Entenda as eleições francesas: A ascensão de Marine Le Pen, do Front National e do FREXIT


Olá amigos!

O Front National, sobre a liderança de Marine Le Pen, nunca esteve salivando tanto de vontade de chegar ao poder como em 2017. Por isso, nós, do Acid Black Nerd, resolvemos explicar a insaciavelmente interessante eleição francesa para nossos leitores incautos, uma vez que iremos escrever sobre esse tema pelos próximos meses.

Bem posicionada nas pesquisas, parece cada vez mais crível que Le Pen possa ser eleita a presidente da França entre 2017 até 2022 – “ano em que muitos creem que deve terminar o primeiro mandato de Jair Bolsonaro como presidente do Brasil”.

Primeiro, o que é o Front National?

Fundado em 1971 por Jean Marie Le Pen, o partido consistia numa coalizão dos grupos identificados como de extrema-direita francesa: colonialistas, ultra-católicos, monarquistas e nativistas. O partido não conseguiu lograr êxitos eleitorais, até que em 1981, com a vitória do socialista vampiro François Mitterrand, Le Pen viu no presidente esquerdista um trampolim para o avanço de seu discurso nacionalista. Com a mudança do regime político representativo na França – Presidencialismo Parlamentarista -, o partido conseguiu sempre se manter com cerca de 10% do parlamento.

Desde então Le Pen concorreu 3 vezes a presidência da França, chegando ao segundo turno em 2002 e perdendo de lavada para o conservador Jacques Chirac. Em 2007, Nicolas Sarkozy foi eleito adotando boa parte do discurso anti-imigração do Front National, o que acarretou numa votação de apenas 10% para o partido, que nesse ponto já tinha sua imagem completamente demonizada.

A lição foi clara. Le Pen, com seu discurso não poderia vencer uma eleição na França. Então o que o Front National fez? Primeiro, trocaram de Le Pen, substituindo Jean Marie por sua filha Marine na liderança do partido. Segundo, trocaram o discurso, como veremos a seguir.

Desdemonizando o discurso radical

Jean Marie Le Pen era o que chamamos de old school. Carismático e provocador, ele se opusera a República, ao Estado Laico e a pluralidade étnica na sociedade francesa. Além disso, Le Pen sempre teve o apoio de colaboracionistas – apoiadores dos nazistas durante a ocupação da França – e sugeriu que o Holocausto era um mero detalhe da Segunda Guerra.

Não é difícil entender porque o povo francês, um dos mais cultos e aveadados do mundo, rejeitara por completo a mensagem preconceituosa de Jean Marie, que na prática era um candidato de um tema só: imigração.

Ao assumir o comando do partido em 2011, Marine Le Pen primeiro teve de se livrar do “peso morto”. Racistoides, monarquistas e fanáticos religiosos perderam protagonismo no partido. Ao mesmo tempo o partido passou a adotar uma postura em favor da República, da laicidade estatal, do euroceticismo contrário a União Europeia e a favor do protecionismo econômico. A retórica anti-imigração foi mitigada com acentuação do enfoque na segurança e na economia. Isso acabou dando legitimidade ao partido, onde a imigração passou a ser somente mais um ponto de sua agenda.

Em 2010, Marine Le Pen comparou a presença muçulmana na França com os nazistas. Isso foi interessante por um motivo: demonstrou sua repulsa em relação aos nazistas. Em outra ocasião, após ver pessoas fazendo saudações nazistas num de seus comícios, Le Pen foi enfática e disse que grupos anacrônicos, radicais grotescos, ultra-católicos e negadores do Holocausto não tinham lugar no seu partido, e que este não seria uma plataforma para suas ambições.

Ao invés de se opor a imigração porque ela diversificaria racialmente a França, Le Pen disse se opor a ela porque a imigração em massa dificultaria a ASSIMILAÇÃO cultural, e na medida em que grupos islâmicos defenderiam a instauração da Sharia, isso acabaria com os valores republicanos e laicos que Le Pen diz prezar e defender

Resumindo, ela não perdeu os eleitores racistas de seu pai e conseguiu com seu discurso protecionista angariar os votos de eleitores jovens, sem escolaridade alta, que tem dificuldades de arrumar um bom emprego.Os frutos foram colhidos em 2012, quando Le Pen quase chegou ao segundo turno, com 17% dos votos.

JE SUIS APOCALIPSE

Você já jogou JENGA? Aquele joguinho em que tu tiras uma peça da base de uma torre e coloca na parte de cima? Pois bem. Quase sempre são precisas várias peças retiradas pra derrubar a torre. Quando houve o Brexit todos acharam que o mundo iria entrar em recessão, mas nada aconteceu. Quando Trump foi eleito todos acharam que os mercados iriam afundar, mas nada aconteceu. Agora, se Le Pen for eleita, sua eleição significa que a França sairá da União Europeia – FREXIT -, o que levaria ao fim do Bloco. Não é preciso ser um gênio para perceber os riscos econômicos que isso acarretaria. Logo, Le Pen pode ser a peça que derruba a porra toda no JENGA da vida real.

Como se não fosse o bastante, Le Pen diz ser contra a Otan e alega que não há necessidade de se proteger de um ataque da Rússia. Nem é preciso dizer que Le Pen é a principal aliada na Europa de Vladimir Putin, o principal beneficiário do enfraquecimento e desfragmentação da União Europeia.

O lado bom de Le Pen é que sua vitória fincaria o ponto final da dominação demográfica islâmica na França. Ao diminuir a imigração legal e rechaçar o Islã na esfera pública francesa, Le Pen asseguraria a identidade da França pelas próximas gerações.

Com um discurso economicamente esquerdista, Le Pen vem atiçando os brios de muitos “conservadores brasileiros” apenas pelo fato dela ser uma versão com vinho e baguete de Jair Bolsonaro, que é politicamente incorreta e contra a praga do Islamismo radical. Mas não se deixe enganar. Le Pen está muito mais longe de uma Thatcher do que de um Putin, o que é um sinal claro de que achá-la uma paladina da direita diz muito mais sobre o que a direita se tornou do que qualquer outra coisa.

Muitos veem em Le Pen um presságio da vitória de Bolsonaro em 2018. Não estão errados. A vitória de Le Pen num contexto tão adverso mostraria que Bolsonaro poderia fazer o mesmo. Porém devo salientar que ela é dotada de um intelecto infinitamente superior a de um Trump ou a de um Bolsonaro. Ela é o melhor pokémon do seu tipo.

Seu desafio é que provavelmente irá para o segundo turno com um candidato conservador e serão os eleitores dos partidos de esquerda que decidirão a eleição. No final, em quem os esquerdistas franceses preferirão votar? Num candidato conservador que defende o Estado Mínimo ou numa candidata da ultra-direita que defende o mesmo protecionismo e intervencionismo econômico que eles defendem? Ou seja, é apostando em temas econômicos e não nos sociais que Le Pen pode derrubar a Bastilha da União Europeia e guilhotinar o Euro. Enfim, todos nós sabemos como a França não é um país nada avesso a Revoluções.

 

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