Quem é François Fillon, o próximo presidente da França?


Olá amiguinhos!

Seguindo mais uma nova, porém não desprezível tradição do Acid Black Nerd, farei mais uma previsão perigosamente ousada e irresponsável acerca de um tema com alta taxa de incerteza. O tema de hoje é a eleição francesa de 2017, aonde curiosamente os dois principais candidatos favoritos ao segundo turno são supostamente de direita, o que não deixa de ser um colírio para os meus olhos vermelhíssimos.

Contexto político

Atualmente a França vive o que chamam de Quinta República, que o pelo nome dá ideia, seria a quinta tentativa – quem sabe se fracassada? – de implementar um República na Terra do vinho e do baguete. A quinta República começou quando uns caras mauzinhos que viviam ao Leste invadiram o país em 1939. Eram os nazistas. Para reconquistar o país um general chamado Charles De Gaulle lutou bravamente contra os demoníacos invasores e restaurou a paz da nação dos mal cheirosos.

De Gaulle, um homem de centro-direita, a quem Winston Churchill jamais confiou por achar que ele era uma versão francesa do autoritarismo dos nazistas, governou a França até 1968, através da sua alta popularidade e da autoridade que transmitia. Apesar de extremamente nacionalista, De Gaulle mostrou extremo pragmatismo ao acabar com o imperialismo francês na África e por um ponto final na Guerra da Argélia. Esta última ação o colocou contra um parte da direita francesa, os Pied Noirs, radicais nacionalistas que apoiavam o colonização da África – muitos dos quais no futuro integraram o partido de extrema-direita Front National.

Nos anos 80, na contramão da tendência daqueles dias, a França elegeu o socialista vampiro Miterrand. Miterrand foi sucedido por Jacques Chirac, um político de centro-direita. Chirac defendia o dirigismo, ou seja, uma ação estatal como interventor na economia. Saindo Chirac, entrou o marido de Carla Bruni, o desprezível Sarkozy, tendo este perdido pra François Hollande na sua tentativa de reeleição em 2012.

Contexto Cultural

A França após o final da segunda guerra mundial recebeu uma enxurrada de imigrantes advindos de suas então colônias. Muitos desses imigrantes, majoritariamente islâmicos, estabeleceram-se nas periferias das grandes cidades, não tendo muitos deles se integrado completamente na elegante cultura francesa. A primeira leva de muçulmanos sentiam-se gratos a França pelo Estado de Bem-Estar Social e pela economia desenvolvida do país. Já os filhos e netos desses primeiros imigrantes, majoritariamente marginalizados em guetos e principais alvos do desemprego que atinge a juventude do país, além de não demonstrarem gratidão ao Estado que os supre com benefícios sociais, acabaram adentrando na informalidade, criminalidade e no radicalismo religioso.

É nesse contexto de assombroso crescimento do islamismo da ruas de um país laico e liberal como a França que o “novo” parece se chocar com o “velho”. Se de um lado os valores de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, que guiaram o país por mais de 2 séculos já não parecem tão promissores como antigamente; do outro, a Sharia parece assombrar a França como um futuro inevitável, a medida em que a taxa de natalidade dos islâmicos é muito maior que a dos franceses “normais”. Logo, a França, um dos primeiros países a adotar o secularismo como princípio, hoje corre o risco de cair no colo do fundamentalismo islâmico, mostrando que essa história de secularismo é apenas uma ponte entre um fundamentalismo de uma religião e o fundamentalismo de outra, bem pior que o da primeira.

Contexto eleitoral

Após 5 anos da fracassada gestão socialista de François Hollande, com direito a ataques terroristas islâmicos e tudo mais, a França está preparada para dar uma guinada de volta a “direita”. E coloquem aspas nessa direita. A França é um país extremamente esquerdista na economia, amante das leis trabalhistas generosas, dos benefícios sociais e de um feroz protecionismo, muito em função da agricultura francesa, reconhecida pelos seus vinhos e espumantes. Como vimos acima, até a direita defende o intervencionismo econômico. No entanto, em função da má gestão do demônio socialista que hoje destrói o país, o liberalismo econômico ganhou espaço na centro-direita francesa após a vitória de François Fillion nas primárias do Partido Republicano. Fillion, o mais liberal entre os três pleiteantes da vaga nas primárias do partido, saiu da terceira colocação para arrebatar a nomeação fazendo uso de uma retórica liberal na economia, conservadora nos costumes e moderadamente islamofóbica quanto ao problema islâmico – diria eu que na medida certa.

Apesar da total falta de carisma, Fillion é aquilo que nós do Acid Black Nerd chamamos de bom demais pra ser verdade – praticamente um homem pra casar. Católico assumido, Fillon sustenta a mesma esposa a mais de 30 anos, opondo-se a satânica praga da agenda gayzista na França e defendendo a redução dos privilégios socialistas que empurram a economia francesa para o atraso da não competitividade, como é a baixa idade de aposentadoria e a baixa carga horária.

Então podemos dizer que Fillon é favorito pra ganhar? Ninguém lúcido arrisca tal previsão hoje. Todos sabemos que há na Europa nos últimos tempos um profundo sentimento anti-establishment, anti-imigração e anti-União Europeia. Fillon não poderia personificar mais aquilo que os populistas eurocéticos atuais estão tentando destronar. Ele faz parte do establishment político francês a décadas, tendo integrado vários governos como ministro. Por isso sua vitória seria um grande tapa na cara daqueles que querem ver a União Europeia a sete palmos e ao retorno da Velha Ordem de barreiras alfandegárias, fronteiras fechadas e dezenas de moedas diferentes no Velho Continente.

Le Pão ou Fillão?

A extrema-direita francesa simbolizada pelo Front National nunca esteve tão forte. Os ataques terroristas islâmicos e a onda imigratória de refugiados que recheiam a Europa de problemas apenas reforçam aquilo que o partido vem frisando a décadas. Dessa forma, Marine Le Pen, candidata do Front National, já está com os dois pés no segundo turno. Logo, para vencer sua opositora e cativar o votos dos franceses esquerdistas, Fillon tem duas opções: ou apela para o discurso de autoridade, algo que funciona desde os tempos de Charles De Gaulle; ou adota uma retórica esquerdista acerca da economia. Apostamos que ele não só vencerá, como apostará na primeira opção.

Um dado curioso é que existem setores anencéfalos da direita que estão todo molhadinhos com a possibilidade de Le Pen vencer e colocar a Otan e a União Europeia abaixo em nome da luta contra aquilo que eles chamam de “globalismo”, o que muitas vezes apenas se baseia pela crença em bizarrices como o medo dos Iluminattis e coisas afins. A realidade é que na França teremos nesse ano um candidato direitista economicamente e socialmente, e muitos pseudo-direitistas irão preteri-lo por uma candidata inteligentíssima, machona, nacionalista, economicamente intervencionista e protecionista. Le Pen é uma candidata com boa retórica contra os muçulmanos radicais? Pode até ser que sim, mas isso não passa de uma cereja bem vermelha e redonda em cima de um grande bolo de merda.

Já que estamos terminando esse texto fecal falando de fezes, só a título de curiosidade, Fillon em francês tem uma pronuncia muito parecida com a palavra francesa referente a ânus. Portanto, levando em consideração que a França pode eleger sua primeira presidente mulher da sua história ou um cara com um nome sugestivo, podemos ter a inusitada conclusão de que na eleição desse ano os franceses terão de escolher entre o cu e a boceta.

 

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