Bolsonaro, aprenda a vencer com o Crivella!


Amém irmãos!

Aleluia!

Primeiramente, FORAFREIXO! Segundamente, a paz do Senhor!

Provavelmente esse é o texto mais feliz que escrevo nesse desprezível blog. Explico.

Hoje, dia 30 de novembro de 2016, foi consagrado no Rio de Janeiro um candidato filho de uma igreja ne0-pentecostal, do tipo de igreja que vende o evangelho em troca de dinheiro e que perverte o que há de mais puro nesse mundo, que é a bondade das pessoas humildes.

O Rio já teve 6 governadores evangélicos, mas eram políticos evangélicos, boa parte deles nem diziam que eram evangélicos. Crivella é diferente. Ele é um evangélico político. Ele é um mero poste que atende aos interesses de uma seita, que por sinal, trabalhou dia e noite para elegê-lo.

Diferente do que dizem por aí, Crivella não mistura política com religião. Ele é todo religião.

Sendo assim vamos pontuar os pontos onde Crivella ganhou a eleição:

1- Aliança satânica com Garotinho

Como um candidato vence um eleição, tendo 50% de rejeição, de ponta a ponta e ganha de braçada, liderando do início ao fim? A vitória de Crivella se deve a sorte e a uma campanha indefectível. Crivella começou acertando quando se aliou ao demoníaco e satânico Anthony Garotinho, político em ostracismo e com fama de corrupto. A todo momento a crítica a Crivella era: ele está com o Garotinho. Bateram nessa tecla mil vezes e ele não perdeu um voto sequer por causa disso.

Crivella era o candidato com maior rejeição nessa campanha, que aliás, baseou-se no trabalho a essa rejeição. Aliar-se ao Garotinho se rendeu mais tempo de tv e lhe consolidou como candidato único do eleitorado evangélico e pobre. Além disso, o eleitorado que REJEITA E ODEIA Garotinho é o mesmo eleitorado que já REJEITA E ODEIA o Crivella. Logo, foi um casamento que só trouxe alegrias ao Crivella.

2- Deus abriu o caminho

Crivella pode ter muitos defeitos, mas é um cara que parece gente boa. No primeiro turno, ficou escondido nos debates, fugiu dos ataques e ficou na dele, enquanto todos os outros muitos candidatos se degladiavam entre si para ver quem iria com ele ao segundo turno. Todos queriam ir pro segundo turno com o Crivella, pois todos sabiam que seria fácil vencê-lo. Crivella teve a sorte de ir ao segundo turno contra o candidato do PSOL, que não tem nenhuma capilaridade nos bairros mais pobres. Caso o oponente fosse Pedro Paulo, por exemplo, além de ter que enfrentar a máquina gigantesca do PMDB, ele teria que disputar o voto dos pobres com ele e perder de lavado entre os ricos, perdendo assim a eleição como perdeu em 2014.

Crivella começou a campanha como o candidato dos crentes e dos favelados. Bem ou mal, Freixo possibilitou que Crivella virasse o candidato dos crentes, dos pobres e da “direita”. O radicalismo de Freixo acabou jogando para Crivella todos os eleitores de Flavio Bolsonaro, que fariam de tudo para impedir que um candidato que quer ensinar gayzismo para as criancinhas não fosse eleito.

Crivella teve a humildade de buscar valorosos apoios, como o de Índio, Osório e Flavio Bolsonaro. Teve a sorte de ter como oponente um imbecil avesso a alianças, e que achava que poderia governar a cidade sozinho. Pra ser justo, o PMDB praticamente apoiou o Freixo na medida em que cedeu seus caríssimos marqueteiros para ele no segundo turno protagonizar uma campanha de ataques a Crivella.

3- Elite fechada com Freixo

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“Chega dessa agenda Fora Temer, nós queremos recursos. Se o povo do Rio quisesse que essa cidade se transformasse numa luta politica, teria votado no outro candidato. Não à legalização do aborto. Não à legalização das drogas. Não à ideologia de gênero da criança”, bradou, arrancando aplausos do público.

Ver os loirinhoa da zona Sul, a playboyzada, pessoas que ATÉ votaram no Aécio, gente que tem horror a pobre e que nunca andou em trem lotado, gente com profundo preconceito religioso, que nunca pisou numa igreja. Ver essa turminha chorando e colocando a culpa nos favelados por terem votado “na direita” é bom demais. Vencer os esquerdopatas com o voto dos esclarecidos é bom, mas perder na zona Sul por 90% e vencer graças ao voto do pobre, do preto, da mãe de família, isso sim é uma Vitória de verdade.

De nada adiantou a campanha de calúnias, os ataques a religião, a covardia da Veja e do Globo não foi páreo a força do povo. A vitória de Crivella é um tapa na cara da mídia, que o massacrou no segundo turno. A “direitista” Veja publicou uma capa de Crivella “preso” a 26 anos atrás para tentar desmoralizá-lo. A safadeza foi tamanha que eles fizeram duas capas, uma pro Brasil e essa capa dele preso só pro Rio de Janeiro, com clara intensão de prejudicá-lo para ajudar o Freixo.

Artistas, universitários, ricos, funcionários públicos, todos saíram derrotados dessa eleição. Já o pobre, o crente, o favelado, aquele que nunca teve vez, esse sim saiu com um sorriso no rosto. Freixo dizia ser o candidato do povo, mas só a elite esclarecida o abraçou. Era o candidato do povo, que o povo não queria. Ele falava do povo, mas cercado de branquinhos da zona sul.

