a virar de cabeça pra baixo de uma vez por todas. Seu nome era Geert Wilders.

Wilders, apesar de idolatrado por muita gente que se diz de “direita”, abraçava políticas gayzistas, abortistas, maconhistas e filhadaputistas – que a esquerda, aliás, sempre fez o desfavor de defender. Mas é claro, se ele é contra o islã, isso já é o suficiente para ser taxado como “radical de extrema-direita”.

Para entender um pouco do que se passa na Holanda devemos entender que o país, de tradição calvinista, que sempre teve o hábito de abrigar minorias religiosas – tais como os judeus no século XVII -, possui na liberdade religiosa um de seus principais alicerces.

Em 2001, um político homossexual, assustado com o crescimento islâmico no país e de como isso afetaria seu estilo de vida, lançou uma campanha com uma agenda anti-islã, na qual denunciava os perigos do islamismo, o qual muitos até então chamavam de “religião da paz”. Dias antes da eleição, um cidadão assassinou brutalmente esse político gay em nome da tal “religião da paz”.

Anos mais tarde, Wilders aparece com um discurso populista e anti-globalista, espertamente defendendo Israel, o que afastava dele qualquer acusação de que fosse um proto-nazista. Wilders nunca escondeu que odiava o Islã e que este não tinha compatibilidade com a cultura holandesa. Dentre suas propostas, ele defendia a diminuição brutal da imigração e o fechamento de mesquitas.

Não é preciso ser muito inteligente para perceber que as propostas de Wilder eram, um tanto quanto, radicais. Na medida em que abertamente defendia a perseguição de uma religião, não seria nada arriscado taxá-lo de islamofóbico. Ainda que discorde de tais ideias, é preciso frisar que Wilders demonstrou coragem e fibra incomuns em políticos ao se opor a todo o establishment de seu país sem negociar seus princípios ou abrandar sua mensagem. Muito pelo contrário, o quanto mais perto da eleição, mais radical parecia.

Depois do Brexit e da “vitória” de Trump nos EUA, havia a expectativa que candidatos populistas e nacionalistas tomassem o poder no resto do mundo, como num mágico efeito dominó em que tudo mudasse num estalar de dedos. Não, não foi o que aconteceu.

A primeira derrota de um candidato de direita veio ainda em 2016, na Áustria – país aonde Adolf Hitler nasceu -, quando o candidato nacionalista perdeu a presidência por uma ínfima margem, mostrou que a onda nacionalista ainda não tinha tomado a maioria do eleitorado em lugar algum – até mesmo nos EUA, Trump fora eleito com milhões de votos a menos.

Wilders, assim como Le Pen na França, defendia um referendo para tirar seu país da União Socialista Europeia, o NEXIT ( Netherlands + Exit), proposta essa que, apesar de cada dia mais popular, ainda não é vista com bons olhos pelas elites europeias, que preferem que as coisas continuem do jeito que estão.

Outro detalhe é que o eleitorado de Wilders não é o eleitorado religioso. Este, vota nos conservadores da Democracia Cristã, tampouco o eleitorado liberal; este, vota no VVD, partido do atual primeiro ministro Mark Rutte. Wilders apelava ao holandês comum, pouco escolarizado, morador de periferias nas quais a presença opressiva do islã é mais notória, também a pessoas prejudicadas pelas imposições e regulamentações advindas da União Europeia.

Apesar de todo o barulho, Wilders terminou com 20 assentos no parlamento, menos que os 24 que conseguira em 2010 e bem abaixo dos 33 do primeiro-ministro Rutte. Apesar da “derrota”, Wilders, que jamais conseguiria compor uma maioria mesmo se vencesse as eleições, influenciou o tom das eleições e obrigou o próprio Rutte a reconhecer no Islã um problema. Além disso, há o destaque para o desfacelamento do partido socialista, que terminou com 8 assentos, mostrando que a esquerda na Holanda perde conectividade com as massas também por lá.

O que aprendemos na Holanda com a não-eleição do Trump de lá é que essa “direita” nacionalista ainda não tem estrutura para tomar o poder, principalmente em sistemas parlamentaristas, mas pode muito bem dar o tom da discussão pública, obrigando os partidos da “direita” tradicional a elevar o tom sobre temas de forte apelo popular.

A conclusão que tiro é que apesar do enfoque da mídia, essa onda de que alertam tanto de que a direita vem com tudo não passa de uma balela. A esquerda, de fato, está na merda em muitos países do mundo, devido a anos de exposição no poder e de suas políticas falidas, no entanto, esses partidos eurocéticos nacionalistas não tem capilaridade para conseguir ocupar esse vácuo. Prova disso é que, apesar do Brexit, o UKIP, partido nacionalista inglês, não conseguiu chegar nem perto do poder, ficando este com o partido conservador. Ou seja, a “extrema-direita” faz barulho, mas é a “direita organizada” que leva a Taça no final do campeonato. Logo, retiro aqui minhas apostas das candidaturas de Petry Frauke na Alemanha e de Le Pen na França. E digo mais, aqui no Brasil, em 2018, não deve ser diferente.

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