Ascensão e queda de Anthony Garotinho: da sua quase presidência até a sua morte na prisão


Olá amiguinhos!

Era uma vez um Garotinho. Na juventude, foi petista. Mais tarde, foi pedetista. Como toda a mente doentia, teve uma passagem pela juventude socialista. Tudo parecia excelente para Garotinho. Ele até podia vislumbrar um futuro promissor. O jovem radialista, com um discurso extremamente populista e demagogo, logrou êxito em se eleger e reeleger prefeito de Campos dos Goitacazes.

Garotinho nunca foi um político sui generes. Ele seguia os passos de outro demagago populista, Brizola, o único político responsável por destruir dois estados, o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul. Aliás, o Rio Grande do Norte foi o único estado brasileiro que começa com a palavra “Rio” a ter a sorte de não ter sido governado por Brizola.

Em 1994, Garotinho deu seus primeiros passos pra fora de Campos, ao concorrer ao governo do Estado do Rio contra o ex-prefeito do Rio Marcello Allencar. Divisivo, Garotinho sempre criou em todos os partidos onde fez parte facções leais a ele. Quando estava no PDT, ele praticamente possuía o PDT do G, ou seja, o PDT do Garotinho. Isso lhe era útil uma vez que na saída de um partido para outro, seus acólitos do G sempre o acompanhavam.

Ateu, Garotinho não teve sucesso nas eleições de 1994. No entanto, nas semanas finais de campanha, antes de um debate decisivo, sofreu um acidente de carro no qual ficou internado por semanas. Com o acidente, Garotinho conseguiu criar a narrativa de que teria se convertido no hospital após sentir uma coceirinha no coração. Após algumas discussões, Garotinho deve ter convencido sua esposa, Rosinha, que a opção pela religião evangélica seria melhor para a escalada deles ao poder.

Em 1998, já evangélico, o radialista contou com o apoio da rádio Melodia para propagar sua ideologia dentro do gueto das protestantes. Garotinho contou com a “benção” de ter na sua prefeitura em Campos ter visto a descoberta de vários campos de extração de petróleo. Fato este que gerou royalties que ele desperdiçou da forma mais populista possível na distribuição de esmolas para os miseráveis da sua cidade.

“O melhor prefeito do Brasil”, como sua campanha o intitulava em 1998, com apoio massivo dos evangélicos da Baixada Fluminense e dos pobres caipiras do interior fluminense, venceu César Maia, que era fortíssimo na capital. Garotinho foi eleito, mas sua rejeição na capital o perseguiu até o final dos seus dias.

Garotinho teve um governo muito bem avaliado. Renegociou a dívida do estado entregando os royalties como garantia e investiu pesado em programas populistas como o Restaurante de 1 Real e o Cheque Cidadão. Este que vos escreve almoçou incontáveis vezes no Restaurante popular nos dias menos abastados de sua vida. A moda pegou. Hoje quase todos os estados possuem restaurante populares e podemos ver que Lula em 2002, criou a sua versão do Cheque Cidadão: o bolsa família, uma forma elegante de comprar votos de favelados.

A alta popularidade de Garotinho o alavancou para a eleição presidencial de 2002, onde teve 15 milhões de votos e ficou em terceiro lugar, apoiando Lula no segundo-turno. Daí em diante sua vida entrou numa espiral negativa. O governo de sua esposa, Rosinha(2002-2006) foi horroroso. Num ato de desespero, virou secretário de segurança, mas nem isso parece ter salvo a reputação deles.

Em 2006, pelo PMDB, Garotinho pretendia disputar de novo a presidência. Seria um rival para Lula entre o voto dos mais pobres. No entanto, ficou inelegível, fez greve de fome para, de forma vexaminosa, chamar atenção, porém foi tudo em vão. Em 2010, Garotinho pretendia disputar o governo, mas vendo que perderia, disputou uma vaga na Câmara e foi o deputado mais votado da história do Rio. A sorte parecia ter voltado a casa dos Garotinho, mas é uma pena que ela estava apenas de passagem.

Em 2012, aliando-se com seu Nêmesis, César Maia, Garotinho viu sua filha e a o filho de Maia serem humilhados nas urnas na eleição para prefeito. Em 2014, o que seria a sua volta triunfante se tornou uma derrota sem precedentes. Após liderar boa parte da campanha, e aparecer no segundo turno na pesquisa de boca de urna, Garotinho ficou em terceiro e viu sua chance de voltar ao Palácio da Guanabara acabar de uma vez por todas. Em Campos, ao menos, seu feudo parecia intacto nas mãos da gestão de sua esposa como prefeita, que vira e mexe perdia o mandato por ordem judicial em virtude de alguma ilicitude.

O ano de 2016 foi o calvário para a carreira da família Garotinho. Após perder em Campos por mais de 60% dos votos, Garotinho, que ainda nutria esperanças de voltar ao governo em 2018, recebeu a ilustre visita de policiais federais, que lhe fizeram o favor de o acompanhar até a prisão, onde ele deve passar o restante de seus dias por compra de votos, algo que marcou praticamente todas as suas campanhas e que era encarado com vista grossa até então.

Uma vez preso, de nada adiantará a ele apelar para o seu discursinho batido de apelo à religiosidade evangélica, de crítica aos “poderosos” e de dizer ser perseguido pelas Organizações Globo. Garotinho está acabado. Não será eleito nem a síndico da cela em que irar morar nos próximos anos. Se serve de consolo, podemos nos congratular que ainda nem houve a redução da maioridade penal e já estamos vendo garotinhos atrás das grades.

 

 

2 comentários Adicione o seu

  1. Cida disse:

    Melhor biografia da vida desse crápula…. Amei ! Rsrsrs

    Curtir

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