A galera feia e suada não está interessada em Fora Temer, não quer saber de ouvir sobre golpe, não quer gayzismo nas escolas, não quer saber de aborto. Quanto mais pobre no Rio, maior a aversão a legalização das drogas, já que são essas as pessoas que lidam com o impacto direto do tráfico, que tem drogados na família e que sofrem na pele a violência em virtude do crime financiado pelos narizes da mesma elite aspiradora de pó que estava fechada com Freixo. O povo quer saúde, educação, moradia e segurança. Enquanto Freixo falava romanticamente sobre sua ideologia assassina ou atacava Crivella pela sua religião, este focou nas propostas.

4- Segundo Turno

O debate da Globo foi excelente. O Freixo foi bem agressivo, mas diferente dos outros debates, seu tiro saiu pela culatra. No passado, essa postura foi benéfica, pois nesse tom ele se deu bem contra o Flávio Bolsonaro. No caso do Crivella, ele focou os ataques na religião dele, a Igreja Universal. No entanto, Crivella fez muito bem. Não respondeu. Simplesmente ficou falando que o povo não quer saber de religião , mas de saúde e educação.

Crivella, ao invés de responder ao Freixo, olhava pra câmera e se dirigia ao telespectador, ignorando o oponente. Reagan fazia isso. Poucos políticos tem a capacidade de ter uma comunicação direta com o eleitorado.

5- Ataques políticos

Na política, vence quem ataca. Simples assim. Mas porque os ataques do Freixo não funcionaram? Há uma coisa interessante sobre ataques políticos. Um ataque deve encontrar eco na realidade, do contrário ele se torna contraproducente. Por exemplo , quando o Freixo ataca o Bolsonaro como homofóbico e machista as pessoas que não entendem nada de política olham pro estilo do Bolsonaro que é todo truculento e agressivo e assimilam que ele pode ser homofóbico e machista. Logo, o próprio estilo da família Bolsonaro já os tornam vulneráveis a ataques dessa natureza.

Já contra Crivella,  um cara magro, calmo, com fala mansa, missionário 10 anos nas favelas da África, que já doou mais de 20 milhões de direitos autorais pros projetos sociais do Sertão do Nordeste, esses tipos de ataque não colam. Freixo tentou atacar Crivella como machista, citando uma declaração em que ele disse que a mulher tinha que ser submissa ao homem. Contra Bolsonaro poderia colar, mas contra Crivella não colou. O cara parece um vovô franzino, casado com a primeira namorada, a mais de 30 anos. Se fosse machista, não lograria tal êxito.

Quando o Freixo atacou o Crivella do mesmo jeito que atacava o Bolsonaro o telespetador viu uma incongruência, porque escuta uma coisa do Freixo e vê outra no Crivella. Portanto, é óbvio que as pessoas acreditam mais no que veem do que no que escutam. Sendo assim,  um ataque dessa natureza mostra mostra que o atacante é mentiroso.

6- Moderação

Crivella se deu muito bem ao fugir de temas que o poderiam destruir. Há no subconsciente coletivo uma impressão que um bispo, uma vez eleito, imporia no Rio uma ditadura teocrática que acabaria com a sacanagem e a putaria, duas marcas importantes do Rio de Janeiro. Crivella, logo no início da campanha, disse que iria investir no carnaval e na passeata gay, disse ser contra o ensino religioso nas escolas, dentre outras posturas surpreendentes para um religioso. Ao fazer tal coisa, Crivella tirou da esquerda quilos e quilos de munição que poderia ser utilizada contra ele.

Fator Freixo

Pessoalmente, não conheço uma só alma que votou no Crivella. Pelo contrário, vi a emoção e a paixão da juventude esperançosa em tomar o poder na cidade através do Freixo. Ele encantou muita gente e encheu muitos corações de esperança. De longe, o candidato com a melhor retórica e com a campanha de rua mais eficiente e expressiva que já vi. Milhares de pessoas trabalharam pra ele de graça. O safado conseguiu doações de milhares de otários, que esperavam com isso ajudar a eleger o socialista, e felizmente todo esse dinheiro se mostrou um desperdício total já que ele levou fumo.

Isso mostra o poder do mensageiro. Freixo era o melhor candidato, pois diferente dos demais, ele vendia lixo, e fazia com que as pessoas ficassem empolgadas na esperança de receberem lixo. Isso acontece porque ele transpira honestidade e confiança. Ele defende a mentira mil vezes melhor do que um Bolsonaro da vida defende a verdade. As propostas de Freixo incluíam aumento de IPTU (para os mesmos bairros nobres que votaram maciçamente nele), criação de estatais para o transporte público e um banco de fomento municipal, ideias que já deram errado milhares de vezes – vide Venezuela -, mas ele convenceu milhões de pessoas que “dessa vez ia dar certo”.

Freixo perdeu porque não conseguiu conversar com o eleitorado pobre. No Rio é sempre assim. Ou você consegue o voto do rico, ou consegue os dos pobres. Freixo acabou conquistando a Zona Sul e caiu na velha dicotomia que divide a cidade a séculos.

No final das contas, a elite escolheu Freixo e o povão escolheu Crivella. Felizmente, o povão venceu!

 

 

 

3 comentários Adicione o seu

  1. Ryo disse:

    Sinceramente um dos melhores textos do blog desde que ele voltou nesse ano, a análise da vitória foi precisa e coerente ao que eu vivi todos os dias, uma pena que nenhum analista conseguiu fazer algo desse nível com as eleições americanas com tudo ficando superficial e partidário

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